Luis Fernando Coutinho
12/11/2015
17:27
Rio de Janeiro (RJ)

O que ela faz dentro do octógono do UFC é difícil de se explicar em palavras. Em poucos segundos ou até minutos, mulheres de todas as idades recebem uma dose de inspiração para serem melhores naquilo que escolheram para suas vidas. Homens se encantam, sim, por sua beleza. Porém, mais do que isso, se impressionam com uma dominância intimidadora e passam a refletir e engolir - para o caso daqueles que ainda não se convenceram - do poder das mulheres nos esportes. Sim, até no MMA, nas lutas, onde for.

O replay é necessário. Quem pisca, não vê. Quem vê, quer ver de novo. E de novo, e de novo. Quando ela entra no octógono, você só tem uma escolha: prestar bem atenção. Prenda a respiração e se prepare para o que está por vir. O mais impressionante é que só uma pessoa está preparada para lidar com seu sucesso: ela mesma. O resto segue abrindo a boca ao final de cada luta.

E olha que Dana White, um dos maiores responsáveis pelo sucesso do MMA no mundo e visionário do esporte chegou a dizer que mulheres "jamais" lutariam no UFC. O que era impossível, se tornou real. Muito real. Ela é a maior estrela do Ultimate na atualidade, rende milhões de dólares à franquia e mais do que isso: atrai atenções de todos os lados.

Ela não é "só" estrela do UFC. É também atriz de Hollywood, modelo, sex symbol, ex-medalhista olímpica no judô, vencedora do ESPY's, rival de Floyd Mayweather, coâncora do Sportscenter, inspiração do show de Beyoncé, personagem de música de Demi Lovato... Como ela consegue ser tudo isso e ainda sustentar o título de melhor lutadora de MMA da história, alcançando talvez o posto de melhor atleta do mundo dos esportes individuais na atualidade? Ainda estamos tentando descobrir.
 
O que aprendemos com isso tudo? Ela não precisa de muito tempo dentro do octógono para fazer sucesso. Mais do que uma atleta, uma inspiração, um exemplo a ser seguido na vida. Uma legítima personagem a ser explorada. Mais do que uma lutadora, uma imagem de alcance incalculável. Está no octógono, no cinema, na TV, no rádio, na internet, no jornal...  


Barreiras (e braços) foram quebradas, preconceitos (e rivais) finalizados e uma mensagem foi enviada: você pode ser tudo o que quiser. E ao mesmo tempo.

Ah, o tempo. Ela gasta mais fora do octógono. Não precisa de muito lá dentro para chamar a sua atenção. Uma vez que ela já fez você a notar, é a hora de mostrar que é muito mais do que tudo aquilo que te impressionou na luta.

Ela pode até perder a luta deste sábado no UFC 193, contra Holly Holm, na Austrália, em disputa de título. É (muito) difícil, mas pode. Esporte é isso, imprevisível quando menos se espera. Mas suas conquistas até aqui já são dignas de reconhecimento. O melhor é que ela parece longe de satisfeita.

Não foi preciso citar o nome dela até aqui - você entendeu quem é a personagem deste texto na mesma velocidade com a qual ela finalizou suas últimas lutas. Isso faz você entender bastante sobre ela. O que ela faz no octógono é multiplicado fora dele. Ainda não está claro? Ela é inspiração para crianças, adolescente, adultos e idosos. Homens ou mulheres.

Lutas curtas, vitórias longas. Esse é o legado de Ronda Rousey.