icons.title signature.placeholder Jonas Moura
28/02/2015
06:48

Se há uma certeza em comum entre os postulantes ao título da Superliga Masculina de vôlei é a de que o Sada Cruzeiro é o melhor time do Brasil. Com 56 pontos, após 19 vitórias e duas derrotas, a equipe do técnico Marcelo Mendez enfrenta neste sábado o Sesi-SP, às 21h30 (de Brasília), no Ginásio do Riacho, em Contagem (MG), pela última rodada da fase classificatória, apenas para cumprir tabela. Mas será que só isso mesmo?

Embora não esteja ameaçado na classificação (o Taubaté/Funvic, segundo, está dez pontos atrás), o Sada tem uma questão a refletir. Se vencer, aumentam as chances de a equipe jogar o estrelado, porém oscilante, Sesi para o quarto lugar, o que decretaria novo embate com os paulistas na semi (o primeiro pega o quarto), caso passe das quartas de final.

Mas, se Murilo & Cia. levarem a melhor neste sábado e ficarem em terceiro, o duelo na fase seguinte seria contra Brasil Kirin ou Minas, com elencos menos badalados, principalmente depois das baixas que o time de Campinas sofreu na temporada por lesão. Alguém admite entregar o jogo para um dos maiores rivais?

– Estamos muito focados na partida e temos consciência de que o Sesi vem com força total. Vai ser um grande jogo. Uma vitória nos dará confiança ainda maior – disse o central Isac, do Cruzeiro.

No primeiro turno, o encontro entre os finalistas da edição passada (quando o Sada venceu a decisão por 3 a 0) terminou com vitória paulista no tie-break. O outro time que aprontou contra o Cruzeiro foi o Minas, que triunfou por 3 a 1.

O Sada acumulou ainda duas frustrações fora da Superliga. Em fevereiro, derrota na final do Sul-Americano, para o UPCN (ARG). Um mês antes, perdeu para o Taubaté (3 a 1) na semi da Copa Brasil.

– Nesses últimos anos as equipes que conseguiram ganhar deles investiram muito no saque. Com o passe na mão, o time é praticamente imortal. Jogam juntos há muito tempo, têm o William, que imprime muita velocidade. Acabaram perdendo a Copa Brasil e o Sul-Americano, então tiveram alguns momentos dificeis, mas é um baita time. Na minha opinião, o mais forte da Superliga – afirmou Murilo.

Última posição em aberto
O sábado será decisivo na Superliga. Sete das oito vagas nos playoffs foram preenchidas (Sada Cruzeiro, Taubaté/Funvic, Sesi, Brasil Kirin, Minas, Ziober Maringá e Canoas), mas resta saber as posições e os confrontos das quartas de final.

A última vaga, que é justamente o rival do Sada, é a única em aberto. O Montes Claros (8°), com 26 pontos, enfrenta o Brasil Kirin e poderá ser ultrapassado por Voleisul (9º), que tem 25 e encara o Minas, ou pela UFJF (11º), que soma 23. A equipe de Juiz de Fora pega o eliminado São Bernardo. Todos os jogos serão às 21h30 (de Brasília).

Com a palavra

Carlão

Ex-jogador e comentarista de vôlei do SporTV

O Cruzeiro já vem mantendo um trabalho, uma base, há pelo menos quatro anos. O Marcelo Mendez é um técnico muito tranquilo. Sabe passar o que a equipe precisa nos momentos difíceis. Mas mesmo com essa superioridade do time na Superliga, há um cansaço em função do acúmulo de jogos, de competições que vem participando nesses anos. Pesa muito, mas sem dúvida é ainda a equipe favorita a ganhar mais um título de Superliga.

A diferença na tabela se deve ao entrosamento e à qualidade. Sesi-SP e Taubaté tiveram problemas de contusões, o que foi uma experiência que eu tive em 15 anos na Seleção. Quando o atleta volta de lá é clube direto. Até porque é o clube que paga o salário. Eu ficava pelo menos seis meses na Seleção e, apesar de ser forte fisicamente, e ter poucos problemas físicos, impactava no meu rendimento. Às vezes você monta um elenco com estrelas, mas não se atina para os problemas físicos. Mas acredito que o Sesi-SP poderá render um pouco melhor nos playoffs.

Não acredito que o Cruzeiro vá ficar marcado pelos adversários. Apesar do conhecimento que todos têm do time, ele conta com o William (levantador), que é um diferencial muito grande. O levantador é diferente do atacante. Tem uma atenção especial com a preparação física e técnica. Tem excelentes centrais, o Wallace, que em momentos decisivos chama a responsabilidade, o Leal, que joga com muita velocidade. Todo mundo sabe que tem que forçar muito o saque. E quando você arrisca muito, a tendencia é errar mais.