Fellipe Lucena
01/08/2016
08:10
São Paulo (SP)

O futebol pregou uma peça em Fernando Prass. Ofereceu a ele uma tão improvável quanto merecida chance de vestir a camisa da Seleção Brasileira aos 38 anos. Estava tudo pronto para que o goleiro fosse um dos símbolos da equipe que pode, com o ouro olímpico, dar o primeiro passo para a reaproximação entre o torcedor e a camisa amarela. O sonho acabou num piscar de olhos e Prass voltou ao Palmeiras antes do previsto, com uma cirurgia no cotovelo direito na agenda.

Talvez não seja por acaso. Talvez Fernando Prass esteja mesmo destinado a personificar o Palmeiras, só o Palmeiras. Você já parou para pensar que, por menos envolvido que pareça estar com os fatos, o goleiro acaba sempre sendo a figura central do que acontece no clube?

Em 2013, Paulo Nobre cortou relações com as organizadas por causa de uma xícara atirada na direção de Valdivia, mas que quebrou ao se chocar com a parede do Aeroparque de Buenos Aires e cortou a orelha de... Prass. Em determinado momento de 2014, as dores nesse mesmo cotovelo direito faziam o retorno dele ainda na reta final do Brasileirão parecer impossível, como chegou a parecer impossível evitar a volta à Série B. Jogador e clube contrariaram o pessimismo juntos e a salvação veio com ele em campo. Sobre 2015, a reconquista do respeito nos clássicos e o título da Copa do Brasil nem é preciso falar. Foi a temporada passada que fez a palavra "ídolo" encaixar perfeitamente ao lado das palavras "Prass" e "Palmeiras".

Diante de tudo isso, não é de se surpreender que o aviso para afivelar os cintos, com duas derrotas em sequência e a perda da liderança no Brasileirão de 2016, tenha sido aceso simultaneamente ao drama do camisa 1. Se a notícia da fratura abalou até jornalistas que vivem o dia a dia da Academia de Futebol e sabem o quanto Prass estava satisfeito por estar livre, há um ano e meio, de qualquer dor no cotovelo operado, imagine como ela foi recebida por jogadores, assessores, fisioterapeutas, médicos e todos os profissionais que trabalham ao lado dele todos os dias. Raiva, tristeza, choque... Foi possível detectar diversos tipos de reação ao episódio em conversas com funcionários do Palmeiras nos últimos dias. A lesão do capitão não foi a causa da derrota para o Botafogo, mas a interferência desse baque no ambiente é óbvia.

Ídolo e time, mais uma vez, terão que reagir juntos. Não há maneira melhor de esperar a conclusão do longo tratamento pós-cirurgia do goleiro do que ganhando jogos e erguendo a taça do Brasileiro em dezembro. O pior cenário seria se deixar levar pelo abatimento e perder fôlego na disputa, o que certamente geraria grande inquietação em Prass por não poder ajudar em campo.

É hora de jogar por ele.