icons.title signature.placeholder RODRIGO CERQUEIRA
23/06/2014
09:15

Caras fechadas, declarações desencontradas, isolamento, pouco diálogo nos treinos... O clima na seleção da Espanha foi ficando cada vez mais pesado ao passo que os dias foram passando em Curitiba, local de hospedagem e treinos da equipe na Copa do Mundo. O que antes parecia ser um ambiente saudável acabou se transformando em um grupo rachado e com um jogador apontado como "maestro" da crise: Xabi Alonso. Suas declarações após as derrotas para Holanda e Chile (5 a 1 e 2 a 0, respectivamente), alegando que faltou "fome" para o time vencer, caíram como uma bomba na Fúria. O LANCE!Net apurou com pessoas ligadas ao elenco que a relação do volante do Real Madrid com os demais já não era perfeita, e depois desse caso acabou de vez.

Xabi Alonso passou a maior parte dos dias isolado, com pouco diálogo com os companheiros. Numa tentativa de tentar consertar seu estrago, ainda deu declarações de que não se tratava da interpretação que o caso ganhou. Mas era tarde, o estrago estava feito. Vários jogadores rebateram a falta de "fome", e deixaram claro que não foi uma possível falta de determinação que tirou a Espanha da Copa.




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A situação de Xabi Alonso na Espanha não é nova. Nunca teve muita proximidade dos jogadores da "ala catalã" da equipe. Até mesmo a relação com companheiros de clube é bem restrita. Quase não tinha contato pessoal com os jogadores. E isso seria um reflexo da passagem de José Mourinho pelo Real Madrid, quando Xabi foi um de seus homens de confiança e incorporou o estilo de rivalidade que o treinador levou para Madri. Estilo esse que quase acabou com o bom ambiente na Fúria, por conta dos vários episódios polêmicos envolvendo catalães e madrilenos nas competições de clubes.

Porém, a Espanha agora não sofre desse mal. Madrilenos e catalães têm até um bom relacionamento. Casillas e Sergio Ramos são amigos próximos de Iniesta e Xavi, por exemplo. E estes são as principais lideranças da Fúria.

Outro jogador que está "no olho do furacão" é o zagueiro Piqué. Titular contra a Holanda, acabou barrado contra o Chile. E durante um treinamento em Curitiba para o jogo contra a Austrália, uma situação deixou um "ar estranho". Piqué deixou a atividade logo no início por conta de problemas musculares na coxa (não foi informada qual foi a coxa pelos médicos da seleção), mas não está descartado para ficar no banco contra o Chile. Há quem acredite que ele poderia ter se esforçado mais. E que faria isso caso tivesse sido escalado contra o Chile e tivesse a certeza de que jogaria contra a Austrália.


Del Bosque não garante permanência na Fúria após a Copa (Foto: Lluis Gene/ AFP)

Por fim, o episódio público da discussão de Del Bosque e Fàbregas, neste mesmo treinamento que Piqué abandonou, mostrou o quanto o clima estava azedo. O treinador fez uma alteração na equipe que Cesc jogava no treino, e trocou o agora do jogador do Chelsea por Xabi Alonso. A saída do meia do campo foi "estranha", com gestos e um grau elevado de insatisfação.

É nesse clima que a Espanha entra em campo para se despedir da Copa do Mundo contra a Austrália, nesta segunda-feira, na Arena da Baixada, em Curitiba. E é esse clima que o técnico Vicente del Bosque terá de mudar caso continue no comando da seleção. Tem contrato até 2016, mas não garante sua permanência. E caso seja convencido pela Real Federação Espanhola para seguir no cargo, fatalmente alguns nomes citados acima não terão mais espaço.