Copa America - Brasil x Peru (foto:Lucas Figueiredo / MoWA Press)

Brasil perdeu para o Peru e foi eliminado da Copa América (foto:Lucas Figueiredo / MoWA Press)

LANCE!
14/06/2016
10:23
Rio de Janeiro (RJ)

Quando deixou o comando da CBF, em março de 2012, tragado pelo festival de denúncias sobre recebimento de propinas e outras negociatas no Brasil e na Justiça dos EUA, Ricardo Teixeira vangloriava-se de ter transformado a seleção brasileira outra vez num time vencedor. No seu balanço de final de gestão, listou as Copas de 94 e de 2002, cinco títulos de Copa América e três Copas das Confederações.

Em seus 23 anos de comando do futebol brasileiro, Teixeira fez da camisa amarela a maior fonte de receitas da CBF. Em seu último ano, dos R$ 263 milhões faturados pela entidade, R$ 193 milhões foram provenientes de contratos de patrocínio envolvendo a seleção. E enquanto a cartolagem enchia os cofres, os clubes viviam à mingua, atolados em dívidas e perdendo espaço no cenário internacional.

Mas, ainda na era Teixeira, o fracasso do Brasil na Copa de 2010, e, depois de sua saída, o vexame dos 7 a 1 para a Alemanha, em casa, em 2014, mostravam que, se ainda era comercialmente lucrativa, a seleção já vivia um claro processo de decadência tática e técnica. Uma situação que só se agravou nas gestões continuistas de José Maria Marin e Marco Polo Del Nero, culminando com as eliminações precoces e sucessivas da Copa América.

Este continuísmo é exatamente o maior problema que o Brasil enfrenta. As causas da derrota para o Peru não foram o erro da arbitragem, a incapacidade de Dunga, os cortes ou a falta de brilho dos jogadores. O problema está em quem, quando o Brasil clamava por mudanças, por uma reformulação forte e desde a base, decidiu, ao contrário, recuar quatro anos no tempo e chamar o mesmo treinador que antes já contribuíra para o atraso do nosso fut.

Era a chance de mudar. Mas, desde o massacre alemão no Mineirão, só perdemos tempo. E não foram poucas as vezes que este LANCE! demonstrou sua indignação e o descrédito com o que se via nas novas-velhas gestões da CBF.

As declarações de Dunga após o jogo, como se tudo fosse culpa de uma mão na bola, refletem um misto de arrogância e deboche com a inteligência do brasileiro. Tenta-se, dessa vez com um erro de arbitragem, criar uma cortina de fumaça que impeça vir à tona as verdadeiras razões da decadência do futebol brasileiro. Um futebol ainda capaz de produzir jogadores com talento, mas que carece de uma filosofia de jogo vitoriosa. E o pior é saber que, enquanto essa gente estiver lá, fracasso, após fracasso – e a Olimpíada está aí – olhos e ouvidos estarão fechados para a razão e o clamor do torcedor.

Por isso, precisamos de uma nova CBF, competente, limpa e corajosa para nortear o nosso fut para sair do atoleiro de lama e de derrotas, duas marcas com as quais lamentavelmente estão nos acostumando.