icons.title signature.placeholder Gabriel Carneiro
27/12/2013
17:24


Garrafas de cerveja, taças de vinho, aperitivos e roda de samba em um movimentado bar no cruzamento da Ipiranga com a Avenida São João, no centro de São Paulo. Foi essa a maneira - irônica, evidentemente - que dez simpatizantes da Portuguesa escolheram para protestar contra a decisão tomada no Pleno do STJD nesta sexta-feira, que rebaixou o clube paulista por conta da escalação irregular do meia-atacante Héverton na última rodada do Brasileirão.

Apesar do recurso da Lusa, os auditores do STJD reforçaram a decisão tomada em primeira instância e tiraram quatro pontos do clube que, a princípio, disputará a Série B em 2014, salvando o Fluminense da queda. Inconformados com o julgamento, diretores e conselheiros da atual gestão, que tem mandato até 31 de dezembro de 2013, se reuniram com alguns torcedores no bar para ironizar a sentença e criticar durante a organização do futebol brasileiro.

- Quando cruza a Ipiranga e a Avenida São João lembramos da época da Ditadura exposta, aberta. Hoje ela existe, mas está escondida. Os portugueses não são burros, tanto que dá até para citar Sócrates agora: a democracia é a tirania da maioria. A Portuguesa hoje representa o povo brasileiro. Não somos muitos, mas representamos o povo que sofre com a falta de respeito, com o moralismo e com um jogo de cartas marcadas na política - alegou Wilson Lupetti, conselheiro do clube, eleito em 2011.

A manifestação foi marcada pela internet, mas poucos torcedores compareceram no início da tarde desta sexta, ao contrário dos últimos dois sábados, quando centenas foram à Avenida Paulista protestar contra a possível decisão do STJD - inclusive o maestro João Carlos Martins, torcedor símbolo do clube, que acompanhou o julgamento no Canindé, o cantor Roberto Leal e o deputado federal Fernando Capez que, na ocasião, incentivou os torcedores a acionarem a Justiça Comum para tentar reverter o caso.

- Todo mundo vai entrar. O torcedor vai entrar e tenho certeza absoluta que a decisão pode ser revertida. O caso do Treze-PB é evidente, porque fizeram aumentar a Série C. A CBF vai ter que resolver isso, se faz o campeonato com 21 ou 24 clubes. Só o que não faz sentido é a Portuguesa cair, porque aí o resultado do campo não vale mais. Vim de preto por isso, por luto ao futebol - afirmou Fabio Paino Leal Ferreira, advogado e torcedor da Portuguesa.