icons.title signature.placeholder Felipe Domingues, Guilherme Cardoso e Luis Fernando Ramos
07/11/2014
19:55

Uma das maiores promessas brasileiras no automobilismo, o crescimento de Bruno Senna no esporte foi muito rápido. O piloto começou sua carreira tarde, aos 21 anos, dez após a morte de seu tio, Ayrton Senna. Daí em diante, não parou de ascender. Em 2005 foi para a Fórmula 3, dois anos depois, já integrava o plantel da GP2. Em 2010, chegou ao ápice, a Fórmula 1.

Seu início na categoria, porém, se deu na pequenina Hispania, o que o impossibilitou de conseguir bons resultados em seu ano de estreia. No ano seguinte, virou piloto reserva da Lotus e, no fim do ano, assumiu a vaga de titular, conquistando seus primeiros pontos na F-1 com um nono lugar.

Em 2012, chegou à sua primeira equipe de nome, a Williams, que ainda engatinhava na tentativa de recuperar seu prestígio. Completou a temporada na 16ª colocação, com 31 pontos, uma posição e 14 pontos atrás de seu companheiro de equipe, o venezuelano Pastor Maldonado. Foi o fim de sua carreira na F-1.

Agora, o brasileiro disputa inúmeras provas mundiais, como a recém criada Fórmula E, com carros elétricos, e a WEC, Mundial de Endurance que tem em seu calendário a prestigiada 24 horas de Le Mans. Senna afirma sentir saudades da Fórmula 1, mas que não pensa em voltar, além de dar seus palpites sobre o atual momento da categoria.

Confira abaixo a entrevista na íntegra com Bruno Senna:

Quem você acha que vence em Interlagos?
Está cedo para dizer quem está com vantagem em Interlagos, os pneus estão dando bastante dor de cabeça para o pessoal, com muitas bolhas, degradação alta. E a possibilidade de chuva é alto, já vemos uma nuvem chegando por ali, mas não sabemos se choverá ou não. Enfim, acredito que será uma clássica corrida de Interlagos e podemos ter uma surpresa.

E o título? Quem leva?
Eu diria que o Hamilton está com tudo na mão, é só ele não fazer nenhuma besteira. Se ele manter a cabeça no lugar e fazer o minímo necessário, está tranquilo.

Como vê os atuais problemas na F-1?
A Fórmula 1, em si, está tranquila financeiramente. O número de patrocínios e receita é enorme. Eles têm muito dinheiro vindo desse lado. Mas o dinheiro precisa ser bem distribuído entre as equipes. As grandes recebem muito mais do que as pequenas, o que acaba tornando impossível a sobrevivências de equipes que não conseguem patrocínio. Então, essa é uma parte que precisa ser repensada. Mas quem manda é o pessoal que ganha dinheiro, eles decidem se vai ou não vai. Enquanto a parte de cima não mudar a cabeça, nada vai mudar.

As equipes não podem se ajudar?
A gente sabe como a política da Fórmula 1 funciona, já faz muito tempo que é assim. Assim que as equipes passam a ganhar muito poder, algumas peças são mexidas para acabar com a união dos times. Sempre que há um poder aumentando de um lado, as peças mexem para o poder voltar às mãos do gerenciamento da Fórmula. O jogo político da Fórmula 1 precisa mudar.

O que acha da contratação do Felipe Nasr pela Sauber?
As coisas não parecem boas para a Sauber, que vai receber menos dinheiro no próximo ano (falta de pontos em 2014). Então, no ano que vem, se a Sauber não conseguir patrocínio vai ficar difícil para os pilotos. Mas eu desejo tudo de bom para o Felipe, para que ele tenha uma oportunidade de verdade. Mas é difícil dizer o que virá pela frente.

Qual sua visão sobre a pontuação dupla na última rodada?
Eu acho uma coisa terrível. Um campeonato de 19 corridas é construído em 19 corridas e não em uma. Em um campeonato como esse, é só jogar uma bomba no meio do campeonato para criar uma situação que, até para o Rosberg, que pode entrar na última prova atrás do Lewis em 49 pontos, ele ganha na última e o Hamilton não completa, ele vai achar que o campeonato foi merecido? Na cabeça dos pilotos e dos fãs não é nada bom.

Quem venceu o campeonato desse ano? Hamilton (provavelmente) ou seu carro?
Óbvio que a Mercedes ganhou esse campeonato. Essa parte não tem o que discutir. Mas na disputa dentro da equipe, o Lewis teve mais sede de vencer, fez melhores corridas e, apesar de ter tido mais problemas que o Rosberg, está na frente e venceu mais corridas. Ele é merecedor dessa vitória.

Sente saudade da Fórmula 1?
Saudades de pilotar um carro da Fórmula 1 eu sempre tive, desde que deixei a categoria. Mas para ser bem sincero, minha carreira vem sendo bem sucedida desde então, no Endurance venci corridas, lutei pelo campeonato, o que eu não conseguiria na Fórmula 1. Claro, se eu estivesse esse ano na Williams, estaria brigando com o Felipe e com o Bottas por onde eles estão. É difícil ter uma oportunidade boa na Fórmula 1, então, para mim, o importante é estar competitivo, vencendo. Assim que me divirto.

Voltaria para a F-1?
Olha, se eu tivesse uma oportunidade boa, jamais diria não. Mas eu não estou ativamente procurando nada na F-1. Para mim, as condições no paddock são difíceis, a gente vê equipes sofrendo. Algumas que já foram competitivas também sofrem com problemas financeiros. A gente nunca sabe onde estará o carro no ano seguinte, às vezes você faz uma aposta e acaba errando. Esse tipo de estabilidade no grid é muito complicado de conseguir. Tenho 31 anos de idade, se eu ficar batendo na porta da Fórmula 1, batendo na porta errada, e não tiver uma boa oportunidade, tudo que vai acontecer é estender um período de limbo na carreira. Espero ganhar campeonatos com carros competitivos fora da Fórmula 1.