Luis Fernando Coutinho
11/10/2016
08:05
Rio de Janeiro (RJ)

Nesta terça-feira, dia 11 de outubro de 2016, Vitor Belfort alcança mais uma marca histórica na carreira. São 20 anos lutando MMA. Mais impressionante que isso é conseguir se manter relevante no esporte por tanto tempo. Desde sua primeira luta na modalidade até a presente data, o carioca conquistou títulos, venceu lutas históricas, ganhou o apelido de "fenômeno" e desempenhou um papel único também fora dos ringues e cages: o de embaixador do esporte.

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A primeira luta de Belfort aconteceu no dia 11 de outubro de 1996. Contra Jon Hess, o brasileiro conquistou um nocaute em apenas 12 segundos. Depois, em sua estreia no octógono, ele nocauteou Tra Telligman e depois Scott Ferrozo para conquistar o primeiro título mundial já na terceira luta. Foi no UFC 12, em fevereiro de 1997, quando o brasileiro conquistou o GP dos pesados. Depois do primeiro título, conquistado aos 19, Vitor se tornou campeão dos meio-pesados contra Randy Couture, aos 26, dias após o desaparecimento de sua irmã, Priscila. O drama familiar o acompanha até hoje.

Vitor alternou apresentações entre UFC e Pride - os dois maiores eventos da época - durante oito anos. Enfrentou nomes como Randy Couture, Wanderlei Silva, Kazushi Sakuraba, Chuck Liddell, Tito Ortiz e Alistair Overeem. Até pelo Strikeforce Vitor lutou, em 2006. Ainda atuou pelo Cage Rage e pelo Affliction até voltar de vez ao UFC, em 2009. Na luta de retorno, nocauteou Rich Franklin em 3m02seg e garantiu a chance pelo terceiro título mundial. Contra Anderson Silva, uma derrota por nocaute antológico. Depois do duelo que foi tratado como "luta do século", já que reuniu os dois maiores nomes brasileiros da história do UFC, Vitor teve mais duas chances pelo cinturão e perdeu ambas. Uma contra Jon Jones, em 2012, e outra contra Chris Weidman, em 2015. Entre vitórias e derrotas, seguiu sempre enfrentando os melhores do mundo.

Belfort sempre se destacou como lutador explosivo, que tinha fúria nas mãos e um preparo físico desconfiável. Das 38 lutas que fez nos 20 anos de carreira, foram 25 vitórias, sendo 18 por nocaute, três por finalização e apenas quatro na decisão. A agressividade precoce sempre foi seu maior trunfo durante toda a carreira. Foi ela que lhe rendeu o apelido de "fenômeno". Um jovem que aos 19 anos atropelava rivais com mais de cem quilos só poderia ser reconhecido como tal.

Fora do octógono, ele colecionou momentos onde assumiu o posto de porta-voz de lutadores. Visionário, negociou a primeira transmissão de uma luta do UFC na TV aberta ao aceitar participar do reality show Casa dos Artistas, em 2002. Além disso, foi comentarista na REDE TV durante o UFC 134, que marcou o retorno da organização ao Brasil após hiato de 13 anos, em agosto de 2011. Meses depois, na primeira luta transmitida pela Rede Globo, ele também trabalhou como comentarista. Além disso, Belfort participou da primeira edição do The Ultimate Fighter Brasil como treinador. A popularização da modalidade no país teve participação grande do lutador.

Esqueça a fase que ele encara no octógono. As três derrotas consecutivas podem até significar que o fim de sua trajetória se aproxima, mas lembre-se quem foram seus últimos carrascos: Chris Weidman, Ronaldo Jacaré e Gegard Mousasi. Pisar no cage com nomes desse calibre é, sim, competir em alto nível, ganhando ou perdendo. E Vitor faz isso desde os 19 anos. Hoje, aos 39, independente da má fase no octógono, Belfort pode se orgulhar por completar duas décadas de dedicação ao esporte. Nenhum outro atleta na história do MMA contribuiu tanto para a modalidade dentro e fora do octógono simultaneamente. Essa não entra em seu cartel, mas pode ter certeza de que essa vitória o tempo não irá apagar.