Uniformes do UFC-Reebok (FOTO: Divulgação)

Acordo entre UFC e Reebok impõe o uso de uniformes durante eventos oficiais da organização (FOTO: Divulgação)

Luis Fernando Coutinho
04/11/2015
13:59
São Paulo (SP)

Anunciada em dezembro de 2014, a parceria inédita entre o UFC e a Reebok surpreendeu o mundo das lutas. Embora só tenha entrado em vigor a partir de julho deste ano, o acordo rendeu meses de uma polêmica que parece, aos poucos, estar perdendo força. Veto a novos patrocinadores de atletas na semana da luta, uso de uniformes e o repasse de parte dos lucros do negócio para os atletas foram alguns dos pontos mais debatidos durante os últimos meses. E embora tenha feito barulho, a tempestade de críticas não  assustou Michael Lunardelli, diretor Sênior de Negócios da Reebok Combat Training. Muito pelo contrário.

Em conversa com o Lance!, o diretor avaliou o início do trabalho com o UFC, comentou algumas das principais polêmicas em torno da parceria da marca esportiva com a maior organização de MMA do planeta e explicou algumas decisões implantadas pelo acordo diante da reclamação de muitos lutadores.

- Estamos ouvindo os lutadores. É preciso tempo para atletas profissionais se acostumarem com algo. A ideia de criar o "Fight Kit" para o UFC era implementar um sistema de uniformes como se tem em outros esportes e ligas como NBA, NFL, MLB... Times tem kits. Isso faz o time, a liga parecer mais profissional. O propósito é tornar e fazer tudo mais profissional, o esporte merece isso. Estamos falando de grandes, os melhores atletas do mundo e eles mecerem isso. Queríamos elevar o esporte com o kit. Com o tempo vão se acostumar. E esse primeiro kit não será para sempre. Deve durar um ano, depois faremos pequenas mudanças. Depois chegaremos com algo completamente diferente depois dos primeiros anos. Mas baseado em consumidores, as vendas estão muito boas. Mas não há dúvidas. Ouvimos o que os lutadores tem a dizer sobre nosso trabalho - explicou Lunardelli, em conversa por telefone.

Jacaré e Michael Lunardelli (FOTO: Divulgação)
Michael Lunardelli e Ronaldo Jacaré (FOTO: Divulgação/Reebok)

Ao ser questionado sobre o lucro dos atletas - segundo anúncio feito pelo Ultimate, todos os atletas do plantel receberão parte dos valores arrecadados com as vendas de cada uniforme personalizado com seu nome -, Michael comentou a opinião de Vitor Belfort, que recentemente declarou achar justo que lutadores fossem pagos mensalmente, recebendo salários. Atualmente, os atletas recebem bolsas pagas pelo UFC apenas quando lutam, o que acontece em média de três em três meses, fora os valores não revelados publicamente.

- Para ser honesto, não é algo que conversamos a respeito. A forma que funciona é: a Reebok trabalha com o UFC. Para onde o dinheiro vai com o acordo, é exclusivamente uma decisão do UFC, não da Reebok. Não nos metemos em assuntos sobre como lutadores são pagos. Nesse caso, não posso comentar sobre como atletas devem ser pagos. Nós realmente não temos nada com isso, nunca falamos disso com o UFC. Temos um bom acordo e nosso foco é investir no esporte. Como eles são pagos é um assunto para o UFC, não para nós - ponderou.

Além do acordo e apoio integral da Reebok com o UFC, existem lutadores que contam com um patrocínio especial, fora o previsto em contrato pela parceria. Nomes como Ronda Rousey, Conor McGregor, Chris Weidman e Joanna Jedrzejczyk contam com um contrato especial, com produtos personalizados. Ronaldo Jacaré foi o primeiro brasileiro do UFC a fechar um acordo nos mesmos moldes. Lunardelli garante pretender fechar com mais um nome tupiniquim em breve.

Confira um bate-papo com Michael Lunardelli, diretor da Reebok
Você esperava tanta polêmica em torno do acordo?
Nós tínhamos algumas expectativas de que haveriam algumas reações no lançamento inicial disso tudo. Estamos falando de MMA, então sempre haverá alguém levantando bandeira a favor, enquanto alguém estará contra. Nós esperávamos que alguns lutadores não ficassem felizes com o acordo por conta do modo que patrocínio se iniciou e o que eles perderam com isso. Para ser honesto, nos sentimos muito bem com a forma com que o lançamento foi feito. Desde o começo até agora. Acho que as pessoas tem de entender que a Reebok veio a este acordo por certas razões. Queríamos começar a parceria com o UFC, fizemos um grande investimento para começar a apoiar o UFC e, como já foi dito, todo o dinheiro desse acordo vai para os lutadores. Algumas das reclamações dos lutadores são em relação a dificuldade com algum patrocínio que eles poderiam ter. Entendemos isso. Mas lutadores não estão sendo vetados de irem lá e negociarem seu próprio acordo, terem seu próprio negócio. Sem contar que o acordo UFC-Reebok também é uma fonte de renda da qual eles vão se beneficiar. Acho que leva-se tempo para as pessoas entenderem como funciona. 

Como tem sido lidar com tantas críticas?
Já passamos por isso antes, em outra parceria. O que acontece é que as pessoas focam no que é negativo . Fizemos uma pesquisa, e apenas 2% dos fãs da comunidade (do MMA) são negativos a isso, ao acordo. É uma minoria bem pequena de pessoas interessadas no esporte que são negativos a nós. Eles podem falar alto, fazer barulho, estamos de bem com isso. Mas não precisamos focar neles, mas sim fazer o que viemos fazer. Vamos fazer com que nossas marcas se liguem. Desde que estejamos fazendo nosso trabalho, eles vão entender e estar ao nosso lado eventualmente. Acho que as coisas estão progredindo, nada acontece da noite para o dia. As pessoas tem de entender e conhecer o trabalho da Reebok. 

Após o início conturbado, você sente que a polêmica vem diminuindo?
Absolutamente (a reação negativa tem diminuído). Vamos fazer o que temos de fazer e não deixar a negatividade nos atingir, no caminho esquecemos disso. As pessoas têm direito de ter opinião, e está tudo bem. São fãs muito apaixonados. É algo bom, mesmo muito negativo, ainda está tudo bem. É a opinião e seu sentimento, temos de respeitar. Eles querem entender o que se passa. No fim do dia, queremos fazer o melhor equipamento para os lutadores praticarem o esporte e usarem em seu lazer. Estamos ao lado do UFC e temos a área de combate, fitness e a principal: entusiastas de lutadores. Vimos essa grande oportunidade. No mundo, são cerca de 35,40 milhões de pessoas treinando como lutadores. Boxe, muay thai, jiu-jitsu, wrestling e tudo mais. Essas pessoas merecem ter uma marca focada no que eles fazem. O acordo com o UFC vai bem com isso, pois quando se pensa que 90% desses praticantes de lutas são fãs do UFC, isso nos dá uma validação maior, lutadores do UFC estão com eles. 

Qual foi a parte mais difícil desse início de UFC-Reebok?
Ninguém quer lidar com coisas negativas, ainda mais com a comunidade das lutas. Tivemos de lidar com muita coisa. A reação foi mais agressiva do que esperávamos, mas suspeitávamos. Mas temos de enfrentar e trabalhar com isso. Olhamos no espelho, pensamos no que foi falado e pensamos no que pode ser feito. Já fizemos de tudo para melhorar? Assim fazemos uma melhor marca e companhia. Talvez tenha existido um ponto negativo, mas não necessariamente foi algo ruim, é preciso lidar com isso para se entrar no mercado e ter sucesso. Vamos ver mais disso à frente.