icons.title signature.placeholder Guilherme Amaro
31/12/2013
11:00

Jardim Ângela, na Zona Sul de São Paulo. Foi na periferia da capital paulista que Leandro Damião viveu boa parte da sua juventude. E é lá também onde o pai do jogador, Natalino, conhecido como "Seu Bigode", vive até hoje.

Contratação mais cara da história do futebol brasileiro – custou cerca de R$ 42 milhões, que serão pagos pelo fundo Doyen Sports, responsável por tirá-lo do Internacional e colocá-lo no Santos –, o atacante também não esquece as origens.

Durante o mês de dezembro, esteve na comunidade para rever os familiares e os amigos. Em fotos publicadas no Instagram, apareceu empinando pipa em cima da laje, um passatempo de infância.

– A vida ali era complicada, passávamos por dificuldades. Mas graças a Deus aconteceu tudo certo, porque tem muita gente que vai para outro caminho – disse Natalino, ao LANCE!Net.

Quem o vê com status de craque nem imagina como foi difícil chegar a um grande clube do futebol brasileiro. Diferentemente da maioria dos jogadores, Damião estourou apenas aos 17 anos de idade, e não foi na disputa da Copa São Paulo de Futebol Júnior. A várzea paulistana deu ao jogador os primeiros títulos, quando atuou pelo Família Tupi City, onde Natalino era roupeiro, e pelo Estrela da Saúde.

Reprovado em peneiras de alguns clubes, Damião, em 2007, passou no teste do modesto Atlético Ibirama e foi para Santa Catarina. Nos dois primeiros anos, foi emprestado para três clubes do estado (XV de Outubro, Marcílio Dias e Cidade Azul). A temporada de destaque, porém, não demorou a chegar. Em 2009, de volta ao Atlético, chamou a atenção do Inter com 12 gols no Catarinense.

– Quando ele acertou com o Inter foi uma alegria muito grande, eu nem acreditava. Fiquei muito feliz, ele merecia... – recorda-se Natalino.

– Mas no acerto com o Santos foi o mesmo sentimento. Vai dar certo, com certeza – diz o orgulhoso pai.

A apresentação de Damião ainda não tem data definida, mas deve ocorrer com pompas, em evento para os torcedores. Antes do Réveillon, ele fez quatro gols em jogo beneficente em Balneário Camboriú (SC) contra os amigos de Falcão, do futsal. Para fechar o ano com chave de ouro.

JARDIM ÂNGELA JÁ FOI A REGIÃO MAIS VIOLENTA DO MUNDO

Em 1996, o Jardim Ângela foi apontado pela ONU (Organização das Nações Unidas) como a região urbana mais violenta do mundo. Atualmente, porém, os moradores exaltam a transformação na comunidade: hoje em dia é possível andar na rua com muito mais tranquilidade e segurança.

A reportagem do LANCE!Net esteve no local em dezembro para conhecer as origens de Leandro Damião. Ao caminhar pelas ruas, foi possível reparar na clara falta de saneamento básico, um dos pontos que os moradores ainda reclamam, além do reduzido número de hospitais, creches e dos problemas com o fornecimento de energia.

O Jardim Ângela conta com 17 UBS (Unidade Básica de Saúde) e um hospital municipal, o M'boi Mirim. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a população total é de 299.833 habitantes.

COM A PALAVRA
Paulo Enoc, fundador e presidente do Família Tupi City

"O Leandro Damião sempre foi pacatão, sossegadão, na dele. O pai dele, na verdade, foi bem mais presente, foi o nosso ropeiro por muitos anos, e o Leandro jogou com a gente só um ano e meio, mais ou menos, em 2006. O primo dele, o Rogério, que torce pelo Família Tupi City que indicou ele.

Hoje é um orgulho ver o Leandro aí onde está, e ver as crianças tendo uma infância melhor. Fundamos o Família Tupi City em fevereiro de 2006 começando com o futebol, e a molecada acompanhava a gente. A gente precisava fazer mais coisas, e atualmente a gente conta com escolinha de futsal masculino e feminino, alguns outros projetos sociais, festa de Dia das Crianças, e o Leandro até ajudou a gente no Dia das Crianças. Isso tudo é muito satisfatório."