icons.title signature.placeholder Bruno Grossi e Marcio Porto
12/11/2014
07:30

As defesas memoráveis, como as contra Liverpool (ING), e os 123 gols podem não sair da memória dos torcedores do São Paulo, mas não resumem a carreira de Rogério Ceni. Além de ter o dom para frustrar atacantes e goleiros, o Mito tem habilidade extrema com as palavras, a ponto de fazer com que o momento mais marcante das duas passagens do lateral-direito Cicinho tenha sido a palestra dada pelo capitão na final da Copa Libertadores da América de 2005.

– Marcou muito a forma como ele reuniu o grupo para falar que a vitória seria do grupo todo. Ele não exaltou ninguém, mas sim o espírito de equipe. Foi uma palestra que nos motivou bastante para ganhar a Libertadores, que foi mais importante que o Mundial. Ali era o Morumbi com 72 mil pessoas, uma experiência fantástica. Sem o Ceni, o futebol perde um exemplo, uma figura, um ídolo. Mas ele estará no meio ainda e ouviremos falarem muito dele. É uma grande pessoa com quem conversei e aprendi muito – disse Cicinho ao LANCE!Net.

O consagrado atacante Luizão, outro atleta presente no tri da Libertadores, confirma os relatos do atual jogador do Sivasspor (TUR) sobre os discursos inflamados e inclusivos de Ceni. Uma das razões para Luizão ter se tornado amigo de Rogério era porque o Mito sabia falar e sabia ouvir todos os companheiros.

– Todas as equipes, antes de irem para o campo, alguém pede a palavra. Como já tinha a liderança, era normal que falasse mais, mas nunca deixou de dar abertura aos outros. Nunca foi irredutível – conta o ex-atacante e empresário.

Nos últimos jogos do São Paulo, o Mito deu mais provas sobre preocupação com os colegas de time e fez de Kaká, Ganso, Denilson, Alvaro Pereira e Edson Silva novos líderes. Segundo Ronaldão, ex-zagueiro e pilar do time de Telê Santana quando Rogério Ceni se profissionalizou, o goleiro-artilheiro adquiriu essa postura pela convivência com grandes líderes do time bicampeão da Libertadores e do Mundo em 1993.



– Com certeza ela adquiriu isso quando subiu para o profissional. Ali ele já viajava, concentrava e ia para os jogos com Raí, comigo, Toninho Cerezo, Leonardo e Cafu, todos capitães do Seu Telê... Além disso, estreou em um torneio internacional Essa cancha, essa forma de liderar o grupo começou ali – assegura.

Ceni não pisa em falso. Sabe exatamente como mexer com os companheiros de time. Assim como sabe medir exatamente as respostas diante das câmeras, o que para alguns, pode soar como uma postura arrogante. Para outros, como Luizão, tudo é questão de conhecê-lo melhor. De ouvi-lo melhor.

- Depois de conviver com ele, levo outra imagem do que tinha quando era adversário. Foi uma honra jogar ao lado dele, muito bom - afirma o atacante aposentado.