icons.title signature.placeholder Thiago Fernandes
19/04/2014
11:02

‘Eu não desisto do que eu quero, mas não me desespero’. A frase é da música de Jorge e Mateus, dupla sertaneja do interior de Goiás, e se encaixa perfeitamente na vida de Diney, de 23 anos. O meia-atacante, atualmente no América-MG, recebeu a reportagem do LANCE!Net na semana que antecedeu a estreia da equipe na Série B, diante do Vasco, neste sábado, e falou sobre os percalços que enfrentou. Ao som dos conterrâneos no fundo, ele explanou os problemas que atravessou na carreira e traçou os objetivos.

– Desde que cheguei (ao América), não se fala em outra coisa, a não ser subir para a Série A. A responsabilidade aumenta – declarou o jogador, que considera o América um dos favoritos para alcançar o acesso:

– O América é sim (um dos favoritos para subir para a Primeira Divisão), porque estamos colocando isso na cabeça. A gente está treinando muito forte. A semana passada foi com dois períodos todos os dias. Quando a gente coloca algo na cabeça, a gente tem que acreditar.

Confira, abaixo, a entrevista exclusiva com o novo contratado do Coelhão:

L!Net: Qual a responsabilidade de jogar no América?
É uma responsabilidade maior que quando estava na Caldense. Os torcedores exigiam muito de mim, a comissão técnica também. Cheguei ao América como uma aposta da diretoria e do Flávio. É uma responsabilidade muito grande e nós temos que ter isso. Estou doido para começar o campeonato para poder jogar.

L!Net: Você tem noção que precisa recuperar o espaço do América na Série A?
Desde que cheguei, não se fala em outra coisa, a não ser subir para a Série A. A responsabilidade aumenta, foram cinco contratados e eu sou um deles. A responsabilidade é muito grande. Todo dia tem reunião para falarem sobre a gente começar com o pé direito. É o planejamento da diretoria e da comissão técnica. Temos elenco para isso. Cada jogador que entra ou sai, são atletas de qualidade. A gente tem que dormir com um olho aberto e outro fechado.

L!Net: Qual a sua avaliação do elenco do América?
Eu acho que é fundamental a mescla de atletas jovens e experientes. Não pode ter apenas jovens nem apenas experientes. Eles (experientes) sabem o ponto e hora certos de correr. O Leandro (Guerreiro), o Obina sempre conversam conosco. São atletas experientes. Já joguei com o Obina no Atlético. Tem que mesclar, dividir, para que alcancemos nossos objetivos.

L!Net: O que fazer para vencer o Vasco?
É um time grande, que merece respeito. O Moacir nos falou que eles estão na Série B, mas é um time de Série A. Uma vitória nos daria muita moral, por conta da qualidade do elenco, com jogadores de nome, rodados. Não podemos dar espaço, sobretudo para o Douglas. A gente viu contra o Flamengo que é um time forte. Eles têm três jogadores que não vão jogar. São três percas que farão falta para eles. Temos que aproveitar. O treinador está passando o que precisamos fazer para vencer.

L!Net: O América também disputa a Copa do Brasil.
É falado sobre isso, mas o principal alvo do América é jogar a Série A. O América está se fortalecendo e tem elenco para ir bem. O próximo rival ainda vai sair. A nossa ênfase é a Série B.

L!Net: Apesar dos 23 anos, você tem experiência. É importante isso?
Sim, porque rodei, apanhei bastante. Comecei em um time grande e agora voltei a um clube grande. É importante a gente rodar para poder dar mais valor. Tudo isso ajuda. Estou bem mais maduro, porque tenho mais cabeça para trabalhar. Eu chegou ao América na minha melhor fase. Tive boas atuações na Caldense. Isso ajuda e dá moral para tentar um jogada e dar certo.

L!Net: O que pensa do trabalho do Moacir Júnior?
Não é porque é meu treinador, mas é um ótimo profissional. Ele sabe ganhar o grupo. Já teve duas conversas comigo desde que cheguei. O time começou a ter grandes atuações com ele, jogar com mais vontade, principalmente quando jogou contra a gente lá em Poços de Caldas. É um cara que gosta de encurtar muito a marcação e sair muito rápido a marcação. Ele gosta disso e é o que ele passa para gente.

L!Net: Esse estilo do Moacir coincide com o seu?
Coincide bastante. Eu gosto muito de marcar, é uma das minhas características e que agrada a todos os treinadores. Eu saio forte para atacar também. O Flávio disse que faço isso muito bem. É a cara do Moacir. Temos que fazer isso contra o Vasco, aproveitar também o fato de que não terá torcedor. A gente está indo bem nos treinos e quer repetir isso nos jogos.

L!Net: Acha que isso te deixa na frente para ser titular?
É uma característica que ele gosta, ele mesmo disse isso. Eu marco o volante até o final e sou um homem de chegada. Agora tenho que esperar. Estou agradando todo mundo, mas tenho que esperar a escalação para saber como chegar aos jogos.

L!Net: O América é um dos favoritos para chegar à Série A?
O América é sim, porque estamos colocando isso na cabeça. A gente está treinando muito forte. A semana passada foi com dois períodos todos os dias. Quando a gente coloca algo na cabeça, a gente tem que acreditar. Temos um bom elenco no papel também. Estamos trabalhando para isso.

L!Net: Por que não deu certo a sua passagem no Atlético?
Faltaram acreditar em mim. Na base, eu ganhei tudo o que joguei. Fiquei três anos e meio na base, ganhei Taça BH, torneio na Holanda e Itália. Subi com moral para o profissional, foi na época do Dorival Júnior. O que não deu certo é que o time estava prestes a cair, foi em 2010. Até jogamos a Sul-Americana. Uma coisa é subir como o Bernard subiu, com o time estruturado. Às vezes, você não tem aquela malícia, quer ir para cima toda hora. A torcida quer te bater lá fora, quer te matar, te pegar. Foi nessa parte, ninguém se destacou. Foi por isso que não deu certo. Eles me emprestaram. Vi que eles não estavam comigo mais lá. Já bati em vários times e vou crescer mais ainda.

L!Net: Fica magoado com a descrença da diretoria?
Eu fico um pouco triste, porque você sonha que quer jogar todos os dias, chegar ao profissional. Fica um pouco de tristeza por não terem valorizado o que fiz nas categorias de base. Nada de mágoa, mas tristeza.

L!Net: Como foi a passagem por Democrata e Ipatinga?
O Democrata foi uma parte muito boa da minha vida, foi logo depois que perdi meu pai. Estava até pensando em parar de jogar bola. Pela maneira que meu pai faleceu, entraram três caras na casa do meu pai, moravam ele e minha irmã de nove anos. Ele não tinha muito dinheiro e tinha falado com ele duas horas antes do que aconteceu. Os três caras viram que ele não tinha dinheiro e falaram que iriam estuprar a filha dele. Ele pediu para não fazerem isso. A minha irmã foi para a perna do meu pai, ele empurrou um e um deles passou a faca no pescoço dele. O Berola e o Richarlyson, na época, me deram muita força. Peguei o carro e fui embora para Goiânia. Não queria mais jogar, mas aí apareceu o Democrata. É a única que sei fazer. Saí um pouco de Goiânia e tentei levantar o moral. Jogamos o Módulo II pelo Democrata e subimos. Antes de ir para o Democrata, passei pelo Ipatinga. Não recebemos salário, foi a maior decepção. Fiquei três meses sem receber e acabou que fui embora. Nem joguei e até hoje não recebi. Tomei um prejuízo. Depois disso, voltei para casa e tive o problema do meu pai.

L!Net: Tomou a decisão correta ao seguir no futebol?
Tantas coisas acontecendo, o Ipatinga não me pagava, eu precisava mandar dinheiro para casa, sustentar a família. Tudo ocasionou para que eu parasse. Eu peguei minha chuteira e coloquei junto do meu pai no velório. Todos se entristeceram muito. Tem muitas coisas que acontecem, nem sempre boas.

L!Net: E sobre a sua passagem pelo Caldas Novas?
No Caldas, foi um período que comecei a jogar em alto nível. Queria vencer. Comecei a jogar na minha posição. No Atlético, jogava de um jeito na base e subi de outro. Não tinha uma posição definida. Falei para o meu empresário como queria jogar e teria que definir o que sou. Comecei a jogar pelos lados do campo, fiz sete gols e fui um dos artilheiros. De lá, a Caldense abriu o olho e vim jogar o Módulo I aqui. Poderia ir para o Anápolis também.

L!Net: Você desempenha várias funções. Esta versatilidade é importante para a carreira?
Hoje em dia, se o cara souber jogar só em uma posição, é pior para ele. Sei jogar em todas as funções e sei jogar bem. Já joguei de lateral-direito, meia-atacante, volante. Só não atuei de centroavante (risos). Já joguei de lateral-esquerdo também. É importante desempenhar outras funções, não só ocupar espaço, mas jogar bem.

L!Net: Como avalia o período na Caldense? Teve interesse de outros clubes?
Foi o melhor período da minha vida, onde tive mais sucesso, foram ótimas atuações. O time era muito bom, treinador excelente. Quase deu certo, se não fosse o último jogo contra o América. Teve o interesse do América, da Ponte Preta, do Santa Cruz, do Sport e do Vila de Goiás, mas quando fiquei sabendo do América, quis vir para cá, pela estrutura. O novo CT está um espetáculo, muito diferente do que vi três anos atrás. Sabia do planejamento deles e que eles não queriam só jogar a Série B. Foi tudo isso que pesou para eu vir para cá.

L!Net: Você se considera um vitorioso por tudo o que passou?
Eu acho que sim, por tudo o que ocorreu na minha vida, tanto na parte pessoal quanto profissional. A chance de eu continuar era muito pequena, não conseguia dormir ou treinar. Só queria ficar em casa. Foi um tempo muito difícil. Fico até chateado de falar sobre isso, não gosto de lembrar. Não consigo ficar sozinho. Antigamente, era bem pior. Sou um vitorioso, não pelo que conquistei no futebol, mas por estar até hoje tentando. Acabei de perder o meu irmão, tem um mês e 16 dias. Se fosse outro, não sei se continuaria. Deus me abençoou para eu vir para a Caldense. Tenho certeza que vou me sair muito bem no América. Quero pegar a bola e partir para cima. É o que sei fazer. Quero alcançar meus objetivos também.

L!Net: Quais são seus sonhos a partir de agora?
Estava conversando com o Bernard esses dias. Ele me deu os parabéns por eu vir para o América e ele perguntou qual o meu sonho. Disse que é jogar a Copa do Mundo de 2018. Ele sempre falava que queria jogar 2018 e já está indo em 2014. O futebol é imprevisível. O meu maior sonho é disputar uma Copa do Mundo. Tenho que trabalhar com os pés no chão e buscar a Série A. Quem sabe vou para fora do Brasil depois? Para que conseguir esse sonho maior, tenho que concretizar outros sonhos.