icons.title signature.placeholder Maurício Oliveira
06/02/2015
08:30

Entre 2008 e 2011, Andrés Sanchez trabalhou nos bastidores contra o Clube dos 13, enquanto crescia politicamente no cenário nacional. Exigia que o Corinthians negociasse sozinho sua parte nos contratos de transmissão de TV e em outros negócios. Tanto fez que implodiu a entidade fundada em 1987 e foi o principal responsável pelo acordo que rende hoje mais de R$ 120 milhões só pelo Brasileirão (sem contar pay-per-view).

Com ideias semelhantes às de seu mentor, Roberto de Andrade, candidato a presidente do Corinthians, sugere debate amplo sobre a formação de uma liga de clubes brasileiros para organizar os campeonatos nacionais e estaduais e torná-los mais rentáveis.

– Só não pode ser tão simplista ao falar sobre isso. [O tema] É um pouco mais amplo, tem de se discutir, mas sou a favor de tirar isso da mão da CBF. Na Europa é assim e os clubes conseguem mais receitas com seus campeonatos – afirmou.

Nesta segunda parte da entrevista ao LANCE!, Andrade também diz ser a favor de diminuir as datas dos Estaduais e aumentar a pré-temporada para preparar melhor os times brasileiros para competições importantes como a Libertadores e o Brasileirão. E diz que vai brigar para fazer o calendário brasileiro respeitar as datas-Fifa para evitar que os times percam seus principais jogadores nos amistosos das seleções.

– Não podemos tirar jogador do clube para atender a Seleção Brasileira, causa um transtorno imenso, isso vai acontecer aqui com a Copa América e Eliminatórias. Atrapalha muito. O calendário é legal, mas temos de respeitar mais a pré-temporada também. O Brasileirão está legal, a Copa do Brasil já atravessa o ano todo também, só acho que tem de ajustar o Paulista – completou Roberto de Andrade.

Se derrotar o oposicionista Antonio Roque Citadini na eleição de sábado, ele será o presidente do Corinthians até o início de 2018.

L!Net - Qual será a postura do Corinthians com relação aos rivais do estado, já que Andrés rompeu com o São Paulo na gestão dele e criticou Mário Gobbi por se aproximar de Palmeiras e do próprio São Paulo?

Aproximação se for necessária não tem problema nenhum, mas não podemos esquecer que a minha preocupação maior é com o Corinthians. Com o resto manteremos um bom relacionamento porque não tenho problema com ninguém.

L!Net - O que acha da formação de uma Liga dos clubes brasileiros?

Acho uma boa ideia, só não pode ser tão simplista ao falar sobre isso. É um pouco mais amplo, tem de se discutir, mas sou a favor de tirar isso da mão da CBF e deixar para os clubes cuidarem dos campeonatos para torná-los mais rentáveis. Na Europa é assim e os clubes conseguem mais receitas com seus campeonatos.

L!Net - Alguns clubes voltaram a propor mata-mata em vez de pontos corridos. Acha mais rentável também? É a favor?

Não, não. Eu gosto dos pontos corridos. É o campeão mais legítimo que tem. E temos outros torneios com mata-mata, a Copa do Brasil, o Paulistão que é uma mistura dos dois.

L!Net - E o calendário? Acha que seria melhor adequar o nosso ao europeu, com a temporada começando no segundo semestre?

Não. Acho que temos de respeitar as datas-Fifa, não tirar jogador do clube para atender a Seleção Brasileira, causa um transtorno imenso, isso vai acontecer aqui com a Copa América e Eliminatórias, vamos perder Guerrero, Lodeiro e talvez outros para a Seleção Brasileira... Isso atrapalha muito. O calendário é legal, mas temos de respeitar mais a pré-temporada também. O Brasileirão está legal, a Copa do Brasil já atravessa o ano todo também, o que é bom, só acho que tem de ajustar o Paulista.

L!Net - É muito longo ainda?

Acho que sim, tem muitas datas ainda. Pode aumentar a pré-temporada e diminuir o Paulista. Isso aumentaria a qualidade do futebol dos times e impediria que ele fosse disputado nas mesmas datas da Libertadores. Vamos ter jogos da Libertadores nos dias 4 e 11, um clássico com o Palmeiras no dia 8, isso tudo atrapalha muito o planejamento de um time que se prepara para ganhar campeonatos como esse.

L!Net - O que você achou do novo ministro do Esporte?

Não acompanho muito bem política, só vi o bombardeio que ele sofreu quando assumiu [o ministério do Esporte]. Mas acho errado a gente pré-julgar as pessoas. Deixa o cara chegar, trabalhar e, na hora que ele começar a fazer alguma coisa, pode falar que está errado. Acho prematuro falar antes. A gente não pode se esquecer do ministério como um todo, muda-se o ministro, mas as pessoas do segundo escalão para baixo são sempre as mesmas e são elas que tocam o negócio. O ministro é uma figura política. Estamos beirando as Olimpíadas, é importante o papel do ministério do Esporte. Acho que deveriam deixá-lo trabalhar primeiro antes do bombardeio de críticas.

L!Net - Sobre o segundo escalão que você citou, você manterá o que está lá ou vai investir em executivos-estrelas como Alexandre Mattos, Rodrigo Caetano...

Nós já temos o Edu, não é? Temos o Ronaldo Ximenes que é diretor estatutário, ou o antigo vice de futebol, que não são remunerados, e o Edu como executivo.

L!Net - Quem será seu diretor de futebol?

Não sei ainda, estamos estudando. Quero que seja o Duílio, já trabalhou comigo, foi meu diretor-adjunto, mas está morando fora e cuidando da saúde do pai, não sabe se vem para cá... Não resolvi nada disso ainda.

L!Net - Falou-se em Nei Nujud...

Não, não. Nei é meu amigo, as pessoas gostam de fazer intriga e confusão. Não existe nada, ele tem a empresa dele e toca, nem tem disponibilidade pra isso.

L!Net - Com relação ao Estatuto do clube, alguns pontos precisam de ajustes, como situação e oposição concordam, um deles diz respeito à eleição em fevereiro. Foi proposto em 2013 pelo Mário Gobbi para antecipar as eleições para o fim de 2014. Por que não houve acordo?

Todos concordam, mas junto com essa alteração houve pedido de outras mudanças. E ela foi votada na sua totalidade. Uma das mudanças era acabar com o chapão, de 200 conselheiros fechados...

L!Net - Você é a favor de acabar com o chapão também?

Sou a favor, sou a favor. Só que como foi votado o pacote todo não passou. Ninguém é contra mudar a data da eleição, tanto é que, se a gente ganhar, colocar isso para ser votado separadamente. Porque ficam essas confusões todas que vocês estão vendo. Em fevereiro já tem campeonato, não é o ideal. O ideal para mim seria novembro para ter a transição em dezembro. E você já assume informado sobre algumas coisas.

L!Net - Acha que o resultado do primeiro jogo da Libertadores, a três dias da eleição, pode influenciar na eleição?

Não acho não. Até porque tenho certeza de que vamos ganhar o primeiro jogo em casa (do Once Caldas).

L!Net - O que acha de a oposição ter costurado chapa única.

Respeito, é um direito legítimo deles de fazer a oposição ficar mais forte com os nomes bons que eles têm. Mas a gente da situação continua trabalhando contra um ou contra mais de um.

L!Net - Fica mais difícil?

Não sei, não tenho essa percepção não. Não sei te falar.

L!Net - Há muita rejeição com relação ao nome do André Luiz Oliveira, o André Negão, como vice da sua chapa, como dizem alguns oposicionistas?

A chapa está oficializada há alguns meses. Ele e Jorge Kalil como vices. Não tem rejeição nenhuma.

L!Net - E a polêmica com relação às urnas eletrônicas, que o Estatuto do clube obriga a ser entregue pelo TRE, mas o TRE diz que não fornece para entidades privadas...

Para mim, é indiferente. A gente respeita o presidente do Conselho e da Comissão Eleitoral. Se acharem melhor fazer com urna eletrônica, por mim tudo bem. Se for na cédula também sem problema, não tenho objeção nenhuma. Que vença o candidato mais votado.

L!Net - Você participou da negociação com o Tite, até por que o Mário Gobbi abriu mão de negociar...

Não participei do negócio, eu conversei com o Tite, mas quem negociou salário e essas coisas foi o Edu (Gaspar). Tite me ligou para bater papo, porque a gente sempre fez isso no período que ele ficou fora do futebol, mas da negociação em si não participei.

L!Net - E o que ele tem dito?

Eu falei com ele até começar a negociação, depois não falei mais. Falei para mandar mensagem de Natal e de fim de ano, desejar felicidades, mas pessoalmente não. Estamos na torcida, sei da confiança dele e do potencial que ele tem. Continua sendo o melhor técnico do Brasil hoje sem sombra de dúvida.

L!Net - Quando Mano Menezes assumiu o comando do Corinthians, ele falou que o maior problema do clube era o fogo amigo, referindo-se à briga política. E, quando deixou o clube, falou em trairagem. Até que ponto essa política atrapalha o time?

Não vejo assim não. É um fato pontual que o Mano colocou, pensamento dele, e não preciso concordar com ele. Discordo completamente, não existe isso. O futebol é monitorado por vocês 24 horas por dia, conversam com todos do clube do porteiro para dentro, ouvem um milhão de coisas, escrevem outro milhão de coisas, ninguém sabe o que está certo, é uma confusão... Então não concordo com o Mano.