icons.title signature.placeholder Carlos Alberto Vieira
14/02/2015
18:45


Os desfiles das escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro começam neste domingo. E é muito comum a participação de esportistas abrilhantando o desfile, deixando de alguma forma uma lembrança de seus nomes na folia. Em 2015, as atenções estão voltadas para o tenista espanhol Rafael Nadal, que aproveita a  presença no Rio Open, que começa nesta segunda-feira, para participar da folia durante o desfila da primeira escola a desfilar, a Unidos de Viradouro, e engrossar esta lista. Então, que tal lembrar alguns momentos nos quais os esportistas marcaram presença? Sob os olhos do público, como Ayrton Senna em 1992, no meio da multidão, como Sócrates em 2010, ou apenas trabalhando como um dos milhares de seguranças, como o carateca Juarez dos Santos.

Garrincha emociona as arquibancadas (1980)


Garrincha, já adoentado, não conseguia ficar de pé durante o desfile da Mangueira em 1980 (Luiz Pinto/Ag. Globo)

Um dos esportistas com que mais marcaram um desfile de Escola de Samba do Rio foi o ídolo Garrincha, no Carnaval de 1980. No enredo "Coisas Nossas", o gênio foi destaque em um dos carros alegóricos, aquele lembrava a importância do futebol na vida do brasileiro. Mas o Mané já se encontrava adoentado e acabou desfilando sentado na frente do carro, apenas acenando para o público. A torcida se emocionou vendo um craque em declínio e na reta final da vida (ele morreria em janeiro de 1983).


Comissões de Frente de atletas (1985)


Jogadoras de Seleção de vôlei formaram a Comissão de Frente da Beija-Flor em 1985 (Amir Veiga/Jornal do Brasil)

Até os anos 80, a Comissão de Frente era uma ala totalmente diferente do que é hoje, quando dançarinos fazem coreografias complicadíssimas e cada vez mais ousadas. No passado, 12 pessoas formavam uma fila e desfilavam como se estivessem marchando, acenando para os torcedores e apresentando a escola. Normalmente eram integrantes da Velha Guarda da escola (quase sempre isso garantia a nota 10) ou famosos. Muitos esportistas eram convidados.  No desfile de 1985, duas escolas apostaram em atletas nas comissões. A Imperatriz Leopoldonense, falando sobre uma lenda índígena, veio com ex-jogadores Jairzinho, Alcir Portella, o ex-zagueiro Renê, o ex-atacante Denilson, entre outros. Já a Beija-Flor, num desfile com enredo à Joãosinho Trinta (A Lapa de Adão e Eva, ou o  "Paraíso do Prazer e do Pecado") a comissão foi formada pela Seleção Brasileira de vôlei feminino, com fantasias minúsculas.


O ano de Ayrton Senna  (1992)


Ayrton Senna se acabando durante a passagem da Estácio de Sá durante o desfile das campeãs de 1992 (Ivo Gonzales/Lancepress!)

É comum pilotos de F1 marcarem presença nos camarotes. Felipe Massa, quando pilotava a Ferrari, foi um dos astros do camarote da Brahma. Mas o campeão das pistas que entrou para a história da Sapucaí foi Ayrton Senna. Aliás,  às do volante e um pé duro no samba. Ainda assim ele conseguiu se eternizar na Avenida. Durante o desfile das campeãs de 1992, ele, um estreante na passarela, foi puxado para a pista quando a  bateria da Estácio de Sá, escola vencedora daquele ano (até hoje é o seu único título), passou pelo setor que o piloto estava. Tinha tudo a ver, já que o enredo era Paulicéia Desvairada. E Senna foi um espetáculo de  empatia e animação. Virou simbólicamente o padrinho da bateria. Até hoje é lembrado.


Lá vem o Tande na bateria da Mocidade Independente... (Desde 2003)


Tande, no meio da bateria da Mocidade Independente (Cleber Mendes/Lancepress)


Esportista aparecer nos camarotes e nas cadeiras é normal. Ser convidado para fazer parte da diretoria e garantir muitas fotos nos jornais e revistas nos dias seguintes, está no script. Mas que tal se arriscar em posições mais ousadas, como, por exemplo, ser integrante da bateria? Tem quem faça isso e nem se preocupe em aparecer para as TVs. É o caso de Tande. O ex-jogador de vôlei e medalhista olímpico é presença certa como um dos ritmistas da Mocidade Independente desde o início dos anos 2000.  Difícil  é encontrá-lo no meio de 300 bateristas...

Juarez não é destaque. E trabalha muito (Desde 2008)


O carateca Juarez, ouro n pan-2007, no Carnaval não vai para camarote. Fica na pista fazendo a segurança (Carlos A. Vieira/Lancepress!)

Tem atleta sem muita mídia que aproveita os dias de desfiles na Sapucaí para fazer um biquinho e ganhar dinheiro extra. Um deles é o simpático Juarez dos Santos. Ele foi medalha de ouro no caratê nos Jogos Pan-Americanos do Pan-2007. Desde 2008 ele é um dos carregadores de corda na dispersão. Trata-se de um tipo de segurança, que ajuda a organizar a saída dos carros alegóricos e dos componentes, evitando engarrafamentos e atrasos que podem fazer as escolas perderem pontos. É trabalho pesado. Começa às 17h e vai até a hora que o último componente passa, tipo, 6h da manhã. Isso na sexta, sábado, domingo, segunda e desfile das campeãs. Em pé o tempo inteiro. Tem de ser atleta. E de preferência campeão.

6 - A última vez de Sócrates na Sapucaí (2010)


Sócrates adorava o caranaval do Rio. E, principalmente, acompanhar a Mangueira na ala da diretoria (Carlos A. Vieira/Lancepress!)

Jogador de futebol adora carnaval. Júnior e Roberto Dinamite costumam desfilar não apenas nas escolas pelas que torcem, mas em oito, dez agremiações. Zico - torcedor fanático da Beija-Flor - todos os anos compra um camarote para acompanhar o evento. Sócrates tem uma história curiosa com o carnaval. Em 1986 ele (que na época jogava pelo Flamengo) foi jurado do quesito bateria. Tirou pontos da Portela e da Mocidade e virou persona non grata. Em 2010, o Doutor apareceu de surpresa no Setor 1 ao lado de Junior e de seu irmão Raí na hora do desfile da Mangueira. Animadíssimo, ele sambava ao lado de Junior e de Raí,  cantando o refrão, "Chegou a Mangueira Chegou", muito feliz com a sua "estreia". Foi também a última aparição na avenida. O Doutor morreu em 2011.


Ronaldinho agita geral  (2011)


Ronaldinho Gaúcho, então astro do Flamengo, agitou o desfile da Portela em 2011 (Julio Cesar Guimarães/Lancepress!)

Durante o desfile da Portela em 2011, Ronaldinho Gaúcho, que tinha recém-acertado contrato com o Flamengo e foi convidado para desfilar com a roupa da diretoria. A confusão com fotógrafos e repórteres foi tão grande na concentração que a Liesa pediu ao craque para ele seguir bem à frente da escola, ou ela teria a sua apresentação prejudicada. Ronaldinho, vestido de malandro e com o irmão Assis logo atrás, mostrou muito samba no pé, cantou diretinho a letra do samba e até posou para a fotografia com outro esportista ilustre que estava acompanhando o evento naquele ano: o quarterback do New England Patriots Tom Brady, estreante na Marquês de Sapucaí. Aliás, Brady, astro mundial mas pouco conhecido no Brasil, só não passou despercebido porque estava ao lado da sua mulher Gisele Bündchen.