icons.title signature.placeholder Felipe Bolguese e Rodrigo Vessoni
13/12/2013
08:03

Mano Menezes está de volta ao mesmo lugar, mas não ao mesmo clube. Em 2008, o treinador assumiu o Corinthians rebaixado, com um elenco limitado e recheado de desconhecidos, engatinhando no departamento de marketing, com receita e patrocínio limitados, sem CT, estádio...

Em 2014, Mano encontrará um cenário transformado para melhor. A reconstrução, que ele ajudou a começar quando conquistou a Série B, chegou ao ápice no ano passado, com a conquista do Mundial da Fifa. O Corinthians, hoje, é um dos clubes mais estruturados do país, multicampeão nos últimos anos e de elenco milionário, com estrelas como Renato Augusto e Alexandre Pato. A marca é uma das mais valorizadas em todo o mundo, enquanto a receita anual é a maior do Brasil.

"O Corinthians, nos últimos anos, vem tornando realidade tudo que a Fiel sempre sonhou", reconheceu Mano Menezes, em seu site oficial, logo após ser anunciado pela diretoria, na última quarta-feira.

Mas Mano sabe que tudo isso aumentará sua responsabilidade na segunda passagem. Além da pressão de substituir Tite, que conquistou cinco títulos nos últimos três anos, tem consciência de que não haverá tempo para experiências. Ao contrário de 2008, quando a meta era voltar para a Série A, a falta de resultados no segundo semestre de 2013 exige resposta imediata – o Campeonato Paulista.

Na coletiva do anúncio da saída de Tite, o presidente Mário Gobbi Filho já havia acertado o retorno de Mano, apesar de dizer o contrário. E, ao falar do perfil do sucessor no comando, o recado foi dado...

– No Corinthians não há tempo para experimentar. Queremos um técnico que conheça isso e vista a camisa falando: "É comigo!". Não somos um laboratório – disse. 

Mano, campeão da Série B, do Paulistão e da Copa do Brasil pelo Timão, já sabe o único caminho: títulos.

2008

Destaques do time: Felipe, William, Herrera, Acosta e Dentinho
Receita anual (sem venda de jogador): R$ 63 milhões
Dinheiro da TV: R$ 26 milhões
Estádio: Pacaembu (alugado)
Campeonatos: Paulista, Copa do Brasil e Série B
Sócio-torcedor: Não havia em janeiro
Bilheteria no ano anterior: R$ 7,5 milhões

2014

Destaques do time: Cássio, Gil, Renato Augusto, Pato e Guerrero
Receita anual (sem venda de jogador): R$ 350 milhões
Estádio: Arena Corinthians (próprio)
Dinheiro da TV: R$ 140 milhões
Campeonatos: Paulista, Copa do Brasil (ou Sul-Americana, se for eliminado da Copa até as oitavas de final) e Série A
Sócios-torcedores: 44 mil (não incluídos sócios-dependentes)
Bilheteria no ano anterior: R$ 34,5 milhões

FALA, MANO!

"O Corinthians nos últimos anos vem tornando realidade tudo que a Fiel sempre sonhou. Foram conquistados a Libertadores, o bi mundial e está sendo terminado o estádio próprio. Estas conquistas colocaram o clube em destaque no mundo, aumentando a responsabilidade de todos, logo, as exigências são maiores...", Mano Menezes, em carta para a torcida, após ser anunciado oficialmente.

COM A PALAVRA

Alessandro, contratado em janeiro de 2008, capitão na Libertadores e no Mundial

"Os jogadores nem se conheciam direito"

"Era impossível imaginar passar por tudo que passei nesses seis anos. Vou voltar no tempo... Tinha um ano a mais de contrato com o Santos e o (Antonio Carlos) Zago assumiu (como gerente), com Mano de treinador. Eles me convidaram. O Santos disputaria a Libertadores, mas me despertou um interesse absurdo. Qualquer um acharia maluquice ir para time de Série B. Mas eu queria. Falei para o Leão (então técnico do Santos) que fazia questão, queria o desafio. Era o Corinthians! A chegada no clube e a derrota para o Tolima foram (momentos) duros demais. Era pancada de todo lado e jogadores que nem se conheciam direito."

COM A PALAVRA

Maurício Oliveira, repórter do Núcleo Corinthians de 2005 a 2008 e editor desde então

"Sem 2008, o 2012 não existiria certamente"

"Esse cabeludo é o tal do Perdigão que estão falando? E aquele magricela, quem é? Meu Deus... Vai subir com esse time, será?" Era o Corinthians nos primeiros dias de 2008, treinando no Parque São Jorge com os sócios-cornetas-de-plantão, porque o CT tinha apenas campos e matagal, com muitos desconhecidos, sem dinheiro e intermináveis dúvidas. De lá, o grupo que começava a se conhecer seguiu para Itu, enquanto a diretoria e o departamento de marketing se moviam para arrecadar fundos para melhorar o time de Mano. Sem o aperto daquele 2008, o 2012 – o melhor ano da história do clube – definitivamente não existiria."