MOBILE Weverton

(Foto: Guilherme Artigas)

Rafael Bortoloti
11/04/2017
08:30
Rio de Janeiro (RJ)

O Maracanã é um estádio especial para Weverton. Nesta quarta-feira, contra o Flamengo, às 21h45, em jogo válido pela terceira rodada da Libertadores, o goleiro do Atlético-PR reencontra o palco onde brilhou há oito meses e cravou seu nome na história do nosso futebol.

Após um empate em 1 a 1 com a Alemanha na final olímpica e uma sequência de acertos de ambos os lados nos penais, o arqueiro do Furacão, no elenco desde 2012, se agigantou diante de Petersen e preparou o caminho para Neymar converter o pênalti que valeria o ouro.

– Nós sentimos aquela ansiedade. O Brasil sempre teve boas seleções, mas que não conseguiam levar o ouro. Sabíamos que era possível fazer história, mas não podíamos deixar que isso tirasse a concentração. Deu tudo certo. Nas noites consecutivas, fiquei revivendo aquele momento. Sempre estivemos muito unidos e o clima no vestiário ajudava muito. Nem mesmo um começo com problemas atrapalhou o clima favorável – lembrou Weverton, em entrevista ao LANCE!.

Após a inédita medalha, o camisa 12 do Atlético foi fundamental na conquista da principal competição continental. Mas o sexto lugar no Brasileiro de 2016 não era suficiente para a vaga direta na fase de grupos. O primeiro adversário da pré-Libertadores foi o Millonarios - COL. Na ida, o Furacão venceu por 1 a 0. Na volta, Weverton operou um milagre em uma cabeçada de Quiñones e defendeu pênalti de Franco.

– Olha, segredo até tem, mas obviamente não vou revelar. Mas acho que o mais importante é estudar o adversário e concentrar-se – opinou o rubro-negro, que demonstra otimismo com a campanha do time:

– É possível ganhar a Libertadores. Claro que é. Este é o nosso objetivo. Acho que a mescla entre entre os jogadores veteranos e a molecada é o nosso segredo para o sucesso – finalizou o capitão rubro-negro.

Provocação e briga com torcida


No último domingo, após o apito final para o empate sem gols de Paraná e Atlético-PR, válido pela volta das quartas de final do Paranaense, que selou a classificação do rubro-negro, Weverton provocou a torcida adversária. Irritados, os jogadores do Tricolor iniciaram uma briga no campo.

– Tenho direito de comemorar o jogo como eu quero. Futebol está muito chato. O torcedor paga o ingresso e acha que pode xingar quem quiser. O torcedor do Paraná, desde que entrei em campo, me xingou - defendeu-se Weverton.

BATE-BOLA
Wevernon, goleiro do Atlético-PR, ao LANCE!
LANCE!: Por que o Brasil ganhou o ouro olímpico? Como era o clima nos vestiários?
R: Não tem como apontar um motivo. Nós ganhamos porque trabalhamos bem, treinamos duro e estávamos focados em conquistar o nosso objetivo, que era a medalha de ouro. O clima no vestiário era o melhor possível. Apesar de termos tido problemas no início da competição, em nenhum momento o clima ficou ruim. Muito pelo contrário, sempre estivemos bem unidos.

L!: Como passou as noites da véspera e após a medalha de ouro?
R – A gente sente aquela ansiedade, né? O Brasil já tinha tido seleções muito boas e que não conseguiram conquistar a medalha de ouro. Nós sabíamos que poderíamos entrar para a história, mas não podíamos deixar que esse sentimento mudasse a nossa concentração. Graças a Deus, deu tudo certo e conseguimos ser campeões. As noites depois da conquista foram maravilhosas. Você fica pensando naqueles momentos inesquecíveis e a sensação é muito boa.

L!- A demissão de Micale foi precipitada?
R – O Micale é um cara sensacional. Sou suspeito para falar dele porque sempre me deu muita confiança e acreditou no meu potencial. Fico triste por ele ter saído, mas é um cara correto, com muita capacidade e tenho certeza absoluta de que terá muito sucesso ao longo da carreira.

L!: Vai ser difícil segurar o Brasil na Copa?
R – Futebol é engraçado. Até alguns meses atrás ninguém confiava na seleção, mas agora o sentimento mudou e todos estão apontando o Brasil como o grande favorito na próxima Copa. Eu acho que o Brasil sempre entra nas competições para ser campeão, mas há outras seleções muito boas e que também têm condições de brigar pelo título. Estamos no caminho certo e temos que seguir evoluindo.

L!: Quem são seus maiores concorrentes por uma vaga entre os 23 da Copa? A titularidade é possível?
R – O Brasil vive um momento muito bom em relação a goleiros. Tem muita gente boa. Acho que tem uns seis ou sete goleiros com chances de ir para a Copa do Mundo e, por isso, tenho que trabalhar cada dia mais para seguir com chances de realizar meu sonho, que é disputar a Copa pelo meu país.

L!:  É possível o Atlético levar essa Libertadores? Qual o caminho? A liderança no grupo 4 surpreende?
R – Claro que é possível. Nosso objetivo é esse e iremos lutar com todas as nossas armas. É meio complicado falar de liderança porque só foram realizados dois jogos. E para você ver como a Libertadores é difícil, nós empatamos em casa e ganhamos fora. E agora temos um jogo muito difícil com o Flamengo. Se perdermos, iremos sair da zona de classificação para a próxima fase. Temos que pensar em um jogo de cada vez.

L!: Um elenco com tantos jogadores acima dos 30 terá mais dificuldade na competição pela longevidade da tabela ou a experiência pesa?
R – Eu acho que o segredo é ter uma mescla. Nosso time tem jogadores experientes e isso ajuda muito, principalmente em uma competição como a Libertadores, mas também temos uma molecada muito boa.

L!: Qual jogador do Flamengo é o mais 'traicoeiro' pro goleiro?
R – O Flamengo possui um dos melhores elencos do Brasil e todos os jogadores são perigosos. Não podemos dar mole com nenhum.

L!: Como ficou o coração antes da disputa por pênaltis com a Alemanha? Tem algum ritual para momentos como esse? É o maior Frio na barriga que há sentiu?
R – Sempre tem alguns segredos, mas não posso contar senão eu vou entregar o ouro, né (rsrs)? Deixando a brincadeira de lado, o mais importante é estudar bem os batedores e estar 100% concentrado na hora da cobrança. A disputa de pênaltis é a melhor hora para o goleiro, pois a pressão e a obrigação de fazer é do batedor, então o goleiro já começa com uma pequena vantagem psicológica.