icons.title signature.placeholder Luis Fernando Ramos
26/06/2014
09:00

Faltavam duas voltas para o final do GP da Áustria quando a mensagem apareceu “pintada” no asfalto do circuito de Red Bull Ring graças a um efeito de televisão: “Parabéns senhor Mateschitz. Obrigado. Bernie”. Um agradecimento público desta forma do chefão da Fórmula 1 ao organizador de uma corrida era algo inédito na categoria e ilustra a principal verdade do final de semana: há tempos que o calendário precisava de uma corrida assim.

Foi uma volta aos raízes. Os milhares de fãs que acamparam nos arredores do autódromo entupiram as vias de acesso na quinta-feira - uma situação que só não foi repetida nos outros dias graças a um bom planejamento do tráfego pela polícia local. A paixão do povo austríaco pela F-1 (com a ajuda de muitos torcedores de países vizinhos como Alemanha e Itália) ficou clara nos números: 95 mil torcedores no dia da corrida, 205 mil somando os três dias de atividade de pista. Nem o GP da Espanha, que no passado batia todos os recordes de assistência, atrai mais tanta gente.

Além da paixão, Mateschitz acertou em cheio ao fazer dos torcedores uma parte integrante da festa. Em cada assento foi colocada uma bandeira e, no início e no final da prova, os torcedores agitaram os estandartes criando um mosaico com as cores da bandeira austríaca, num espetáculo de encher os olhos pela televisão, algo que Bernie Ecclestone valoriza muito. Que sirva de exemplo para outros organizadores também.

Vale lembrar que o GP da Áustria é o primeiro modelo de corrida organizada por uma empresa, não por um governo. Curiosamente, o trabalho feito pelo dono da Red Bull é o de um estadista. Mateschitz movimentou a economia da região de Spielberg não só com a mera realização da prova, mas pagando pequenas reformas e melhorias nas cidades para melhorar a apresentação delas na semana da corrida. Não apenas Bernie Ecclestone, mas todos os habitantes da região só têm a agradecer ao homem que trouxe a Fórmula 1 de volta ao país.