icons.title signature.placeholder Jonas Moura
08/11/2013
08:04

Festejado em um primeiro momento, o retorno do Montes Claros Vôlei à Superliga Masculina tem se relevado um projeto de alto risco. Após se mudar de Goiânia, em setembro, em razão da falta de investidores, o time volta a sofrer com problemas financeiros devido a um corte de 60% no orçamento previsto para 2013/2014.

O custo inicial da equipe era de R$ 2,5 milhões. Agora, com a temporada já em andamento, caiu para R$ 1 milhão. Os recursos provêm da Caixa Econômica e, segundo o presidente e ex-treinador, Paulo Martins, têm garantia de continuidade pelos próximos três anos.

Os valores ajudam a manter o time na disputa, mas numa realidade longe da prevista quando tudo começou. E o pior de tudo é que os salários estão atrasados. Em quatro meses, os atletas receberam o equivalente a apenas um.

– Tem jogador titular morando de favor, outros com alugueis atrasados. Assim, não tem como render em quadra. A verdade é que eles foram enganados – diz o procurador Rogério Teruo, responsável pelas carreiras de cinco atletas do time.

Desde a mudança de sede, a Prefeitura de Montes Claros foi a principal responsável por auxiliar na busca por empresas que se interessassem em patrocinar a equipe, além de investir R$ 500 mil e garantir a estrutura exigida pela Confederação Brasileira de Vôlei (CBV). No entanto, o valor previsto por Martins não foi negociado a tempo.

– Não ficamos confortáveis com nada disso, mas temos que levantar a cabeça e buscar garantir a saúde e a sobrevivência do projeto – se defende o dirigente, que deixou o comando do time para se dedicar às negociações nos bastidores.

O regulamento da Superliga impede que um jogador troque de equipe na mesma temporada se já tiver entrado em quadra. A solução seria o exterior, proposta considerada inviável por Teruo no momento. A certeza é que, se quiserem seguir em Montes Claros, os atletas terão que aceitar uma realidade de incertezas.

Atletas podem sair nesta sexta

Os jogadores têm se reunido para decidir internamente se irão permanecer ou não no time diante dos atrasos de salários. No entanto, a assessoria de imprensa da equipe informou ao LANCE!Net que o time deve perder atletas nesta sexta-feira.

Nos bastidores, estima-se que entre três a cinco nomes dos 18 que compõem o grupo optem por não continuar, o que inclui até mesmo alguns titulares. Por enquanto, ninguém fala em dispensa. Mas tanto os jogadores quanto Paulo Martins admitem que o enxugamento do elenco será inevitável.

Até agora, optaram por não permanecer no projeto mineiro o ex-supervisor Alexandre Rosa, que também atuou na captação de recursos, o fisioterapeuta Ivan e o ex-diretor comercial Everaldo Felipe.

Time acredita em classificação aos playoffs

O Montes Claros ocupa a oitava colocação na tabela da Superliga. A equipe disputou seis partidas e venceu apenas uma, contra o Funvic/Taubaté. Enquanto o futuro segue indefinido, os jogadores preferem não atribuir o desempenho ruim aos problemas financeiros que agitam os bastidores.

O líbero Tiago Brendle, que na temporada 2009/2010 foi vice-campeão nacional pela cidade mineira, garante que todos estão unidos e confia numa campanha melhor no segundo turno, visando à classificação aos playoffs – os oito melhores avançam.

O procurador Rogério Teruo, por sua vez, não demonstra o mesmo otimismo ao falar sobre a sequência da temporada.

– Não tem como prometer um projeto nessas condições. Afeta sim o rendimento dos jogadores. Alguns têm alugueis atrasados, outros precisam sustentar a família. Um caminho pode ser uma ação na Justiça, mas isso leva tempo – lamentou.