icons.title signature.placeholder Rafael Valesi e Michel Castellar
28/02/2015
18:43

Como não poderia ser diferente, a manifestação que atingiu neste sábado o hotel em que o Comitê Olímpico Internacional (COI) realizou as reuniões de seu Comitê Executivo foi tema da entrevista coletiva concedida pelo presidente Thomas Bach.

No início da tarde deste sábado, o dirigente alemão disse, entre outros assuntos, que está aberto ao diálogo.

- Fui avisado do protesto (que ocorreu antes da coletiva). Nós convidamos alguns manifestantes para discutir conosco, mas infelizmente não pude participar. Só se eu saísse da reunião. O Mark (Adams, diretor de comunicação do COI) falou com eles. Vamos seguir essa política, estamos abertos ao diálogo com todo mundo - falou Bach.

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O protesto feito por um grupo de cerca de 20 pessoas teve como alvos a construção do campo de golfe na reserva ambiental de Marapendi e o corte de árvores na Marina da Glória, sede da vela na Rio-2016.

Logo após a coletiva, o presidente do COI tentou conversar com os manifestantes na porta do hotel, mas não conseguiu. Ele foi recebido aos gritos de "assassino" e "COI, go home" (COI, vá para casa, em inglês).

 

Além do protesto em si, Bach também abordou na entrevista coletiva a poluição na Baía de Guanabara, a especulação sobre uma candidatura do Qatar para a Olimpíada de 2024 e uma novidade que será implantada para a Rio-2016. Veja abaixo:

PREOCUPAÇÕES PARA A RIO-2016
"Em primeiro lugar, sou um homem que pensa muito em soluções, e não em preocupações. Aqui no Rio, o Comitê Organizador tem que manter o preparativo para os Jogos, construindo as arenas do zero. Tem muita coisa a ser feita. Não há tempo a perder. Estamos confiantes de que o trabalho será feito. Tenho uma espécie de aposta com o prefeito do Rio (Eduardo Paes). Eu disse que quando eu viesse para a Cerimônia de Abertura, queria ter a chance de agradecer aos trabalhadores que ainda estariam finalizando as instalações olímpicas. Então ele me disse que tudo estaria pronto antes da cerimônia. Quero perder a minha aposta, mas queria agradecer aos trabalhadores da mesma maneira. O comitê organizador percebeu o desafio, tudo estará em seu devido lugar".

BAÍA DE GUANABARA
"Não sei se contente é a palavra certa, mas estou satisfeito com os progressos na baía. Houve um progresso. A limpeza da água subiu para cerca de 50%, o governo está trabalhando para alcançar a meta de limpeza, que é de 80%. E se os Jogos Olímpicos não fossem realizados, isso não aconteceria. É uma evidência bem clara do legado positivo que os Jogos deixarão.

DECLARAÇÃO DO GOVERNO DO RIO DE QUE PODE NÃO ATINGIR META DE LIMPEZA DA BAÍA
"Se há uma discrepância, não posso falar nada a respeito. Você está me falando de uma declaração que eu não ouvi. Só falo o que as autoridades relataram a nós. E a mensagem deles foi clara, de que permanecem seguindo a meta. Também informaram que vão continuar com as obras de dragagem e limpeza de outras regiões (como a lagoa da Barra em torno do Parque Olímpico). Não posso comentar sobre o procedimento, teremos que ver qual será o resultado. Posso afirmar que o Comitê Organizador sabe que nós estamos monitorando a situação"

NOVIDADE PARA A RIO-2016
"Decidimos que vamos colocar na Vila Olímpica um lugar especial, um espaço em que os atletas poderão expressar seu luto, para lembrarem de pessoas que perderam suas vidas durante os Jogos Olímpicos. Pudemos testemunhar que em edições passadas dos Jogos alguns atletas sofriam perdas em suas famílias, ou aconteciam alguns incidentes em seus países de origem. Nós queremos oferecer a esses atletas a oportunidade de expressar seu luto de uma forma digna e em ambiente apropriado. E o lugar apropriado é a Vila Olímpica, onde todos se reúnem para viver sob o mesmo tempo.  Na Cerimônia de Encerramento, teremos também uma oportunidade em que cada um individualmente poderá fazer um momento de reflexão. Não será um minuto de silêncio, mas um momento de reflexão para todos compartilharem"

CANDIDATURA DO QATAR PARA OS JOGOS DE 2024 E A COPA DE 2022
"A respeito do Qatar e a decisão da Fifa (de colocar a Copa de 2022 no fim do ano), foi uma decisão lógica. Há mais de um ano, o presidente da Fifa (Joseph Blatter) e eu concordamos que tal decisão seria de interesse mútuo. Haveria um choque entre a Olimpíada de Inverno e a Copa do Mundo. Ambos os eventos perderiam com isso. Em relação ao Qatar e a Olimpíada, candidatura não é somente uma questão de dinheiro, mas sim da qualidade da candidatura. O que nos interessa não é só o dinheiro. Não vou especular aqui sobre uma candidatura que não tem uma proposta feita"

COMENTÁRIO SOBRE A ESGRIMISTA BRASILEIRA ÉLORA PATTARO, QUE DESISTIU DE COMPETIR PELO BRASIL, E O LEGADO ESPORTIVO
"Em primeiro lugar, a infraestrutura esportiva será muito melhorada. Já mencionei outra vez que mais de cem instalações foram oferecidas para treinamento dos países para a Rio-2016. Com relação a essa atleta, não posso comentar. Não conheço os detalhes. Sei que houve algumas reclamações a respeito da confederação de vôlei (CBV), mas os problemas ficaram no passado. Por outro lado, a coisa não deve estar tão ruim assim quando examinamos os resultados dos brasileiros. Eles estão apresentando resultados cada vez melhores em várias modalidades. O sistema de apoio financeiro está funcionando. Obviamente o COI está monitorando a governança em geral dos comitês olímpicos"