icons.title signature.placeholder Marcello Vieira
04/11/2013
19:50

Em grande evento realizado na noite desta segunda-feira no Clube Militar, localizado no Centro do Rio, o deputado federal Deley, que também foi jogador do Fluminense na década de 80 e teve uma rápida passagem como treinador do clube anos depois, oficializou a candidatura à presidência do Flu para cerca de 300 convidados, entre eles, ex-atletas como Duílio, Paulo César Caju e Gil, tricolores com sucesso no ramo empresarial como Márcio Fortes, o Secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado do Rio de Janeiro, Júlio Bueno, e outros personagens bastante conhecidos do cenário político do Tricolor, como o ex-presidente Roberto Horcades e antigos dirigentes, casos de Alcides Antunes e Tote Menezes.

Foi em meio a este clima de badalação, que Deley declarou à imprensa que já tem a chapa montada e que a inscrição será realizada em breve. Cabe ressaltar que é preciso 200 assinaturas favoráveis a uma candidatura para que a mesma tenha elegibilidade, situação que, conforme o LANCE!Net apurou, esteve longe de ser um problema para o ex-atleta.

- Já está tudo certo, atacamos essa frente e a chapa está montada. Obviamente nossa candidatura não tem muito tempo, mas hoje nós temos buscado, através de ações objetivas, cobrir esse período que tivemos. Não tenha dúvidas que estamos contentes, felizes e fazendo um bem para o Fluminense. Você vê que só um fato de colocarmos a candidatura, o atual presidente entendeu que para discutir a dívida não é soltando foguete na janela do procurador que irá resolver, que o patrocinador tem que ser tratado com carinho porque é o maior patrocínio que temos nos Brasil e mostramos também que é preciso, acima de tudo, compartilhar essa administração. O Fluminense é muito grande, tem pessoas espetaculares que não conseguiram se aproximar da gestão e que agora terão essa abertura - contou o candidato, aproveitando para provocar a atual gestão.

Lideranças políticas de diversos grupos do Flu, inclusive que atualmente estão ao lado da situação, como a Democracia Tricolor, marcaram presença no evento, evidência de como o cenário é incerto e ainda existem cartas a distribuir no jogo político da instituição. Neste sentido, Deley discursou em tom de união:

- Precisamos harmonizar. Não é brigando com as pessoas que as coisas se resolvem. O que aprendemos ao longo dos anos? A política é a arte de construir. E você como presidente de um clube, parlamentar, o que seja, tem que trazer sempre o diálogo. Acho que é importante a gente ter um diálogo harmonioso com o patrocinador, torcedor e os diversos grupos políticos. O que a gente tem que prometer é um Fluminense muito melhor. Estamos desenvolvendo uma relação com a Fundação Getúlio Vargas que pode ser a grande saída para os Esportes Olímpicos, clube social e deixar o futebol apresentar toda a sua potencialidade. O São Paulo conseguiu captar 25 milhões, fez o centro de treinamento que parece um hotel cinco estrelas. Xerém está legal? Mas pode melhorar muito! Queremos fazer daquilo ali uma escola de futebol. Um dos conceitos nossos não é o que temos visto no futebol brasileiro, quero fazer do jogador de futebol um atleta e não do atleta um jogador de futebol.

O candidato não detalhou o projeto de uma futura gestão caso venha a sair vencedor no pleito, contudo, salientou que deseja formar uma espécie de colegiado de tricolores competentes para gerir o futuro do Fluminense.

- Já está tudo definido. Vamos apresentar o conceito ainda, mas já traçamos o caminho a trilhar. Não é o Deley, mas uma equipe de pessoas altamente competentes. Nâo vou aparelhar o clube pagando salário para um e para outro não. Tem que ser competente, não adianta ser amigo do Deley. Meu compromisso é com a gestão. Hoje você não pode abrir mão de uma figura como Julio Bueno, um dos maiores executivos do Brasil, contamos também com o Marcio Fortes que é um dos maiores empresários do país e é tricolor. São vários tricolores importantes que estão dispostos a nos ajudar, então acho que é isso. Trazer esses e vários outros para que a gente modernize o Fluminense e não engane o sócio e a torcida. É transformar o Fluminense num clube que possa nos orgulhar. Pensar o Fluminense para daqui a 10 anos. 

Por fim, Deley resumiu o sentimento que move a oposição com uma definição clara: insatisfação.

- Acima de tudo o apelo das pessoas que se encontram insatisfeitas com tudo que está acontecendo. Nós esperávamos muito mais. Houve uma grande decepção com o que a gente está vendo. Acho que a gente, acima de tudo, pode contribuir para o Fluminense, futebol brasileiro, é um momento crucial na história do clube. Temos o desejo de dar muita transparência que é o que o futebol está necessitando. Tenho uma grande responsabilidade e estou ciente de que não posso decepcionar tantos amigos tricolores que decidiram meu apoiar.

O que falaram sobre a candidatura de Deley: 

Duílio -´ex-jogador do Fluminense

O Deley, é um amigo, parceiro, ex-jogador, reune todas as qualidade para ser um grande presidente. Espero que seja bem-sucedido no Fluminense como foi a vida inteira. Acho que é uma oposição sadia, foram três anos muito bons do Peter, uma pessoa séria, mas já deu. Tudo tem o seu tempo. É preciso revitalizar o Fluminense e fazer com que ele volte a ser o clube que conhecíamos.

Paulo César Caju - ex-jogador do Fluminense

O Deley é uma raridade no futebol brasileiro. O primeiro convite que me fez para participar do lançamento da candidatura eu estava viajando, moro em São Paulo, ele insistiu, disse que contribuí muito para o sucesso dele como jogador de futebol. Vou até contar essa história. Na época da máquina tinha um campeonato de juvenis em Volta Redonda. Eu, Rivelino, Gil e Pintinho estávamos assistindo a preliminar e ficamos encantando com um garoto do Volta Redonda e indicamos para o Francisco Horta (ex-presidente do Fluminense). Falamos para ele que não podia perder aquele moleque. O resultado todo mundo conhece. Ele girou o mundo, depois parou de jogar. Tornou-se Secretário de Esportes em Volta Redonda, criou o Estádio da Cidadania que eu participei do lançamento também, ganhou para Deputado Federal e virou um craque em todos os sentidos. Na vida profissional como atleta, na vida familiar, uma pessoa bem criada, uma mulher que é uma excelente pessoa, uma bela família, foi para a política e está no terceiro mandato como deputado e agora é candidato à presidência do Fluminense. Será um craque também. Ele está preparado. É formado em administração esportiva, cabeça pensante, agregador e tem um grupo muito forte com ele por trás. Eu sou apenas amigo, foi uma surpresa ele me ligar, não trabalharia na gestão.

Roberto Horcades - ex-presidente do Fluminense

O Deley é uma pessoa que acompanho politicamente há muito tempo como deputado, Secretário de Esportes de Volta Redonda, é um amigo que conheço de muito tempo do Fluminense, nos ajudou bastante e ajudamos ele em Volta Redonda. Politicamente no advento da Timemania ele foi uma pessoa em Brasília que ficou como uma ponta de lança para ajudar o presidente Lula na época para fazer a Timemania juntamento com o Fabio Koff do clube dos 13. Minha ligação com o Deley é de longa data. Somos amigos pessoais, tem larga experiência política, vai ajudar muito o Fluminense, coisa que a gente não tem visto no último presidente e toda a área não política de uma forma geral. É uma experiência nova, é bastante preparado, conhece esse clube, veio para cá com dez anos de idade e tem uma história dentro do clube. O Fluminense precisa de pessoas aqui dentro com história de Fluminense, não com história de vela do Iate Clube do Rio de Janeiro.

 Júlio Bueno - Candidato derrotado nas últimas eleições

O Deley é um candidato melhor do que eu. É uma pessoa mais afável, está na política, é deputado, tem uma facilidade maior em pedir voto. É uma arte. Eu sou um tecnocrata. O Deley é um político importante, com três mandatos de deputado e além disso, tem uma história no clube. Tem que ser respeitado. Sou um soldado da candidatura do Deley. Faço o que ele me pedir.

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