icons.title signature.placeholder Bruno Grossi
11/11/2014
07:00

Exatos 19 meses antes de Rogério Ceni buscar – e acertar com perfeição – o canto do goleiro Adnan em cobrança de falta contra o União São João, o São Paulo via um goleiro marcar um gol pelo clube pela primeira vez na história. No dia 15 de julho de 1995, o desconhecido Moscatto foi pego de surpresa pelo confuso regulamento do Torneio Rei Dadá, mas converteu a penalidade que deu vitória por 2 a 1 para o Tricolor contra o modesto Uberlândia no Parque do Sabiá.

– Por mais insignificante que seja, estou na história do São Paulo. Outro goleiro pode marcar 200 gols, mas o primeiro será sempre meu. Fiquei sabendo na hora que o regulamento obrigava os goleiros a baterem os pênaltis que saíssem... Fui rindo para a bola, de nervoso. Até levei uma bronca – brincou o ex-goleiro Moscatto em entrevista ao LANCE!Net.

Em 1995, Ceni já despontava como promessa debaixo das traves quando o titular Zetti saía para defender a Seleção Brasileira. Moscatto, por outro lado, tentava a sorte na capital após se destacar no XV de Jaú e no Novorizontino, mas sua aventura no futebol profissional terminaria em 1997. Aos 23 anos, percebeu que tinha outros objetivos na vida e pendurou as luvas de goleiro.

– Não teria paciência de ficar muito tempo na reserva como o Rogério fez. Ele ainda não treinava faltas, não jogava, mas já era notório que batia bem na bola. Ele era o mais dedicado. O Zetti ia para a Seleção, o Rogério jogava e eu ia para o banco. Ele já era melhor ali. O Zetti só era mais experiente – admite o paulista de Jaú.

Quando se aposentou dos gramados, Moscatto já era formado em administração e passou a trabalhar na loja de móveis de propriedade da família em Jaú. De longe, viu o amigo poucos meses mais novo se tornar uma lenda. E até hoje faz questão de defendê-lo da maneira que pode.

– Convivi com ele há 20 anos, muita coisa deve ter mudado na personalidade por tudo o que já passou, mas ainda o defendo. Uma vez, tinha um evento no Morumbi e eu morava no CT da Barra Funda. Não tinha roupa para ir e ele me arrumou um blazer... Era uma coisa que não precisava ter feito e fez. Por isso sempre defendi ele quando dizem que é arrogante... Por essas pequenas coisas... – relembra.

Nesta terça-feira, Moscatto celebra 42 anos de vida e lembra feliz da parceria com Ceni, a quem deseja adeus especial.

– Ele merece tudo. Os são-paulinos amam, os outros odeiam.