Fernando Trevisan*
20/07/2016
11:41
Rio de Janeiro (RJ)

Desde abril deste ano a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo determinou que os clássicos jogados no Estado tivessem apenas a torcida mandante presente. Desde então, ocorreram sete jogos deste tipo, aparentemente sem incidentes. Até que neste domingo, antes do jogo Corinthians e São Paulo, foi relatado um confronto. Não no estádio, mas em Carapicuíba, a 47 km do estádio.


Um dia antes, jogaram Botafogo x Flamengo no Rio de Janeiro, onde não há a obrigatoriedade de torcida única em clássicos. Houve briga entre "torcedores" e um deles foi espancado até a morte. O confronto aconteceu de manhã no bairro de Bento Ribeiro, que fica a mais de 20 km do estádio onde houve o jogo.


Na semana passada, após a derrota do São Paulo para o Atlético Nacional pela Libertadores da América, houve uma série de relatos de violência e crimes praticados no entorno do estádio, além de confronto com a Polícia Militar. Não era clássico, mas era jogo de grande volume de pessoas e praticamente de torcida única, já que não há nenhuma rivalidade latente com o Atlético Nacional e de fato as brigas não tiveram nada a ver com a torcida adversária.

É claro que não se pode sacramentar uma conclusão a partir de três fatos, mas parece cada vez mais claro que a determinação de torcida única tem impacto mínimo na redução da violência relacionada ao futebol. Ou no mínimo que há muito pouca relação entre uma coisa e outra. Sim, desde que foi implantada esta medida em clássicos em São Paulo só houve algum tipo de relato de violência em um jogo. Assim como também não eram em todos os clássicos com duas torcidas presentes que aconteciam episódios deste tipo.


No caso dos clássicos, há muitos anos que os confrontos acontecem bem distantes do estádio, às vezes muitas horas antes ou depois do jogo. Os episódios deste fim de semana mostram isso, tanto em São Paulo quanto no Rio de Janeiro. O fato de ter torcida única portanto tem pouca influência pra conter este tipo de situação. E o acontecimento no estádio do Morumbi reforça ainda mais esta tese: era jogo de uma torcida só, e pessoas vestidas com a camisa do próprio clube ou da torcida organizada praticaram os atos criminosos e de vandalismo.


A conclusão é meio óbvia mas precisa ser dita. A solução é identificar e punir os indivíduos que praticam estes atos, no mínimo impedindo-os de fato de frequentar os estádios e no máximo colocando-os na cadeia, de acordo com o crime praticado. Uma briga é uma briga, um assassinato é um assassinato, tenha sido praticado por pessoas usando a camisa de um clube ou não, em dia de jogo ou não. A determinação de torcida única é inócua para conter a violência e o único efeito dela é privar o torcedor de bem, que é a grande maioria, de seguir seu clube do coração no estádio adversário. Uma pena.

*Fernando Trevisan é responsável pela Trevisan Escola de Negócios e Especialista em Gestão da Academia LANCE!