icons.title signature.placeholder Guilherne Cardoso
08/03/2014
10:20

Das ruas de São Paulo para a disputa dos Jogos Sul-Americanos do Chile, em Santiago. Davi Albino pode nem conquistar uma medalha na competição hoje, na luta olímpica estilo greco-romano. Mesmo assim, já deve ser considerado um vitorioso. Afinal, foi por conta do esporte que ele teve uma reviravolta em sua vida.

Quem observa ele lutando atualmente, pouco deve imaginar as dificuldades que passou. Hoje com 29 anos, o atleta vivia com a família nas ruas. Sem ter onde morar, cuidava de alguns carros.

– Morava junto com minha mãe e meus irmãos e ficava tomando conta de carro. Todos nós sabíamos que precisávamos arrumar dinheiro de alguma forma. Graças a Deus, ao esporte e ao nosso trabalho conseguimos sair das ruas. Nunca desistimos e hoje temos nossa casa própria tudo graças ao esporte – afirmou o brasileiro ao LANCE!Net,

– Tomava conta de carro perto do Centro Olímpico do Ibirapuera. Meu ex-treinador guardava o carro comigo e me chamava para treinar todo dia. Ele me convenceu dizendo que lá dava lanche de graça. Nos primeiros meses, ia pelo lanche. Depois, tomei gosto pelo esporte e nunca mais parei. Hoje, não imagino viver sem lutar – completou.

Ao mesmo tempo em que passou a treinar, Albino conseguiu ir morar de aluguel junto com a família. O dinheiro acumulado tomando conta de carros ajudou. Ele ainda conseguiu um emprego de oficeboy e sua mãe passou a fazer faxina em uma livraria da cidade.

Considerado atualmente o principal brasileiro do estilo greco-romano, o atleta compete na categoria até 98kg. Além de fazer parte da Seleção Brasileira de luta olímpica, se formou na Marinha, onde atualmente é sargento. A ajuda do Programa Bolsa Atleta também auxilia a pagar as contas hoje em dia.

Bronze na última edição dos Jogos, ele quer mais em 2014. Após tanta dificuldade. os rivais são só mais um obstáculo no caminho.

Para entrar na história

Como não poderia ser diferente, Davi Albino não deixa de pensar na Olimpíada de 2016, no Rio de Janeiro. E ele sonha em ser o primeiro brasileiro a conquistar a medalha.

– Sonho com isso todos os dias. Abri mão de estar perto da família, que mora em São Paulo, para me dedicar aos treinamentos no Rio. Não adianta chegar perto dos Jogos e querer se preparar.Espero ser o primeiro brasileiro a medalhar na luta olímpica – disse o lutador.

Davi já entrou na história do esporte. Em 2011, foi o primeiro brasileiro a derrotar um cubano, em Cuba, no Torneio Cerro Pelado.

Hoje, além dele, outros cinco atletas do Brasil lutam hoje: Diego Romanelli, Rafael Páscoa, Ângelo Moreira, Ronisson Brandão e Antônio Henriques dos Santos.

Principal brasileira fora da disputa

Principal atleta brasileira na luta olímpica, Joice Silva está fora dos Jogos Sul-Americanos, no Chile. A lutadora não está lesionada ou foi preterida por alguma outra atleta. Na verdade, sua categoria, até 58kg, não vai ser disputada por conta da falta de um número mínimo de competidoras.

Nona melhor do mundo em seu peso, Joice vivia a expectativa de disputar a competição. Na última edição, em 2010, na Colômbia, ela ficou com a medalha de prata ao perder para a colombiana Jackeline Rentería.

As mulheres competem amanhã, em Santiago. No feminino, a luta olímpica conta somente com o estilo livre. Assim, as representantes do Brasil na competição são: Susana Santos (até 48kg), Camila Fama (até 53kg), Lais Nunes (até 63kg), Gilda Oliveira (até 69kg) e Aline Silva (até 75kg).

Já na segunda-feira, acontece a disputa masculina no estilo livre, com seis lutadores brasileiros na luta por medalhas.

CONFIRA UM BATE-BOLA COM DAVI ALBINO:

LANCE!Net: Após começar a treinar, como você conseguiu sair das ruas?
Davi Albino: Depois de algum tempo guardando o que ganhávamos na rua, conseguimos ir morar de aluguel. Depois, minha mãe conseguiu um emprego de faxineira em uma livraria e eu de ofifceboy. Economizamos tudo o que podíamos para comprar uma casa. Só quem mora na rua sabe o que é não ter onde dormir.

L!Net: Como está sua situação atualmente? Tem morado com quem?
DA: Minha situação hoje melhorou muito. Além de ser atleta da Seleção, sou militar em virtude de um convênio com a Marinha. Sou sargento da marinha, tenho minha casa própria que consegui comprar com muito esforço. Moro na marinha e quando estou em período de treinamento fico no alojamento da Confederação, no Rio de Janeiro.

L!Net: Além da luta olímpica, você tem alguma outra profissão?
DA: Sou militar e disputo os Jogos Militares pela Marinha do Brasil. Nunca pensei em ter outra profissão que não fosse atleta.

L!Net: Qual o maior problema que passou quando vivia na rua? Quais lições tira dessa situação?
DA: Na rua, você tem várias dificuldades, falta de comida e de um lugar para dormir quando chove. E existem os perigos de viver sem proteção. Mas sabíamos que era um momento de dificuldade e que iríamos superar . Nunca me deixei abalar pelas dificuldades e, hoje, olho para o passado com muito orgulho do que me tornei. Uma lição de vida é nunca se entregar e desistir perante as dificuldades da vida.

L!Net: Qual expectativa para os Jogos?
DA: Espero fazer um ótimo Jogos. Treinei muito e sei que tenho condições de conseguir uma medalha.

O repórter viaja a convite do COB