Miro Neto
09/09/2016
19:35
São Paulo (SP) 

Há pouco mais de um mês, no dia 7 de agosto, o Santos entrava em campo para pegar o América-MG, pior time do Brasileirão, em condição privilegiada. Bastava vencer o lanterna para ser campeão simbólico do primeiro turno. Sem Ricardo Oliveira, lesionado, e o trio de atletas convocados para a Olimpíada, o time conseguiu a proeza de perder a partida. Foi uma atuação letárgica, nem parecia ser candidato à ponta. Verdade que o jogo foi disputado às 11h, horário que, embora se mostre popular, com estádios lotados, quase sempre afeta o nível técnico pelo calor que predomina nos trópicos. Ao fim do jogo, o técnico Dorival Júnior estrilou contra a arbitragem pela expulsão do goleiro Vanderlei, pouco antes do gol americano. A controvérsia se deu mais por questão de critério, lembrando lance em que o corintiano Cássio foi poupado do vermelho contra o Figueirense, que propriamente pela pertinência da expulsão. 

De lá para cá, em apenas quatro semanas e meia, o Santos despencou na tabela. Depois do América-MG, perdeu para Coritiba e Inter, fora de casa, e Figueirense, na Vila. Todas equipes que se engalfinham contra o rebaixamento. Paradoxalmente, os únicos três pontos somados no período foram contra o Atlético-MG, um dos postulantes ao título, talvez na melhor exibição santista na competição. Goleada por 3 a 0 e vaias para o agora rival Robinho. Conquistar apenas três de 15 pontos foi um balde de água fria no torcedor. Depois de anos distante dos primeiros lugares, o que gerou a expressão "zona Santos" para referir-se ao miolo da tabela, o time sinalizava que ia brigar pelo título. Porém, de quase "campeão" do turno passou à quinta colocação, dez pontos atrás do líder Palmeiras. E mesmo do G4 já abriu-se um pequeno rasgo: quatro pontos, distancia que pode cair para um no confronto direto com o Corinthians, na Vila. 

Assim como contra o América-MG, Dorival chiou bastante da arbitragem. Desta vez com mais razão, pois a expulsão de Lucas Lima no primeiro tempo foi dantesca. No entanto, o Santos, embora tenha saído na frente graças à qualidade técnica de Ricardo Oliveira, não jogava bem. Assim como não jogou bem contra América e Coritiba. Contra o Figueirense, o time criou mais e esbarrou em fabulosa atuação do goleiro Gatito Fernández. Acontece! 

Sol escaldante, erros de arbitragem, goleiro rival inspirado.... É sempre possível justificar derrotas. O futebol é um jogo que fornece arsenal imenso de desculpas. E todas podem ser reais. Mas não devem bastar. Quatro derrotas seguidas para equipes inferiores não se escudam nesses motivos. É difícil conceber. O Santos, infelizmente, foi incapaz de se comportar como postulante ao título em momento vital do campeonato. A conquista ficou improvável. Na saída de campo na derrota para o Coritiba, Ricardo Oliveira mostrou irritação com o time. No Beira-Rio, Lucas Lima foi às lágrimas com expulsão. Não se pode falar em falta de empenho, portanto. Foi queda de desempenho mesmo. Em um mês, a empolgação deu lugar à frustração. Haverá reação ou o foco deve ser na Copa do Brasil?