icons.title signature.placeholder Gabriel Cassar
20/02/2015
17:43

Nick Bollettieri é um nome de peso no tênis mundial. Professor da modalidade desde 1956, o descendente de italianos teve, como alguns de seus alunos, nomes como Boris Becker, Serena Williams, Jim Courier, Maria Sharapova e Andre Agassi. Em entrevista coletiva realizada nesta sexta-feira, durante o Aberto do Rio, o americano falou sobre o verdadeiro papel dos treinadores no tênis.

- Os técnicos não mexem na técnica dos jogadores. Imagina: acha que Boris Becker altera a forma de jogar de Djoko? Nem pensar. Não alterei sua técnica quando o treinei e ele não está mexendo na técnica de Djokovic agora. O que os professores fazem é dar dicas. Um exemplo: Federer. Se Edberg (treinador do suíço) não tivesse falado para Roger que ele deveria subir à rede, pode ter certeza: não teria ganhado mais nenhum grand slam. É assim que o treinador trabalha.

Sobre o panorama dos tenistas atualmente, Bollettieri não escondeu sua admiração por Djokovic e deu conselhos para os atletas brasileiros melhor ranqueados atualmente, Feijão e Bellucci.

- Acredito que Novak é o jogador mais completo que já vi. Muita técnica, força, habilidade... Difícil aparecer alguém como ele. Em relação aos brasileiros, penso que a fase é boa, eles têm potencial para mais, mas precisam trabalhar melhor os momentos finais, decisivos. Só assim poderão crescer.

Perguntando sobre o porquê do tênis brasileiro não "cativar"  a população local, Bollettieri deu a receita: investimento.

- O tênis é movido a paixão. Para ter paixão, é preciso que as pessoas deem oportunidade às crianças. Além disso, é inegável que os ídolos também ajudam a alavancar o esporte. Veja Nishikori, por exemplo. Todos os pequenos japoneses estão treinando tênis agora por causa dele. Espírito coletivo também é fundamental. Lembro que Jim Courier falava na época: "Bollettieri nos colocava não como jogadores, mas como soldados, guerreiros, unidos. Formou um time e isso é importante, já que um puxa o outro, sempre."

Feliz com a organização do torneio, o americano elogiou o Aberto do Rio e garantiu voltar no ano que vem, propondo algo diferente.

- Quero retornar aqui no próximo torneio e ter uma reunião com os pais dos jovens aspirantes a tenistas. Penso que seria interessante.