Russel Dias
16/10/2016
06:00
Santos (SP)

Para o Santos, receber o Grêmio, neste domingo, às 19h30, na Vila Belmiro, é apenas um dos jogos importantes para tentar alcançar os líderes do Campeonato Brasileiro, mas para um jogador em especial, será a partida mais marcante.

Sem Luiz Felipe, suspenso, o técnico Dorival Júnior deverá promover a estreia do argentino Fábian Noguera como titular. Até então, ele só entrou no decorrer de dois jogos.

– Estreei no amistoso, mas para mim era o jogo mais importante da minha vida. Agora depende do Dorival. Espero que seja o jogo mais importante agora, de novo. Quero jogar – afirmou, em entrevista ao LANCE!, com a ansiedade de uma criança antes de uma decisão na escola.

O sentimento e a sensação apreensiva não se deve ao simples fato de poder começar jogando uma partida importante, mas tem a ver também com tudo que o jovem de 23 anos passou nos últimos meses.

Em outubro do ano passado, Noguera disse não à diretoria do Banfield, da Argentina, quando lhe foi oferecida uma renovação de contrato. Desde então, ele ficou sem jogar.

Ao chegar no CT Rei Pelé, com a expectativa de logo vestir a camisa do Peixe, foi contido pela forte concorrência na zaga, com quatro jogadores à sua frente na disputa.

– Estou sem jogar desde outubro. Em fevereiro assinei o pré-contrato e treinei sozinho desde então. Foi difícil. Quando cheguei aqui tinha a esperança de jogar, mas tive que esperar três meses. Foi muito difícil para mim porque eu treinava e não tinha muitas oportunidades – retrata.

No amistoso festivo, ao mesmo tempo em que fez sua primeira aparição e gol pelo Alvinegro, viu o companheiro e concorrente Lucas Veríssimo cometer dois pênaltis. A partir de então, subiu no conceito de Dorival e entrou nos minutos finais da vitória sobre o São Paulo, na quinta.

Como se não bastasse findar o período de treinos excessivos e de assistir jogos pela televisão, Fabián Noguera não quer uma simples estreia. Quer deixar sua marca e fazer a mesma fama que tinha na Argentina: a de zagueiro-artilheiro!

– Se eu puder estrear com gol, vai ser melhor ainda – almeja.

BATE-BOLA EXCLUSIVO COM FABIÁN NOGUERA

Você ficou três meses sem jogar desde que chegou no Santos. Teve muitas conversas com o Dorival pra saber o motivo?


Falei duas ou três vezes. Ele sempre foi sincero comigo, dizia que tinha quatro jogadores. Agora tivemos a lesão do Gustavo Henrique, isso formou um espaço maior para mim. Ele sempre dizia que a hora chegaria e que eu precisava estar pronto. Acho que, se fizer as coisas certas no treino, terei chance, não há preferência.

Nesse período, qual foi o momento mais difícil?

Não cheguei a chorar. Sei que tem coisas muito piores na vida, mas eu conversava muito com meu pai, eu precisava jogar. Não tinha alternativa. Meu pai sempre dizia que a chance chegaria. Mas eu não ficava entre os relacionados, era difícil.

Depois do treino você ainda passa um tempo na academia. Tem a ver só com futebol ou tem também a musculação?


Gosto muito de treinar. Chego cedo, sou um dos últimos a ir para casa. Faço trabalhos extras em campo, de velocidade. Aqui tem muita qualidade, para treinar em igualdade, preciso estar preparado. Na qualidade física e técnica. Faço exercícios para futebol, gosto de fazer pela musculação também, não mais que isso

Sua estreia foi com gol. Na Argentina você fazia muitos gols?

Sim. Fiz 15 gols na Argentina. Fiz gol na estreia também, como foi aqui. Aqui no Brasil as bolas aéreas são importantes, algumas equipes tem dificuldade para se defender, e isso pode me ajudar.

O time está perto de voltar à Libertadores. Que aprendizado do futebol argentino você pode trazer ao Santos?

Jogo argentino é mais duro, mais peleado, travado, é diferente. É mais parecido com a Libertadores.