icons.title signature.placeholder Marcello Vieira
02/03/2014
08:02

Depois de um ano de asfixia financeira, penhoras sobre as cotas de televisão, salários atrasados e muitas dificuldades, o Fluminense começa, enfim, a se reorganizar. De volta à Timemania, o clube já reduziu a dívida fiscal de R$ 33 milhões para R$ 9 milhões, situação que deixa o assessor executivo do presidente Peter Siemsen, Jackson Vasconcelos, aliviado.

– A perspectiva para esta temporada é positiva. Estamos na Timemania novamente, quitamos mensalmente as guias de pagamentos referentes à loteria e seguimos tentando negociar com a Receita Federal por melhores condições de pagamento. Se a Procuradoria aceitou negociar com Vasco, Flamengo e outros clubes, não tem porque não fazer o mesmo conosco – ressaltou o dirigente.

Em oposição ao discurso animador, uma rápida consulta no sistema da Receita mostra que o Fluminense tem uma dívida fiscal superior a R$ 120 milhões. Jackson fez questão de explicar a situação:

– É um erro da Receita Federal que já deveria ter sido resolvido. Regularizamos nossa situação, mas o sistema deles está com um problema e não voltou ao funcionamento normal, mas isso não implica em um prejuízo para o Fluminense a não ser o pagamento burocrático por guia. O valor que está lá não corresponde à realidade.

Com as pendências trabalhistas quitadas mensalmente pelo Ato Trabalhista e a questão fiscal praticamente resolvida, o Fluminense conseguiu equacionar todas as principais dívidas. Todavia, recentemente foi divulgada uma lista com os clubes brasileiros que deviam dinheiro para o Banco Central. E o Fluminense aparecia com o débito de cerca de R$ 3 milhões para arcar. Jackson salientou não há registros dessa dívida no Tricolor.

– Vimos essa informação da dívida com o Banco Central na imprensa, encaminhamos um expediente ao próprio Banco Central pedindo um esclarecimento que ainda não foi respondido. Quando o Peter entrou em 2010, o Fluminense estava proibido de operar com o Banco Central em razão de uma dívida que foi integralmente paga. Desde então, trabalhamos diretamente com a instituição e não temos nenhum registo dessa dívida. Não digo que ela não exista. Se existir, nós vamos pagar, mas estranhamos esta informação – comentou o assessor.

BATE-BOLA
Jackson Vasconcelos
Assessor executivo do presidente Peter Siemsen

Como foram os processos de exclusão e reinclusão do Fluminense da Timemania?
Nós tivemos uma penhora determinada pela Receita Federal através da Justiça no ano passado por conta de uma dívida constituída no período de 2007 a 2010. Em razão disso, nós entramos numa intensa discussão e tentamos fazer uma negociação com a Receita que acabou não acontecendo. Em razão dessa discussão, a Receita Federal querendo alcançar alguns outros ativos do Fluminense excluiu o clube da Timemania. Nós conseguimos por uma decisão legal a reinclusão. Houve uma determinação no Congresso Nacional que regulamentou a Timemania. A loteria não havia sido regulamentada desde a época em que foi criada. Depois disso, a situação do Fluminense foi analisada e ficou evidente que o clube não poderia ter sido excluído. Após esse esclarecimento, conseguimos voltar à Timemania. Não poderia ser diferente, afinal, cumprimos com todos os pagamentos que devíamos.

Agora que foi incluído na Timemania e está inserido no Ato Trabalhista, o Fluminense está livre das penhoras?
Excetuando-se a decisão judicial que estamos tentando mudar sobre as penhoras em relação às vendas do Wellington Nem e do Thiago Neve,s não há motivos para que soframos penhoras.

Os salários estão em dia? No ano passado foi complicado...
Todos os vencimentos estão em dia. Ainda trabalhamos com algumas dificuldades, mas a tendência é de que tudo melhore em breve