icons.title signature.placeholder Luiz Fernando Gomes
05/03/2014
20:13

Ayrton Senna era um cara tímido. Sempre procurou manter sob reserva sua vida privada, além das pistas, dos boxes e das solenidades oficiais. Não era tarefa fácil, sendo ele quem era. Mas virava uma missão quase impossível quando envolvia affairs tão explosivos quanto os que teve com Xuxa ou Adriane Galisteu.

Por isso, aquela cena de um sábado pós-Carnaval correu o mundo. Foram imagens únicas de um campeão revelando um lado “15 minutos de fama” típico das celebridades de segunda linha.

Era um Desfile das Campeãs, Marquês de Sapucaí, 8 de março de 92. Apenas dois anos e dois meses antes da tragédia de Ímola. Pela primeira vez o último tricampeão de Fórmula 1 do Brasil ía ao Sambódromo. Desengonçado, quase um gringo, tentava acompanhar o ritmo das baterias. Entre copos de água, sucos de frutas, energéticos. Já era madrugada e desfilava Estácio de Sá que com o enredo Paulicéia Desvairada conquistara seu único título entre as grandes do samba carioca.

Senna não se conteve. Desceu do camarote para o asfalto e rendeu-se aos encantos de uma bela passista. Por alguns minutos, roubou a cena, virou o foco de câmeras de todo o planeta. Quem diria! Mas o carnaval tem poder. Para quem quem está ali, ao lado da passarela, tem a mágica de revelar facetas nem sempre claras da personalidade, mexer com as emoções, alternar lágrimas e risos. Como o esporte. Como as corridas, como o futebol. A volta do campeão, 22 anos depois no enredo da Tijuca, não poderia ter sido mais apoteótica. Com certeza, de alguma forma, ele estava ali.