Roger Federer nas montanhas

Divulgação

TÊNIS NEWS
16/11/2016
21:20
Basiléia, Suíça

Preparador físico de Roger Federer, o italiano Pierre Paganini é, seguramente, a melhor pessoa para tranquilizar os fãs de tênis à respeito do estado físico do suíço. Após semanas de trabalho, o italiano falou um pouco ao site The Tager Anzeiger sobre a recuperação de Federer.

A título pessoal, Paganini trabalhou mais intensamente que nunca com Roger Federer neste período, tempo em que ele teve que experimentar novos procedimentos mais do que em todo o tempo que este com Federer no circuito.

“Primeiramente, não vemos mais Federer no circuito. Quando você liga a TV, as pessoas se encantam ao vê-lo jogando,” Em segundo lugar, temos uma maior quantidade de trabalho contínuo do que de costume, fizemos muito mais juntos em virtude do maior tempo que tivemos disponível. Toda equipe deu muito mais de si do que normalmente damos. E deste ponto em diante são os treinadores que terão mais contato com ele, muito mais do que a princípio quando trabalhava comigo ou com Daniel (Troxler, fisioterapeuta)”.

Paganini confirma que a evolução está ocorrendo dentro dos prazos esperados, daí o otimismo gerado pela rápida recuperação. Do mesmo modo, tem sua cautela quando fala sobre o futuro do atleta.

“Até o momento, estamos totalmente dentro dos prazos e acima de tudo muito contentes,” comemora o preparador. “Mas acima de tudo somos muito cuidadosos, pois não podemos deixar de lado o fato de que falamos de alguém que é parte do circuito há muito tempo. Tal cuidado irá acompanha-lo até o final da carreira, pois não é porque acabamos de sair de uma cirurgia no joelho que vamos esquecer do resto do corpo. Depois de 1300 partidas de simples, sempre existem sinais de desgaste, é normal”.

Quanto ao joelho, Paganini é bem direto. “Independentemente da qualidade da intervenção cirúrgica, um local tão complexo como o joelho nunca mais será como quando ele nasceu. No entanto, temos trabalhado para fortalecer todas suas articulações ao longo da carreira. Vendo como um todo, está tudo dentro do normal, estamos no caminho correto.”

“O que vemos até agora é animador, mas é como uma partida de futebol, mesmo que esteja vencendo aos 40 do segundo tempo, nada está acabado,” aponta. “E muitas vezes os últimos minutos são os mais importantes. Eu creio que as últimas 5 semanas serão as mais importantes para ele, no entanto eu prefiro não dizer nada antes que as coisas realmente aconteçam.”

De qualquer modo, Pierre manda uma mensagem aos fãs. “Não devem se preocupar, isso seria um erro. Sem dúvidas cada passo agora é muito importante, e como eu já disse, estamos no caminho correto,” comenta Paganini. “O que mais me fascina é que Roger se motiva a cada pequeno progresso e como sua confiança aumenta para o passo seguinte. O que ele está fazendo agora, aos 35 anos, ainda depois de todo o êxito que teve na carreira, é absolutamente fascinante. Federer trabalha todos os dias como se tivesse um pouco de culpa de sua própria lesão. Absolutamente sério, profissional, intenso, algo simplesmente único. E não falo como preparador físico, mas sim como ser humano”.

Recentemente, Federer comentou que nunca esteve tão assustado como na véspera de Wimbledon, algo que Paganini confirma. “Isso é fato. Roger é geralmente muito tranquilo e sempre lida bem como tudo em seu entorno e consegue concentrar-se muito bem no que realmente precisa. No entanto, antes de Wimbledon alguns pensamentos à respeito de sua condição física assombraram-no, mas no mesmo momento ele tratou de ser o mais positivo possível. Talvez tais pensamentos tenham sido um sinal, já que após parar e se cuidar, nada disso chegou a acontecer com ele”.

Por fim, Paganini expressa o que o tênis significa para Federer, uma vez que mesmo com tantos êxitos na carreira, o suíço nunca perdeu a paixão; “Sua paixão pelo tênis não diminuiu nem um pouco em todo esse tempo. Se alguém como ele, que ama tanto esse esporte, passa 6 meses sem competir e entra cada dia no treino com um sorriso no rosto, isso é mais que paixão. É algo único.”