icons.title signature.placeholder Marcio Porto
12/11/2014
08:32

A excelente fase de Paulo Henrique Ganso deixa de joelhos até quem já o considerou desafeto. Presidente do Santos na época da venda para o São Paulo, Luis Alvaro Ribeiro hoje reconhece que Ganso já alcançou patamar igual ao superior aos tempos em que tabelava com Neymar.

– É um cracaço. Sempre tive essa opinião e se confirma agora. O Ganso é cracaço, desde a base. No primeiro gol dele como profissional eu estava lá e aplaudi. Quando ele faz um gol de voleio como fez agora, fico feliz – declarou Luis Alvaro, em entrevista ao LANCE!Net.

A saída de Ganso do Santos de Luis Alvaro foi conturbada, cheia de versões conflitantes, mas fato é que o meia voltou a jogar o fino. Nesta quarta-feira, mais uma vez, será um dos comandantes do São Paulo no Campeonato Brasileiro, em duelo contra o Internacional, às 22h, no Morumbi. Se vencer, o Tricolor fica só a dois pontos do líder Cruzeiro.

São Paulo e Ganso colhem os frutos da ótima fase, enquanto a Luis Alvaro restaram boas lembranças e explicações. O ex-dirigente de 71 anos nega que tenha dito um dia que o meia possuía uma “lesão incurável”. A frase foi publicada pelo jornal “Estado de S. Paulo”, dias depois de a transferência ter sido concretizada, em 2012.

– Jamais disse. O repórter me perguntou do Ganso e desejei sorte a ele. Disse só que ele teve problemas recorrentes nos últimos dois anos, e os problemas físicos comprovavam o que disse. O afastava dos jogos. Fomos refazer o contrato dele e teve uma lesão. Mas eu não tinha competência para dizer uma coisa dessas – afirmou Ribeiro.

Na época, apesar da rebatida do ex-presidente, o repórter Jamil Chade, autor da matéria, manteve o que escrevera. Ganso, por sua vez, procurou ignorar o assunto publicamente e, um ano depois, em entrevista coletiva, classificou como “besteira” a declaração.

Fato é que a vida seguiu para os dois e hoje o são-paulino vibra com o sucesso de seu camisa 10.

– É um cara diferente mesmo. A gente, quando escolhe alguém pra fazer o revezamento, nunca escolhe o Ganso, porque com ele quem corre é a bola – avaliou Muricy Ramalho, que comandava o Santos na época da polêmica venda.

Luis Alvaro Ribeiro, ex-presidente do Santos, em evento em São Paulo

A NEYMAR, TUDO. A GANSO...

A relação de Luis Alvaro com Ganso nunca foi das melhores no Santos. Primeiro porque na época o meia ainda era agenciado pela DIS, braço do grupo Sonda que travou guerra com o dirigente. Para Ganso e seu estafe, Ribeiro sempre teve predileção por Neymar, para quem fazia de tudo, e acabava não tendo o mesmo tratamento com o meia. O ex-presidente rebate, mas se irritava com frequência com Ganso. Antes da final do Mundial-2011, por exemplo, reclamou de o meia ter anunciado a venda de parte de seus direitos a seus representantes. Na novela para renovação de contrato do jogador, antes de sua saída, os ânimos se acirraram. Houve troca de acusações. O auge foi em uma reunião no Santos, quando Ganso se recusou a cumprimentar Luis Alvaro. A partir daí, o caminho ficou livre para o São Paulo...