Miguel Cagnoni - CBDA

Miguel Cagnoni foi eleito para presidir a CBDA em junho, mas já lida com problemas (Foto: Divulgação/CBDA)

Michel Castellar
14/07/2017
07:00
Especial para o LANCE!

A empresa DLS Turismo e o presidente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), Miguel Cagnoni, supostamente mantém uma parceria desde o tempo em que o dirigente era o mandatário da Federação Aquática Paulista, cargo por ele ocupado ao longo de 22 anos. Na quinta-feira, o LANCE! revelou que a agência foi contratada sem licitação pela entidade nacional para prestar serviços de compra de passagens e reservas de hospedagem.

Por causa da reportagem, a CBDA enviou uma nota, assinada pela diretora executiva Ana Paula Alves, onde destacou seu compromisso de observar o que classificou de normas nacionais e internacionais de gestão. Além disso, ressaltou que a entidade tem custeado despesas urgentes com recursos próprios, que não são de natureza pública, e admitiu que os mecanismos de concorrência estão em fase de implementação.

- Frise-se em que se tratando de recursos próprios a verba pode ser utilizada sem a realização de procedimento licitatório, contudo mesmo assim, a entidade de administração teve a cautela de proceder cotação com outras empresas, sendo que a DLS apresentou os valores mais baixos – escreveu a diretora executiva da CBDA, em trecho do documento, onde defendeu a dispensa de licitação quando os recursos utilizados são de origem privada.

A nota foi redigida após uma série de questionamentos feitos à CBDA sobre a contratação da DLS Turismo e que não foram respondidos. Apesar de citar que houve uma cotação de preços, a entidade não mostrou qualquer comprovante ou o nome das agências que teriam sido vencidas por sua nova fornecedora e também não explicou a origem dos recursos privados usados como justificativa para a parceria celebrada sem concorrência.

A CBDA também não se pronunciou sobre a acusação de Cagnoni e a DLS Turismo serem parceiros desde a época em que ele presidiu a Federação Aquática Paulista. A suposta relação foi revelada por dois ex-funcionários da entidade, que pediram anonimato.

Durante a campanha, um dos pontos mais lembrados por Cagnoni foi a acusação feita pelo Ministério Público de que a gestão anterior fraudou licitações. O dirigente repudiou e prometeu que, se eleito fosse, o procedimento não iria se repetir, mas os indícios apontam que o discurso pode ainda não ter virado realidade.

- Deixo claro que sou oposição a essa diretoria e eles sabem disso. Para se elegerem, desrespeitaram o nosso estatuto. Agora, qualquer um fica mais preocupado e assustado com o futuro da CBDA diante de uma situação dessas após 30 dias de mandato – disse o presidente da Federação Aquática de Santa Catarina, Carlos Camargo.

Demissões não são esclarecidas

A preocupação que teve em se defender das acusações de contratar uma empresa sem licitação não foi demonstrada pela Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) no momento de esclarecer a demissão em massa de antigos funcionários e a contratação de novos, nos primeiros 30 dias de gestão do presidente Miguel Cagnoni. A entidade não respondeu nenhuma das questões enviadas sobre o assunto, principalmente, sobre a orientação dada aos dispensados de procurarem seus direitos na Justiça.

Na quinta-feira, o LANCE! mostrou que a CBDA dispensou cerca de 20 funcionários da gestão anterior, inclusive alguns que não ocupavam cargos de confiança, como serventes gerais e office boy, além de ter iniciado a contratação de substitutos para os postos vagos e a criação do cargo de motorista. E as demissões poderão trazer problemas para a gestão, porque foram feitas sem o pagamento dos direitos trabalhistas.

- O que me causa espanto é trocar seis por meia dúzia, é o desrespeito com o funcionário. Isso é gestão temerária e diria até improbidade administrativa – disse o presidente da Federação Aquática do Mato Grosso do Sul, Jefferson Borges, que foi derrotado por Cagnoni nas eleições presidenciais.

Fina veta presença de Cagnoni

A Federação Internacional de Natação (Fina) vetou a presença em sua Assembleia Geral, que elegerá seu o novo mandatário, no dia 22, do presidente da Confederação Brasileira de Deportos Aquáticos (CBDA), Miguel Cagnoni. O brasileiro não teve seu credenciamento aprovado para o Mundial de Budapeste, que começa hoje.

O veto da Fina ocorreu porque Cagnoni não é reconhecido por ela como presidente da CBDA. A justificativa é a de que ao ser eleito em um pleito organizado e comandado pela Justiça brasileira o estatuto da entidade nacional foi desrespeitado.

Consultada se Cagnoni viajará para Budapeste, mesmo sem ser credenciado pela Fina, a CBDA não respondeu. No fim da nota enviada ao LANCE!, a entidade considerou que o presidente irá cumprir em sua agenda o que for viável e necessário para representar os desportos aquáticos do Brasil em qualquer cenário ou circunstância.