icons.title signature.placeholder Leo Burlá e Michel Castellar
22/07/2014
07:59

Dunga terá de mudar em 100% a sua postura no retorno ao comando do Brasil para se adaptar à nova filosofia da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). A afirmação é do ex-técnico da equipe sub-20 Rogério Lourenço, que comandou os novatos no mesmo período da primeira passagem do capitão do tetracampeonato mundial na Seleção.

– Com todo o respeito ao Dunga, mas ele vai ter de mudar radicalmente, senão, será chover no molhado a sua volta – frisou Lourenço.

Técnico da sub-20 de 2007 a 2010, Lourenço revelou que, em momento algum, Dunga o procurou para conversar sobre o trabalho realizado e a futura geração de atletas da Seleção. O ex-treinador da divisão de base ainda contou que conversou só com o ex-auxiliar do capitão do tetra, Jorginho, de quem foi ex-companheiro no Flamengo, porque esbarrou com ele nos corredores da sede da CBF.

– Reunião oficial ou mesmo uma conversa nunca aconteceu entre nós. Todos os relatórios que produzia entregava ao Américo Faria (ex-diretor de Seleções da CBF) e pronto. O Dunga nunca me procurou para nada – ressaltou Lourenço.


Hoje, às 11 horas, a CBF vai oficializar o nome de Dunga para o cargo de técnico da Seleção. Mas, desta vez, o treinador sofrerá a influência direta do diretor de Seleções de Base, Alexandre Gallo.

Na semana passada, a CBF disse que para o ciclo de 2018, jogadores das divisões de base deverão ser aproveitados na Seleção principal com o objetivo de prepará-los para os Jogos Olímpicos Rio-2016. E para voltar ao posto de técnico, Dunga teve de aceitar essa imposição.

– Por mais que o Gallo tente, a palavra final é a do treinador. Para mudar essa mentalidade da noite para o dia será difícil. É preciso mudar a cultura – disse Lourenço.


Sob o comando de Lourenço, em sua passagem pela sub-20, estiveram jogadores como o meia Oscar, do Chelsea, titular do técnico Luiz Felipe Scolari na Copa de 2014.

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BATE-BOLA

ROGÉRIO LOURENÇO
EX-TÉCNICO DA SELEÇÃO SUB-20

Qual é a diferença entre a nova filosofia da CBF e a da época em que você treinou a Sub-20?
Só podia convocar jogadores que atuassem no Brasil. Outra regra era a de somente aproveitar o atleta na Seleção compatível com a sua faixa etária, para não queimar etapas.

Isso era algo ruim?
Não, era uma maneira de valorizar os atletas do nosso país, porque, por vezes, os jogadores de fora vêm desmotivados para servir à base.

A CBF prometeu monitorar os jogadores que atuam fora do país?
Sim, mas é difícil fazer esse monitoramento constantemente. Não conseguimos ver todos os jogadores do Brasil, imagina os lá de fora.

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Américo apoia iniciativa, mas aponta as dificuldades

Para Américo Faria, ex-coordenador das Seleções de Base da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), a observação e o uso de jogadores que atuam no exterior e que ainda tenham idade para servir às equipes inferiores da Seleção é um tema sensível e que merece debate.

Ao passo que apoia o trabalho de acompanhamento e um banco de dados atualizado com a situação desses atletas, Faria aponta dificuldades que vão além das quatro linhas.

– Esses que chegam de fora já vêm com sua independência financeira. É preciso conseguir motivar esses atletas profissionais a disputarem torneios de base, o que nem sempre é uma tarefa simples – disse Faria.