Ex-Palmeiras, Diogo vive fase de artilheiro na Tailândia
Ana Canhedo
25/11/2015
08:00
São Paulo (SP)

Restaurante com elefante, rã de almoço e escorpiões no mercado.  São situações exóticas da cultura tailandesa com as quais o atacante Diogo diz estar acostumado. Vivendo longe da capital Bangok, o ex-jogador do Palmeiras é o grande trunfo do Buriram United e está próximo de conquistar o Campeonato Tailandês. Na competição, por sinal, tornou-se o maior artilheiro da história do país, com 27 gols marcados até aqui.

- Logo quando cheguei, me levaram para um restaurante. Na porta, uns dois metros da porta, quando olhei para trás, vi um elefante. Sai correndo, com muito medo (risos). Com o tempo, fui forçado pelos outros brasileiros a comer uma rãzinha - diverte-se.

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Com quatro gols em seis jogos, Diogo levantou o caneco da Copa da Liga Tailandesa (Foto: Divulgação/Comcept)


Entre suas experiências no país de comida apimentada e exótica nenhuma é mais importante que a vivida dentro de campo. No começo do ano, foi campeão da Supercopa da Tailândia, marcando o gol do título. No último domingo, faturou a Copa da Liga Tailandesa. Sem perder há seis meses, não demorará a levantar também o troféu do Campeonato Tailandês. Por fim, resta a disputa da FA Cup Tailandesa, na qual o clube está na semifinal. Tantos títulos e gols, Diogo ainda não conhecia.

- Vários fatores contribuem para o sucesso do jogador, não é sempre que dá. Algumas mudanças na minha carreira aconteceram, sim. Jogador passa por períodos. Aqui, jogamos com dois atacantes. Eu revezo com o outro, atuando às vezes pelos lados, às vezes centralizado - analisa, pesando as dificuldades vividas no Brasil em 2014, quando o Palmeiras sofreu para permanecer na Série A do Campeonato Brasileiro.

Também do Brasil, Gilberto Macena, que praticamente só fez sua carreira em mercados alternativos, como Dinamarca e China, é quem atua ao seu lado no ataque do Buriram United. Ex-Fluminense, Alexandre Gama comanda a equipe. Para Diogo, porém, não são só os brazucas a sustentarem tal hegemonia do clube de Buri Ram na Tailândia.

- O futebol aqui vem evoluindo. Uma das coisas que me surpreendeu bastante é o jogar de forma competitiva deles. Alguns eu vejo com potencial para atuar no Brasil, como o nosso lateral-esquerdo (Theerathon Bunmathan, capitão da seleção tailandesa) e nosso volante (são Suchao Nuthum, dono da faixa na equipe).

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Adaptado à Tailândia, Diogo é um dos jogadores mais importantes do Buriram e não tem planos de voltar ao Brasil  (Foto: Divulgação)

Com contrato renovado até o fim de 2017 e sem planos de retornar ao Brasil, aos poucos Diogo assume de vez o protagonismo na Tailândia. Sem arrependimentos do período vivido com as camisas de Portuguesa, Santos e Palmeiras, o atacante tem um objetivo claro para a próxima temporada: mais sucesso na Liga dos Campeões da Ásia.

- Moro com minha esposa e meu filho, ele gosta daqui, estuda inglês, a proposta financeira do clube e o tempo de contrato foram bons e a rotina é parecida com a brasileira, temos dois jogos por semana. Sempre me dediquei ao máximo, tive algums problemas de lesão. Agora está tudo bem. Em 2016, a meta do clube com um todo, não só a minha, é essa (vencer a Liga dos Campeões asiática). Antes de assinar, vim até aqui, gostei do que vi, da estrutura, então decidi - finaliza, satisfeito.

Dos dois títulos restantes em disputa, a semifinal da FA Cup acontece no dia 2 de dezembro, em jogo único contra o Chainat Hornbill. Pelo Campeonato Tailandês, faltam cinco rodadas. Sete pontos à frente do vice-líder, o Buriram United está próximo de iniciar a "contagem regressiva" pelo pentacampeonato nacional.