Bernardo Cruz e Matheus Dantas
22/11/2016
07:00
Rio de Janeiro (RJ)

Na eleição presidencial que promete ser a mais democrática da história do Fluminense, graças a participação do sócio-futebol no pleito, os bastidores da disputa pelo poder ficaram quentes nas Laranjeiras. A reportagem do LANCE! teve acesso a documentos que apontam supostos impedimentos aos candidatos Celso Barros, Mário Bittencourt e Pedro Abad de atuarem como mandatário do Clube das Laranjeiras.

O sucessor de Peter Siemsen será conhecido no próximo sábado, dia 26, em pleito realizado no Salão Nobre da Sede das Laranjeiras, das 9h às 18h.

Sobre Pedro Abad recai a dúvida da possibilidade de conciliar suas obrigações como Auditor Fiscal da Receita Federal e presidente do Fluminense. Antes de candidatar-se, com o apoio de Peter Siemsen, Abad consultou a Corregedoria da Receita Federal visando entender se há conflito de interesses. Encontrou duas ressalvas: não poder representar o clube em qualquer negociação junto aos órgãos públicos e o cumprimento da carga horária de trabalho em sua função (40 horas).

Celso Barros, da chapa "Todos Pelo Fluminense", teria impedimentos por sua atuação ainda como presidente da Unimed. A empresa, parceira do Tricolor entre 1998 e 2014, move na Justiça três ações contra o clube. Os processos são referentes aos direitos econômicos de três jogadores - Bruno Vieira, Jean e Wellington Silva.

Também foram levantadas supostos impedimentos sobre Mário Bittencourt, da chapa "Fluminense Me Domina". o Ex-Vice de Futebol teve sua candidatura suspeita por conflitos de interesses, principalmente por sua ligação com a Bloom Soccer, empresa que agencia jogadores, inclusive alguns que chegaram às Laranjeiras entre 2014 e 2016.

CELSO BARROS
A PRINCIPAL QUESTÃO
O Estatuto do Fluminense afirma que é motivo para Impedimento do Presidente “ele ter acarretado, por ato ou omissão, prejuízo considerável ao patrimônio ou à imagem do Clube”. Esta seção do estatuto poderia impedir Celso Barros de assumir a presidência do Tricolor, já que o postulante, ainda como mandatário da Unimed, colocou o clube na Justiça.

As ações, em nome da Unimed, ainda estão abertas e Celso Barros não está mais associado ao grupo operador de plano de saúde. Além disso, a Unimed também move uma ação contra o seu ex-presidente. A dívida do grupo chegou a cerca de R$1,9 bilhão, o que não pode ser classificado como falência, como em outro Seção do Estatuto, que diz, como motivo de impedimento do presidente, "ter sido decretada falência de empresa em que ele seja diretor responsável".

FALA, CANDIDATO!
“A Unimed tem como instituição processos contra o Fluminense. Não é Celso Barros contra o Peter Siemsen. Eu estando na presidência do Fluminense, vai ser Unimed contra o Fluminense e eu vou defender os interesses do clube. Vou pedir aos advogados que façam uma análise de tais situações. Se puder não pagar, não vou pagar. Se tiver que pagar vamos fazê-lo“.

MÁRIO BITTENCOURT
A PRINCIPAL QUESTÃO
A ligação direta do candidato junto a Bloom Soccer - empresa que agencia jogadores e é cliente do escritório de advocacia o qual Mário Bittencourt é sócio -, poderia gerar conflito de interesses. 

FALA, CANDIDATO!
“Minha prestação de serviços a essa empresa prevê apenas a advocacia em casos de inadimplência ou quebras de contrato de entes esportivos que não conflitem com o Fluminense. Nada tem a ver com a representação de jogadores. O escritório é meu junto com meu sócio. A partir de dezembro, caso eu seja eleito, eles vão seguir com a vida, atuando em casos que nada têm a ver com o Fluminense”.

PEDRO ABAD
A PRINCIPAL QUESTÃO
O atual presidente do Conselho Fiscal do Flu não poderia assumir o cargo de mandatário por ser auditor da Receita Federal e gerar conflito de interesses com as duas funções.

FALA, CANDIDATO!
“Antes de me candidatar eu fiz uma consulta à Receita Federal para saber se existiria conflito de interesse com a minha função. Tive a resposta positiva por escrito de que poderia exercer as duas funções, com duas ressalvas. Eu não posso representar o clube perante ao poder público. Mas o próprio parecer indica que posso delegar essa função a uma outra pessoa (vice-presidente). A segunda seria minha carga horária. Mas, atualmente, a minha função é por metas de auditorias por ano. Não cumpro horário e não atrapalhará em nenhum momento as duas funções”.