Palmeiras x Vitoria (Foto:Ale Cabral/LANCE!Press)

Jailson teve o nome gritado pela torcida várias vezes nesse domingo (Foto:Ale Cabral/LANCE!Press)

LANCE!
08/08/2016
07:10
São Paulo (SP)

A espera de Jailson pelo jogo contra o Vitória, nesse domingo, não começou na sexta-feira, quando Cuca o informou que ele seria titular. Também não começou em 2014, quando ele chegou para tapar o buraco deixado pela lesão de Fernando Prass e viu o titular voltar na mesma semana. O goleiro de 35 anos estava aguardando por este momento havia muito mais tempo.

- Eu tive uma proposta do Palmeiras aos 23 anos, quando estava no Joseense, e não aconteceu. Não é só porque eu jogo no Palmeiras hoje que sou palmeirense. Eu sempre fui palmeirense. Dez anos depois, aos 33 anos, aconteceu. Não sei o que houve na época, eu só fiquei sabendo depois que não deu certo. O pessoal deu uma segurada mesmo. Se eu soubesse, pediria para vir, igual quando chegou a proposta ao Ceará em 2014. Eu falei: "Quero ir embora, é o time do meu coração" - declarou o jogador.

- Eu tenho uma camisa do Palmeiras guardada em casa até hoje, que meu pai, palmeirense, me deu. Não posso falar qual, mas é de uma torcida que ajuda bastante a gente aí - revelou.


Jailson estava na reserva do Ceará quando o técnico Dorival Júnior e o diretor-executivo José Carlos Brunoro decidiram levá-lo ao Palmeiras, na reta final de 2014. Tratava-se de uma contratação emergencial, já que Fábio e Deola não estavam conseguindo substituir Fernando Prass à altura. O problema é que Prass enfrentou as dores e voltou a jogar justamente na partida que poderia marcar a estreia de Jailson, contra o Botafogo. Um ano depois, veio outro grande obstáculo: o rompimento do tendão de Aquiles do pé direito, em um treino.

- Na mesma hora que eu cheguei o Prass ficou bom (risos), não deu brecha. Agradeço minha esposa, meus familiares, que sempre me apoiaram nos momentos difíceis. O mais difícil foi quando operei o tendão, uma lesão grave, que me deixou quatro meses fora - recordou.

Jailson somava três partidas pelo clube quando se machucou: entrou no decorrer dos amistosos contra Shandong Luneng (CHN) e Red Bull Brasil e começou jogando contra o Sampaio Corrêa, pela Copa do Brasil. Todos estes compromissos foram em 2015, ano em que o clube contratou Aranha para ser reserva imediato de Prass. Em 2016, mais um goleiro chegou: Vagner, o primeiro a ter chance quando o ídolo teve de se ausentar. Mesmo com todos esses obstáculos, a chance de jogar pela primeira vez na Série A do Brasileiro finalmente chegou, com direito a aplausos da torcida.

- Não imaginava ser aplaudido, não. Mas estrear em uma Série A é algo que eu sempre sonhei, sempre trabalhei para isso. Respeitei todos os goleiros que estavam na minha frente, me inspirei neles. Me inspiro no Prass e no Vagner também, que é excelente goleiro, excelente pessoa. Eu fiquei emocionado, sim, porque tinha um sonho. Vim para cá com 33 anos, hoje estou com 35 e disputei um jogo de Série A. Essa tarde vai ficar guardada para o resto da minha vida.