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21/03/2014
19:53

O técnico Alexandre Gama está no Qatar desde janeiro deste ano e vê o primeiro trabalho no país render frutos já no fim de semana. Faltando poucas rodadas para o término da temporada na Segunda Divisão, o Al Shahania SC, clube que treina e comanda, depende de um empate para garantir seu acesso a divisão principal.

Animado com a perspectiva, Gama falou ao LANCE!Net sobre o Mundial que acontecerá daqui oito anos no país, a estrutura montada, a evolução do futebol local e como é trabalhar num lugar tão longe, quente e sem tradição.

Veja abaixo um papo com o comandante:

LANCE!NET: Você está a uma vitória para garantir o acesso a divisão principal do futebol do Qatar. Qual a sua expectativa?

ALEXANDRE GAMA: Temos um jogo muito difícil contra o líder. Esta partida decide quem sobe e eu estou bastante confiante, apesar de alguns desfalques por contusão. Por ser um jogo chave,espero um bom resultado

L: É difícil conseguir êxito com tão pouco conhecimento do time e do futebol do país?

AG: Sim. É muito difícil porque cheguei no meio da época, não tendo sido eu quem montou o grupo de jogadores. Aqui no mundo árabe tem umas particularidades que só quem trabalhou por estes lados sabe, mas confio no meu trabalho e também na minha experiência para conseguir êxito

L: O que encontrou quando chegou? Falta muito para chegar a um estágio de excelência ou quem trabalha no Brasil leva a adversidade tranquilo?

AG: Os clubes aqui têm boa estrutura. Não falta nada material e isso já ajuda. Mas o Qatar é um país pequeno e há dificuldade de se encontrar bons jogadores. No entanto, nós Brasileiros nos adaptamos muito bem a qualquer situação e vamos levando, tentando ajudá-los a evoluir

L: Conseguindo o acesso, quais seus planos para a equipe na Primeira Divisão ? Já planeja reforços? Tem um perfil certo para jogar no Qatar?

AG: Tem muita coisa para fazer mas primeiro temos que subir e depois vamos ter calma para preparar tudo. Quero no ano seguinte não só jogar a Primeira Divisão como nos manter nela, por isto o planejamento tem que ser bem feito e isso inclui não errar na escolha de jogadores. Eu acho que tem um perfil sim para se jogar aqui, mas prefiro não falar porque senão meu telefone não vai para de tocar!!!

L: Qual o nível dos times e jogadores pelo que você acompanha de perto?

AG: Na Segundona, o nível não é muito bom, com um jogo mais de pegada e velocidade. Ja na elite, existem muitos bons jogadores como Nilmar, Raul (ex-Real Madri), Lucho Gonzales e outros, tendo assim a chance de se jogar melhor. Mesmo assim precisa ainda melhorar muito para atingir um grande nível, de campeonato de ponta.

L: Qual o nível de estrutura do país para sediar uma Copa?

AG: Tenho certeza que eles vão fazer um grande Copa. Acredito muito nisso porque estão investindo demais aqui e eles tem muito dinheiro. Isto não é problema e acredito que em termos de estrutura nada deixará a desejar.

L: A seleção local pode fazer algum papel no mundial que vão sediar? Como é o trabalho local com os qataris?

AG: A seleção daqui acho que só vai fazer o papel de participante, mas acredito que eles vão evoluir bastante até lá e que o mundial vai fazer muito bem ao pais e o futebol daqui. Eles investem, fazem centros de excelência e um dia isto vai trazer benefícios. Claro que a qualidade precisa melhorar, mas com tantos técnicos e jogadores estrangeiros a tendência é sempre aprendendo mais.

8. Você já esteve no mundo árabe antes ( Emirados em 2009 ). Ainda vale a pena como antes? Paga-se bem? Paga-se em dia?

AG: No Mundo árabe, alguns países ainda pagam bem. Já em outros não. Antigamente se pagava bem melhor e eu nao peguei essa época infelizmente! Eu gosto muito da vida por aqui. Tem gente que nao se adapta mas isto vai muito de cada um. Só que é claro que tem suas vantagens senão ninguém viria trabalhar por estes lados. Tem vantagens e desvantagens como em qualquer lugar que não seja a sua casa. Mas depende da sua disposição para se encaixar e tocar a vida.