Bruno Cassucci
01/06/2016
08:30
São Paulo (SP)

No dia 1º de maio deste ano, há exatamente um mês, vieram à tona denúncias que abalaram o Corinthians. O empresário norte-americano Helmut Niki Apaza alega que pagou 110 mil dólares por 20% dos direitos econômicos do jovem Alyson Motta, de 16 anos, e também por uma procuração do clube. Ambas as negociações não têm validade segundo a diretoria alvinegra, o que configuraria estelionato. O valor teria sido repartido pelo ex-gerente de futebol corintiano, Fábio Barrozo, com o conselheiro Manuel Evangelista, conhecido como Mané da Carne. Ambos negam.

O caso já chegou ao Ministério Público, gerou uma sindicância interna no Corinthians e já levou até a troca de agressões. Abaixo, o LANCE! detalha a versão de cada um dos envolvidos, explica como está as investigações e aponta questões que ainda precisam ser esclarecidas. Confira!

- SINDICÂNCIA INTERNA
Antes mesmo de o caso se tornar público, a diretoria do Corinthians já tinha em mãos documentos e trocas de mensagens de cartolas com o empresário Helmut Niki. A cúpula alvinegra, então, decidiu encaminhar o dossiê ao Conselho Deliberativo do clube, que o repassou ao Conselho de Ética, que abriu uma sindicância interna. Funcionários, dirigentes, conselheiros e até o presidente Roberto de Andrade já foram ouvidos. Em breve, um parecer deve ser formulado. A expectativa é de que os envolvidos possam ser até expulsos do clube.

- QUER SAIR
Pivô do escândalo, Alyson Motta tenta rescindir na Justiça o contrato de formação que tem com o Corinthians. O clube quer ser ressarcido em R$ 9 milhões para isso. O jogador, por sua vez, pede o pagamento de R$ 200 mil por assédio, além da rescisão imediata do vínculo para poder atuar em outra equipe. O garoto é representado pela advogada Gislaine Nunes, famosa por vencer causas contra clubes de futebol.

- CASO DE POLÍCIA - PARTE 1

No último dia 11, o ex-empresário de Alyson Motta, Julio Cesar Polizeli, foi até a casa onde o garoto mora e teve uma briga com Wilson Motta, pai do jogador. O agente nega que tenha cometido agressões. Um boletim de ocorrência foi registrado e fotos (abaixo) mostram ferimentos no familiar do atleta. Clique e veja detalhes.

- CASO DE POLÍCIA PARTE 2
As denúncias podem ser investigadas pelo Ministério Público de São Paulo. O GAECO, Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado, foi acionado. O caso estava com o promotor Paulo Castilho, que entendeu que tal apuração fugia das atribuições do Juizado do Torcedor. A denúncia chegou ao Ministério Público por meio de representação criminal entregue pelo conselheiro corintiano Romeu Tuma Júnior.

- RACHA POLÍTICO
Denúncias abalaram a política do clube. Embora eleição presidencial seja só em 2018, grupos de oposição pretendem utilizar o caso politicamente. Além disso, episódio gerou racha interno na cúpula alvinegra. Principais envolvidos são próximos ao ex-presidente Andrés Sanchez. Vice-presidente do Timão Jorge Kalil é apontado como um dos responsáveis pelo vazamento das denúncias.

- POUCO INTERESSE
Ao ser perguntado sobre o tema na última quinta-feira, Roberto de Andrade, presidente do Corinthians, afirmou que tinha mais coisas com que se preocupar do que com as denúncias na base.

- O QUE OS ENVOLVIDOS DIZEM?

*Fábio Barrozo, ex-gerente da base
Nega que recebeu qualquer valor, diz que participou da negociação para ajudar o empresário Julio César Polizelli e alega que algumas das conversas de WhatsApp divulgadas foram forjadas. Por conta disso, entrou há alguns dias com uma queixa-crime contra Helmut Niki Apaza por calúnia, injúria e difamação, pedindo indenização de R$ 500 mil. Ele está fora do futebol desde que abril, quando deixou o cargo no Timão.

*Mané da Carne, conselheiro do Corinthians
Apontado como um dos beneficiados nas transações e citado nas conversas de WhatsApp, afirma que ajudou Alyson na chegada ao Corinthians e nega envolvimento nas tratativas. Ao LANCE!, prometeu deixar o Conselho do clube em breve e citou "podridão". Contudo, segue próximo do Timão, mesmo em viagens para outros estados.

*Helmut Niki Apaza, empresário norte-americano
Alega que pagou os 110 mil dólares a Fábio Barrozo, mas diz ter ciência de que ele repartiria o valor com Mané da Carne. Segundo ele, Julio Cesar Polizeli não tem nada a ver com o caso.

*Eduardo Ferreira, diretor adjunto de futebol do clube
Manteve conversas com Niki, mas nega qualquer recebimento. Disse que espera que o caso seja apurado e reiterou que o futebol profissional do Timão não teve participação no escândalo.

*
 José Onofre, diretor de futebol de base do Timão
Não quis atender à reportagem. Deve ser demitido do cargo.

* Julio César Polizelli, ex-empresário de Alyson
Nega envolvimento, mas não quis conceder entrevista.