Bruno Cassucci*
27/04/2016
14:05
Enviado especial a Montevidéu (URU)

Um é clássico, charmoso e defasado estruturalmente. O outro moderno, imponente, mas ainda busca uma identidade própria. 114 anos separam as datas de inauguração do Estádio Parque Central, do Nacional (URU), da Arena Corinthians, equipes que se enfrentam na noite desta quarta-feira, pela Copa Libertadores. Há muito mais diferenças do que semelhanças entre os dois, mas uma coincidência os une: eles foram palco da abertura da primeira e da última Copa do Mundo.

Em 1930, o estádio de Montevidéu abrigou o duelo entre Estados Unidos e Bélgica, um dos dois que inauguraram o primeiro Mundial. Já em 2014, a casa do Timão sediou o embate entre Brasil e Croácia.

Nesta quarta, pelas oitavas de final da Libertadores, os corintianos visitarão um estádio que passa por reformas em um de seus setores e que comporta cerca de 25 mil torcedores. Lá não encontrarão os mármores que dão acabamento à Arena ou o luxo das dezenas de camarotes de Itaquera, mas terão a oportunidade de fazer um mergulho na história. Andar pelas galerias do Parque Central é voltar no tempo e revisitar a história do Nacional, estampada em fotos, placas e quadros de seus ídolos e glórias pendurados na parede.

Arena Corinthians
A moderna Arena Corinthians (Foto: Miguel Schincariol/Lancepress!)

Percebe-se que o clima no Parque é diferente já ao chegar ao bairro em que o campo está localizado, em La Blanqueada. Nas paredes e postes, as cores vermelho e azul do Decano. Nos arredores, a frequente presença de torcedores com a camisa do Nacional mesmo em dias que não há jogos.

Contudo, apesar do charme e do clima nostálgico, evidenciado pela presença de uma estátua do músico Carlos Gardel em uma das tribunas, há que se reconhecer a estrutura deficitária do estádio, embora ainda bem conservada. 

É praticamente o oposto do que se encontra em Itaquera. Na Zona Leste paulistana tudo é de última linha, luxuoso, grandioso, a ponto de ser possível assistir ao que acontece em campo ao vivo por televisores posicionados nos banheiros.

Entretanto, apesar de pequenas exposições no Setor Oeste, não há muitas menções a ídolos corintianos ou momentos marcantes da história do clube na Arena. O memorial alvinegro, por exemplo, segue no Parque São Jorge.

Mas a tendência é que o tempo aproxime as duas casas. O Parque Central passou por diversas reformas ao longo dos anos, tendo sido reinaugurado pela última vez em 2005. O sonho da diretoria do Nacional é finalizar um projeto de modernização da região até 2030, a fim de aumentar a capacidade do estádio para 40 mil pessoas abrigar novamente uma Copa do Mundo. Já a Arena Corinthians ainda passa por acabamentos e deve ter cada vez mais a cara do Timão e da Fiel Torcida.

*Colaborou Rodrigo Vessoni