Coritiba x Atlético-PR

Clássico do primeiro turno foi no Couto Pereira; no returno acontece na Vila Capanema. (Divulgação/Coritiba)

Guilherme Moreira
13/10/2016
17:27
Curitiba (PR)

O clássico entre Atlético-PR e Coritiba de domingo, às 17h, na Vila Capanema, já tem uma polêmica antes de começar. A diretoria atleticana, sem explicar os motivos, dobrou o preço do ingresso para o visitante.

O problema começou com o Atletiba não sendo realizado na Arena da Baixada, casa rubro-negra, que foi alugada para o show do tenor italiano Andrea Bocelli no dia 19. A produção do evento afirmou que não era possível a realização do jogo no local devido ao processo de montagem da estrutura, que precisa iniciar com uma semana de antecedência - a partida está marcada para três dias antes.

O Furacão, que admitiu não ter previsto o conflito na época em que comercializou a apresentação internacional, tentou intervir para a mudança de data junto à Confederação Brasileira de Futebol (CBF). A entidade recusou o pedido, assim como o rival Coxa - que nem teria o direito se a CBF aceitasse por ser na mesma praça. O Verdão disputa as quartas de final da Copa Sul-Americana diante do Atlético Nacional-COL, no mesmo dia do show e não quis antecipar também. E isso irritou a direção atleticana.

- O show foi contratado com muita antecedência. Eu achava que seria fácil ajustar as datas. Acreditava na solidariedade dos adversários e no bom senso da CBF, mas não aconteceu - lamentou o presidente Luiz Sallim Emed, em entrevista à Rádio CAP, na semana passada.

Com isso, a retaliação sobrou para a torcida coxa-branca, que costumava pagar R$ 100 (inteira) e R$ 50 (meia) - o mesmo valor praticado no primeiro turno, no Couto Pereira, por exemplo. Agora, o bilhete para o clássico do final de semana dobrou e custa R$ 200 (inteira) e R$ 100 (meia).

De acordo com o regulamento de competições da CBF, os preços dos ingressos para a torcida visitante devem ter os mesmos valores para a torcida mandante. Como não terá comercialização para a torcida do Atlético-PR, que possui mais sócios que a capacidade do Durival Britto e Silva, a medida não atinge os torcedores do Furacão, que precisam habilitar o smart de associado para ter acesso.

Nesta quinta-feira, a Associação dos Torcedores do Coritiba (CORIASSO) entrou com um pedido administrativo junto ao PROCON-PR sobre o preço abusivo praticado pelo adversário. A organização alega que o Direito de Defesa do Consumidor foi ofendido e solicita que medidas sejam tomadas.

Atitude econômica

Em entrevista ao jornal Gazeta do Povo, após a publicação dessa reportagem, o presidente do Atlético-PR, Luiz Sallim Emed, negou que seja uma retaliação ao Coritiba. O dirigente alega que é uma questão econômica. O clube pagou cerca de R$ 100 mil para alugar a Vila Capanema e não tem a renda de bilheteria da torcida atleticana, como explicado no texto. O custo da abertura do estádio paranista é de R$ 60 mil.

- Algumas pessoas podem encarar como uma retaliação, mas não é isso. As pessoas não sabem o custo de um jogo de futebol. Não queremos nenhum confronto com o Coritiba. Foi apenas o valor que encontramos para ter um prejuízo menor. Ainda teremos despesas com aluguel, segurança, infraestrutura e todo apoio logístico. Por isso foi decidido colocar os ingressos nesse valor - justificou.