Surf Medina e Mineirinho (foto:AFP)

Atuais campeões, Medina (esq.) e Mineirinho vêm sofrendo com a pressão dos adversários (Foto:AFP)

Felipe Domingues
10/05/2016
09:00
São Paulo (SP)

Ser campeão mundial é o sonho de qualquer surfista. Mas se manter no topo pode se tornar um pesadelo rapidamente. É exatamente isso que Gabriel Medina viveu no ano passado e Adriano de Souza, o Mineirinho, vem sofrendo atualmente. Em baixa, os únicos brasileiros campeões do Circuito tentam dar a volta por cima no Rio de Janeiro.

Até o início da etapa carioca, Mineirinho é o 13 na temporada, enquanto Medina ocupa a 18 posição. A explicação pode ser simples: o foco dos rivais nos melhores do mundo.

– Você deixa de ser pedra e vira vidraça (com o título). Todos querem te derrubar, você é a referência. Mas acredito que a maior pressão para melhorar parta de mim mesmo, pois quero continuar com o mesmo nível e aumentá-lo. Odeio perder – comentou o detentor do título, ao LANCE!.

No ano passado, por exemplo, nas três primeiras etapas, Adriano de Souza foi terceiro colocado, segundo e primeiro. Na atual temporada, foi uma vez quinto e duas vezes 13.

Com Medina, o mesmo aconteceu em 2015. O jovem iniciou com uma 13 posição e uma 25, além de uma quinta colocação. Nesse ano, soma dois 13 lugares e um nono.

No Rio, porém, o retrospecto dos surfistas não é dos melhores. Nos últimos três anos, nenhum deles conseguiu passar da quinta rodada.

– Tive bons desempenhos nesse ano, mas pequenos vacilos. Situações pontuais colaboraram para algumas derrotas. Por isso tratei de crescer em cima disso. Deposito todas as minhas esperanças e dedicação para termos um bom resultado em Grumari. Será essencial para a sequência – disse o atual campeão.

Com a surpresa australiana Matt Wilkinson disparado na ponta do campeonato, com 24 mil pontos, a chance de um bicampeonato dos brasileiros se tornou menor.

Adriano está a 15.300 pontos do líder, enquanto Medina tem uma desvantagem de 16.500. Como cada etapa dá ao campeão 10 mil pontos, os dois precisariam de, no mínimo, duas disputas para alcançá-lo.

– Matt é favorito, mas o campeonato está aberto. Enquanto existirem chances matemáticas, jamais desistirei – completou Mineirinho.

Em casa, a esperança dos brasileiros campeões mundiais é voltar a ser a pedra que quebra vidraças.