icons.title signature.placeholder Guilherme Cardoso
15/03/2014
08:06

Stephane Alan Vehrle-Smith, de 24 anos. Com um nome nada popular no Brasil e o sobrenome mais incomum ainda, esse é o camisa 9 da Seleção Brasileira de hóquei sobre grama nos Jogos Sul-Americanos. Nascido no Recife, em 1989, ele foi adotado aos seis meses pelo pai britânico (Rod) e a mãe francesa (Nicole), e logo se mudou para a Inglaterra. Agora, com a competição e o esporte, quer retomar os laços com o país natal.

O atleta representa o time brasileiro desde o ano passado. Foi procurado por dirigentes do país que foram atrás de "estrangeiros" para representar a equipe. Foi a oportunidade perfeita para voltar a se envolver com o país, que nunca saiu de seu coração.

- Foi mais: ou menos um ano atrás. Recebi um e-mail. Não sei como me acharam. Disseram que foi por contatos europeus no mundo do hóquei. Perguntaram se eu gostaria de participar da Rio-2016, fazer parte dessa história, do crescimento do esporte. Decidi ver o que aconteceria. Tentava achar uma desculpa para vir ao Brasil, mas não sabia como fazer, não tinha amigos. Agora, tenho diversos. Não me arrependi - declarou o jogador ao LANCE!Net.

Disputar a Olimpíada e ajudar o Brasil a crescer no esporte não são as únicas intenções de Stephane. Sem se incomodar em falar de seu passado, revela o sonho de, algum dia, ainda conhecer sua mãe biológica. Ela acompanhou todo o processo de sua adoção. Mas nunca mais teve contato.

- Tenho uma foto da minha mãe biológica com os meus pais. Não conheço meu pai. Ele não estava durante minha adoção. Minha mãe esteve lá o todo o tempo. Ela queria ter certeza que minha vida seria boa. Gostaria de conhecê-la algum dia. Mas tenho de achar o melhor momento e ver como seria possível.

Não sei se ela ainda está viva, se mora np Recife. Mas algum dia gostaria de encontrá-la. Gostaria que ela ficasse orgulhosa do que sou hoje em dia - disse o atleta.

Formado na faculdade, ele atualmente é jogador profissional na Inglaterra, onde ainda mora nas imediações de Londres. Nas poucas vezes que veio ao Brasil, durante período de treinamentos com a Seleção, só conheceu o Rio de Janeiro. Mas a cada vinda, o desejo de conhecer mais a cultura do país aumenta.

Ao ser questionado sobre para quem torceria na Copa do Mundo, resumiu muito bem sua situação:

- (Vou torcer) para os dois. Espero que não joguem entre eles. Toda minha vida gostei de Brasil e Inglaterra. Vim do brasil e a inglaterra me formou.

QUEM É O JOGADOR:

Nome:
Stephane Alan Vehrle-Smith

Idade e Nascimento:
24 anos. Nasceu em 15/5/1989, em Recife (PE)

Altura e peso:
1,73m e 70kg

Pais adotivos:
Pai: Rod (britânico)
Mãe: Nicole (francesa)

Residência atual:
Após ser adotado com seis meses no Recife, Stephane foi para a Inglaterra e mora nos arredores de Londres desde então.

Outros esportes preferidos:
Além do hóquei sobre a grama, na infância jogava críquete, rúgbi e futebol. Torce para o Chelsea. No Brasil, não tem um time de coração para torcer.

Preferências musicais do Brasil:
Funk e de samba.

CONFIRA UM BATE-BOLA COM STEPHANE:

LANCE!Net: Você nasceu no Brasil, mas mora na Inglaterra após ser adotado. Conte um pouco da sua história.
Stephane: Nasci no Recife em 1989. Fui adotado com seis meses. Vivi na Inglaterra toda minha vida. Não tinha nenhuma ligação com o Brasil até começar a jogar pela Seleção. Foi uma grande decisão para mim. Lógico que queria  ajudar nos torneios e ir à Olimpíada. Mas também para aprender o idioma, a cultura e recomeçar minha ligação com o país.

L!Net: Como seus pais adotivos chegaram até o Brasil para adotá-lo?
S: Meus pais eram amigos da dona do orfanato. E tinham crianças que tinham sido adotadas por outras famílias amigas dos meus pais. Então, eles decidiram fazer a adoção.

L!Net: O que você conhece do Brasil?
S: Estou sempre aprendendo sobre o país. Gosto de estar junto com os outros atletas, eles me ensinam palavras. Adoro a música. Tenho ficado mais tempo no Rio de Janeiro, adoro estar na praia. A comida e as as pessoas são legais. Os brasileiros adoram viver, adoram uns aos outros e não são agressivos. Estive no Brasil três ou quatro vezes por duas, três semanas. Me sinho brasileiro no coração. Então, quero estar perto das pessoas, da cultura.

*O repórter viaja a convite do COB