Operário

Jogadores e comissão técnica comemoram o acesso do Fantasma. (José Tramontin/Operário)

Guilherme Moreira
15/08/2017
17:32
Curitiba (PR)

Dois anos de altos e baixos. Glórias e fracasso. Após o título inédito do Campeonato Paranaense em 2015, o Operário-PR foi rebaixado no Estadual do ano seguinte e não conseguiu voltar neste ano. Por outro lado, as duas vitórias diante do Maranhão-MA, pelas quartas de final da Série D, garantiram uma vaga na Série C de 2018. E o clube só quer caminhar para a frente.

O principal objetivo da temporada era sair da Divisão de Acesso e retornar à elite do futebol do Estado. Favorito e com a melhor campanha da primeira fase, além de um ataque avassalador e uma defesa segura (um gol levado), o retorno parecia certo no decorrer do torneio. Mas, na segunda fase, o Fantasma caiu bruscamente de rendimento, foi eliminado com duas rodadas de antecedência e ficou só em terceiro no grupo A. As vagas para a Primeira Divisão, pertencentes aos líderes de cada grupo, ficaram com CE União (Francisco Beltrão) e Maringá.

O fracasso no Estadual, disputado em paralelo com o Brasileiro, fez com que a torcida se revoltasse e cobrasse a direção pessoalmente. Mesmo com a boa campanha na D, a desconfiança era total. A diretoria prometeu empenho e pediu paciência para os torcedores. O técnico Gerson Gusmão, mesmo pressionado, continuou no cargo e foi bancado pelos presidentes José Alvaro Góes Filho, do Grupo Gestor Amigos do Operário, e Laurival Pontarollo, do clube em si, e pelo gerente de futebol, Rubens Selski, o Rubinho.

A confiança no trabalho deu resultado. Focando seus esforços no torneio nacional, disputando os últimos dois jogos da Divisão de Acesso com os reservas, o Operário-PR foi o líder do grupo A15 na primeira fase, eliminou o Desportiva-ES na segunda fase e o Espírito Santo, em decisão nos pênaltis, nas oitavas.

Após bater na trave em 2010, o Fantasma tinha o Maranhão-MA nas quartas de final para finalmente subir de divisão nacionalmente. Triunfos por 3 a 1, fora de casa, e 2 a 1, no Germano Krüger, com mais de oito mil torcedores, garantiram um calendário melhor para a equipe de Ponta Grossa. A semifinal é contra o Atlético-AC, com o primeiro duelo em Rio Branco-AC e o segundo sob seus domínios.

- A Série D é muito difícil. Espero que o Operário nunca mais volte para a competição mais difícil do Brasil. Não tem vaga para tantas equipes e, se analisar as equipes, nós somos a única equipe do Sul, Sudeste e Centro-oeste. Tudo é difícil quando joga fora. Que o Operário passe para outro patamar a partir de hoje e que nunca mais possa jogar essa competição - pediu Gusmão.

Segundo melhor aproveitamento entre as divisões 

Operário torcida
Ao lado da torcida, Operário venceu todas as partidas em casa. (José Tramontin/Operário)

Em 12 jogos disputados pela Série D, o time paranaense venceu nove e perdeu três, sem nenhum empate. Em seu estádio, o retrospecto é de seis vitórias em seis partidas. O aproveitamento geral é de 75%, o mesmo do Globo-RN, que também conseguiu o acesso, e só perde para os 82,5% do Corinthians, em todas as divisões.

- É uma felicidade imensa de ter conquistado esse objetivo. Acredito que nós fomos merecedores, porque dos 12 jogos que jogamos, vencemos nove e vencemos as seis em casa. Então isso mostra nossa força aqui. E hoje, com a presença dessa torcida maravilhosa, que veio em peso, a gente não poderia deixar de buscar esse acesso com uma vitória - destacou o comandante.

Oito representes paranaenses no futebol nacional

O acesso do Operário-PR deixa o Estado com oito equipes nas quatro divisões do Campeonato Brasileiro. Em 2018, Atlético-PR, Coritiba, Paraná, Londrina, Operário-PR, Cianorte, Prudentópolis e o campeão da Taça FPF Sub-23 disputarão os principais torneios do Brasil.

Como comparação, em 2009, com a criação da Série D, eram cinco times paranaense no total das divisões. O novo número de representantes, agora especificando entre Séries A e C, iguala a de outros estados do Sul, que também possum cinco equipes. Santa Catarina tem Chapecoense, Avaí, Figueirense, Joinville e Criciúma, enquanto o Rio Grande do Sul tem Grêmio, Internacional, Juventude, Brasil de Pelotas e Ypiranga.

História

Fundado no dia 1 de maio de 1912, o Operário Ferroviário Esporte Clube tem 105 anos de fundação. Foi campeão do interior em 16 oportunidades e terminou como vice em outras 14. A maior conquista é o título do Campeonato Paranaense de 2015.

Melhores colocações nacionais

5º colocado na Série B no Brasileiro 1990
6º colocado na Série C no Brasileiro 1992
6º colocado na Série D no Brasileiro 2010
8º colocado na Série D no Brasileiro 2015