Claudio Pracownik, vice-presidente de finanças do Fla

Foto do dirigente do Fla indo aos protestos gerou muita polêmica nas redes sociais (Foto: Reprodução/Facebook)

RADAR/LANCE!
14/03/2016
11:29
Rio de Janeiro (RJ)

A foto de um dirigente do Flamengo gerou muita polêmica neste domingo. A imagem de Claudio Pracownik, vice-presidente de finanças do Rubro-Negro, indo aos protestos com sua esposa e uma babá empurrando o carrinho com seus filhos deu muito o que falar e viralizou na internet. Ao ver a repercussão do caso, o cartola do Fla escreveu um texto se defendendo. Ele alegou que não via problema em estar acompanhado por uma funcionária regulamentada.

- Ganho meu dinheiro honestamente, meus bens estão em meu nome, não recebi presentes de construtoras, pago impostos (não, propinas), emprego centenas de pessoas no meu trabalho e na minha casa mais 04 funcionários. Todos recebem em dia. Todos têm carteira assinada e para todos eu pago seus direitos sociais (…) A babá da foto, só trabalha aos finais de semana e recebe a mais por isto. Na manifestação ela está usando sua roupa de trabalho e com dignidade ganhando seu dinheiro – escreveu Pracownik em sua conta no Facebook.

Na imagem, Claudio Pracownik aparece com uma camisa do Flamengo nas cores verde e amarela. Um grupo de torcedores do clube criticou a atitude do dirigente ao ir para as manifestações desta forma. Em sua página no Facebook, a “Comuna Rubro-Negra” diz que ele “sujou o manto sagrado”.

- A Comuna Rubro-Negra repudia a atitude de Claudio Pracownik, vice-presidente de finanças do Flamengo, que sujou o manto sagrado ao utilizá-lo na manifestação golpista deste 13 de março. Como se não bastasse, ele virou merecidamente piada na internet por ser a caricatura do que significam esses atos majoritariamente compostos por brancos de classe alta e média que odeiam as transformações pelas quais passou o país – postou a página.

Veja a íntegra do texto publicado por Claudio Pracownik:

"Sí Pasarán!"

Ganho meu dinheiro honestamente, meus bens estão em meu nome, não recebi presentes de construtoras, pago impostos (não, propinas), emprego centenas de pessoas no meu trabalho e na minha casa mais 04 funcionários.

Todos recebem em dia. Todos têm carteira assinada e para todos eu pago seus direitos sociais.

Não faço mais do que a minha obrigação! Se todos fizessem o mesmo, nosso país poderia estar em uma situação diferente.

A babá da foto, só trabalha aos finais de semana e recebe a mais por isto. Na manifestação ela está usando sua roupa de trabalho e com dignidade ganhando seu dinheiro.

A profissão dela é regulamentada. Trata-se de uma ótima funcionária de quem, a propósito, gostamos muito.

Ela é, no entanto, livre para pedir demissão se achar que prefere outra ocupação ou empregador. Não a trato como vítima, nem como se fosse da minha família. Trato-a com o respeito e ofereço a dignidade que qualquer trabalhador faz jus.

Sinto-me feliz em gerar empregos em um país que, graças a incapacidade de seus governantes, sua classe política e de toda uma cultura baseada na corrupção vive uma de suas piores crises econômicas do século.

Triste, só me sinto quando percebo a limitação da minha privacidade em detrimento de um pensamento mesquinho, limitado, parcial cujo único objetivo é servir de factoide diversionista da fática e intolerável situação que vivemos.

Para estas pessoas que julgam outras que sequer conhecem com base em um fotografia distante, entrego apenas a minha esperança que um novo país, traga uma nova visão para a nossa gente. Uma visão sem preconceitos, sem extremismos e unitária.

O ódio? A revolta? Estas, deixo para eles.

Veja a íntegra do texto publicado pela Comuna Rubro-Negra:

A Comuna Rubro-Negra repudia a atitude de Claudio Pracownik, vice-presidente de finanças do Flamengo, que sujou o manto sagrado ao utilizá-lo na manifestação golpista deste 13 de março. Como se não bastasse, ele virou merecidamente piada na internet por ser a caricatura do que significam esses atos majoritariamente compostos por brancos de classe alta e média que odeiam as transformações pelas quais passou o país: sua foto com a versão verde-amarela da camisa do Fla puxando o cachorro enquanto a babá negra segue, atrás, carregando o carrinho de bebê que os pais têm preguiça de levar, é a síntese daquilo que condenamos. Em sua página no Facebook, Pracownik ainda começa sua defesa/desabafo com a frase "Sí, pasarán", invertendo o clássico lema antifascista. Asqueroso. Vale lembrar que Claudio Pracownik é banqueiro: seu negócio floresce na esteira de uma política monetária conservadora e, ironia das ironias, o governo Dilma, contra o qual ele protesta, fraquejou na tentativa de reduzir os juros. Desde que a então presidente do clube Patrícia Amorim presenteou o candidato tucano José Serra com a camisa azul e amarela do Flamengo número 45 para apoiar sua campanha que o manto sagrado não sofria uma degradação tão grande.