icons.title signature.placeholder Guilherme Abrahão, Marcello Vieira e Sérgio Arêas
01/04/2014
06:04

O Fluminense está em crise e a eliminação para o Vasco na semifinal do Campeonato Carioca apenas serviu para deixar o ambiente no clube ainda mais efervescido. O presidente Peter Siemsen e o presidente da patrocinadora, Celso Barros, tiveram a briga mais séria desde que se conheceram e praticamente cortaram relações. Celso evita até mesmo falar o nome de Peter. Eles, inclusive, não conversam desde dezembro do ano passado.

Questionado pelo LANCE!Net sobre possíveis reforços para o Fluminense, o mandachuva da Unimed-Rio disse que não investirá mais um centavo.

– Sobre contratações, é melhor perguntar para o presidente do Fluminense, para o Tenório ou para o Renato Gaúcho. A Unimed é apenas patrocinadora. Fazemos um investimento muito grande no clube e não temos condições de aumentá-lo por causa de contratações. Essa responsabilidade é de quem comanda o clube e gerencia o futebol. O Fluminense já tem Conca, Wágner e outros jogadores importantes. Só voltaremos a investir se sair alguém – afirmou.

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- Peter e Celso Barros tinham boa relação antes da briga

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Curiosamente, o patrocinador aceitaria abrir o cofre para trazer Rodrigo Caetano de volta ao cargo de diretor de futebol.

Por outro lado, a postura do mecenas tem causado desconforto também na cúpula da diretoria do Flu. Uma possível chegada de Caetano esvaziaria o poder do vice de futebol Ricardo Tenório, que está confortável ao acumular funções executivas e políticas no presente momento. A falta de ajuda de Celso nas contratações também tem irritado o Flu, que tem dificuldades nas negociações.

Contatos por retorno de dirigente

Celso Barros ainda sonha com o retorno de Rodrigo Caetano ao Fluminense, para reassumir o cargo de diretor executivo. O dirigente foi desligado do clube no ano passado pelo presidente Peter Siemsen, sem autorização de Celso. Mesmo assim, o mandatário da parceira e patrocinadora do clube segue mantendo contato com o ex-dirigente tricolor, hoje no Vasco, até pelos laços de amizade construídos por ambos.

Rodrigo segue exercendo a função no Cruz-Maltino. Porém, as eleições presidenciais no clube, que acontecem no fim de 2014, ainda sem data definida, podem selar a saída do dirigente, dependendo do candidato que vencer.


Volta de Caetano é o sonho de consumo de Celso Barros (Foto: Bruno de Lima/ LANCE!Press)

O desejo de Celso de ter Caetano de volta é forte devido à confiança que existe no dirigente. O diretor era o único que tinha diálogo aberto com Celso e poderia argumentar sobre reforços, algo que não acontece no departamento de futebol atual.

Peter Siemsen está desgastado

Não tem sido fácil ser Peter Siemsen nos últimos tempos. Cansado, com problemas profissionais e familiares, o presidente do Fluminense por pouco não tentou a reeleição no fim do ano passado. Acabou convencido por grupos políticos, principalmente a Flusócio, maior base de sustentação de sua campanha, a se candidatar e venceu Deley por larga margem.

Entretanto, logo no início deste ano, o mandatário teve de enfrentar inúmeros problemas. Depois de brigar com Celso Barros, trouxe Felipe Ximenes para a direção do futebol. A intenção era que Ximenes respondesse primeiramente aos interesses do clube e equilibrasse a relação com a patrocinadora. Felipe durou pouquíssimo tempo.

Para piorar, a própria Flusócio começou a criticar publicamente o mandatário, acusando Peter de perpetuar uma prática política de fortalecimento de pequenos interesses e adotar uma postura omissa em diversas questões. Peter Siemsen entrou em crise de credibilidade e vive um isolamento político.


Celso Barros apoiou Peter na eleição no Fluminense, em 2013 (Foto: Divulgação)

Flusócio tenta reaproximação

Apesar da postura crítica à gestão de Peter Siemsen, a Flusócio tem ensaiado uma reaproximação do presidente. Recentemente, houve uma reunião do mandatário com o grupo que está bastante incomodado, principalmente com o assessor da presidência, Jackson Vasconcelos, tem questionado o diretor executivo Luiz Pedroso e atacado o departamento de comunicação do clube, entre outras insatisfações, também para atacar o próprio Jackson, que tem sido o responsável por definir a estratégia do setor.

O grupo inclusive fez uma proposta para que Peter contrate o jornalista Décio Lopes, que foi apresentador do programa “Expresso da Bola”, do SporTV, situação que teria sido aceita pelo presidente tricolor.

Além disso, na noite desta terça-feira, será votada no Conselho Deliberativo a aprovação ou rejeição das contas da gestão em 2013. Enquanto o presidente espera a aprovação, o LANCE!Net apurou que a tendência é de que a Flusócio, grupo de maior representatividade no Conselho Deliberativo, vote pelo adiamento. A ideia do grupo com isso também é de certa forma pressionar o mandatário a atender as demandas.

Relembre as divergências de Peter Siemsen e Celso Barros

Alcides Antunes

No primeiro ano da gestão de Peter Siemsen, em 2011, o presidente tricolor entrou em rota de colisão com Celso Barros por causa da permanência de Alcides Antunes na direção do futebol. Antes do fim do Carioca, a vontade do presidente do Fluminense prevaleceu e Alcides foi destituído do cargo.  

Abel e Luxemburgo

Celso Barros queria a saída de Abel em 2013, Peter Siemsen negou, mas depois de uma sequência negativa de resultados no Campeonato Brasileiro, o técnico não resistiu à pressão. Houve novo desentendimento sobre o substituto de Abel. Foi feita a vontade do patrocinador e Luxa foi contratado.

Renato Gaúcho e Ximenes

Celso venceu nova queda de braço com Peter e trouxe Renato Gaúcho neste ano. Além dele, o diretor de futebol, Felipe Ximenes, que era pago pelo Flu, foi fritado por Celso Barros.