Cruzeiro - Diretores, com Paulo Bento (foto:Divulgação)

Jornalista alerta aos dirigentes para perfil forte de Paulo Bento (foto:Divulgação)

Nuno Farinha*
12/05/2016
14:24
Lisboa (POR)

A principal característica de Paulo Bento é o elevado rigor profissional. Com o novo treinador do Cruzeiro, não há uma segunda oportunidade para causar uma boa impressão. O trabalho está acima de tudo e no seu método de trabalho não há muito espaço para a descontração.  

A tensão competitiva é permanentemente posta à prova, sendo através desse espírito que tudo se conquista: a vontade de triunfar, o auge da forma física, a postura tática.

Esta será a terceira experiência do técnico. As duas primeiras, à frente de Sporting e Seleção de Portugal, tiveram resultados interessantes. No Sporting, com uma equipe muito jovem, Paulo Bento ficou sempre atrás do Porto), tendo chegado a lutar pelo título de campeão até a última rodada.

Bento ajudou a projetar jogadores que chegaram a grandes figuras do futebol mundial – como Nani ou João Moutinho – e o nível de jogo da equipa atingiu momentos entusiasmantes. O sistema dos “leões” era, àquela altura, o famoso 4-4-2, com um losango no meio.

Com o passar dos anos, no entanto, Bento foi se tornando um técnico mais prudente, passando a privilegiar o controle defensivo. Porém, isto o fez tornar-se um treinador mais completo, a quem apenas faltou, nos momentos decisivos, um pouco mais de sorte.

Em Portugal, com uma vasta possibilidade de escolhas, Paulo Bento mostrou outras variantes e apostou, quase sempre, no 4-3-3. Por mais que Mundial de 2014 tenha sido uma desilusão, na Euro-2012 sua equipe esteve a um passo da final, caindo para a Espanha. Prova clara de que o treinador tem estofo para as missões mais exigentes.

Nesta sua mudança para o futebol brasileiro, a grande questão é como Paulo Bento vai impor as características de velocidade de execução e agressividade na transição defensiva. Não há dúvidas de seus conhecimentos táticos suficientes para se afirmar nesta competição, disso ninguém duvida.

Agora, é bom dirigentes, jogadores e torcedores do Cruzeiro se prepararem: nunca tentem demovê-lo de suas ideias. Vão perder tempo.

*Nuno Farinha é jornalista do Record, de Portugal