icons.title signature.placeholder Rafael Valesi
16/02/2015
07:00

*Coluna publicada no espaço Espírito Olímpico, no LANCE!, nesta segunda-feira

A decisão recente do Comitê Olímpico Internacional (COI) de tornar mais flexível o programa de modalidades dos Jogos Olímpicos (um dos itens da revolucionária Agenda 2020) tem tudo para causar uma consequência "interessante" aqui no Brasil. Digo isso porque há uma enorme distinção no repasse de verbas entre aqueles esportes que fazem parte de grandes eventos daqueles que não estão na "panela".

Isso tem como base a Lei Agnelo-Piva, que destina 2% da arrecadação bruta das loterias federais para fomentar o esporte brasileiro. Atualmente, apenas as confederações de modalidades presentes na Olimpíada recebem repasse proveniente desse montante. As demais entidades precisam se virar, ou recebem apoio esporádico. Estar ou não incluído pode significar R$ 1,9 milhão na conta no mínimo, sem contar o interesse de patrocinadores, que pode aumentar ou diminuir dependendo disso.

A Confederação Brasileira de Beisebol e Softbol (CBBS), por exemplo, fez parte do bolo no início da década passada, mas foi cortada após a exclusão da modalidade do programa olímpico em 2005. Neste ano, deve receber uma ajuda especial do COB pela participação nos Jogos Pan-Americanos. E no segundo semestre poderá voltar a fazer parte das Olimpíadas, com o desejo do Japão em incluir o beisebol e o softbol para Tóquio-2020.

Andrew Parsons, presidente do CPB (esq.), e Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB (dir.), sinalizam caminhos diferentes na distribuição de verba (Foto: Arquivo LANCE!)

Como se vê, esse entra e sai não é algo novo, mas tem tudo para se tornar mais frequente depois que o COI aprovou a Agenda 2020. O Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) já está diante desse desafio, com a saída do futebol de 7 e da vela para a Paralimpíada de Tóquio, e a inclusão do taekwondo e do badminton. Na semana passada, o presidente Andrew Parsons disse em entrevista para alguns jornalistas (eu entre eles) que não quer deixar de apoiar os esportes excluídos, mas também precisará iniciar um repasse financeiro às modalidades novas.

Restará saber como o bolo da Lei Agnelo-Piva será dividido daqui pra frente no esporte brasileiro. Qual será o caminho ideal? Manter esse "entra e sai" de confederações contempladas, como já fez o COB? Ou tentar ajudar a todos, como sinaliza o CPB?