Bruno Cassucci
26/06/2016
10:00
São Paulo (SP)

O choro de Luciano após marcar o primeiro gol do Corinthians sobre o Santa Cruz na noite do último sábado expôs o turbilhão emocional pelo qual o jogador vem passando. Aos 23 anos, ele lidava com a pressão pela falta de gols e também com outros problemas particulares.

O jogador ainda não havia marcado neste ano. O último gol dele tinha sido em 16 de agosto do ano passado, sobre o Avaí. Logo depois, ele machucou o joelho direito, teve de ser operado e só voltou a atuar após seis meses. Neste ano, ele chegou a ter chances como titular e também entrando no decorrer dos jogos, mas a bola insistia em não entrar...

- Foi uma sensação única, de alívio. Depois da minha lesão não tinha marcado. Ajudar meus companheiros é uma coisa única. Eu me cobrava muito, minha mulher, minha mãe, a torcida, agora dá para dar uma aliviada - disse o atleta, depois do gol na vitória por 2 a 1.

Além da pressão familiar e da Fiel, Luciano se cobrava muito pois sabia que só com gols poderia retomar seu espaço na seleção olímpica. Por conta do jejum e da má fase recente, hoje ele tem pouca esperança de estar entre os convocados para os jogos do Rio.

Para piorar as coisas para o jogador, ele vinha enfrentando um grave problema fora dos gramados. Há alguns meses o empresário dele, Wesley de Moura Lima, simplesmente desapareceu. No último domingo, contudo, o motivo foi revelado em reportagem do "Fantástico", da TV Globo. O agente foi preso em uma ação conjunta de Polícia Federal e Interpol com documentos falsos, tentando tirar visto norte-americano, em Brasília.

O empresário contraiu diversas dívidas no nome do jogador. Segundo pessoas próximas ao atleta, Wesley de Moura Lima pegou quase R$ 1 milhão emprestado.

Novo técnico do Corinthians, Cristóvão Borges tomou ciência dos problemas que o atacante enfrentava e tentou dar a ele um respaldo.

- Conheço o trabalho dele e sei dos momentos distintos que ele passou, teve momentos bons. Ele estava trabalhando muito e com muita vontade, essa vontade excessiva estava atrapalhando. Falei que ele iria jogar e conversei muito com ele sobre controlar essa ansiedade - declarou o técnico, após a vitória sobre o Santa Cruz.