São Paulo x Internacional

Único brasileiro na Libertadores, São Paulo caiu em casa diante do Internacional (Foto: Ale Cabral/Lancepress!)

RADAR/LANCE
23/05/2016
14:42
Rio de Janeiro (RJ)

Equilíbrio. A segunda rodada do Brasileirão mostrou que a disputa do Brasileirão vai continuar reservando surpresas aos torcedores. Desempenhos aquém dos esperados, favoritos tropeçando e a arbitragem ainda confusa.

O LANCE! recorreu a especialistas que comentaram o que mais os chamaram a atenção neste segundo final de semana do maior torneio do país. Confira:

JOÃO CARLOS ASSUMPÇÃO (Colunista LANCE!):

Os destaques da rodada foram, a meu ver, Santa Cruz, que mais uma vez mostrou garra e forte poderio ofensivo, empatando com o Fluminense fora de casa, Ponte Preta, que bateu merecidamente o Palmeiras atuando em seus domínios, e Santos, que fez excelente segundo tempo diante do Coritiba e mesmo sem Lucas Lima pode dar o que falar. Deposito esperanças no trabalho de Dorival Jr.

O que novamente chamou a atenção, no entanto, foi o baixo nível técnico da maioria das equipes. Os gols apareceram, é verdade, mas a qualidade não. Temos tido jogos sofríveis, o que é bem preocupante e nisso a segunda rodada lembra muito a primeira também.

A dupla Gre-Nal, que costuma dar trabalho, merece menção, já que se saiu bem, mas o São Paulo voltou a oscilar e o Flamengo, com um futebol muito abaixo do esperado, decepcionou e decepcionou muito, o que tem sido a tônica dessa temporada.

ANDRÉ KFOURI
Uma das características mais marcantes do Campeonato Brasileiro é a diversidade de ambientes de disputa. O chamado "fator local" tem peso evidente e altera o comportamento dos dois times. Na segunda rodada, o jogo que ilustrou essa realidade foi a derrota do Palmeiras para a Ponte Preta, em Campinas. Não se viu - porque o time da casa não deixou - a equipe que estreou goleando o Atlético Paranaense, em jogo ou em postura. A vitória da Chapecoense sobre o América é outro exemplo: a Arena Condá é um lugar onde o visitante obrigatoriamente tem de se adaptar, o que não é fácil. E se quiser dar as cartas, sofrerá mais. O Brasileirão é um campeonato de múltiplas facetas.

EDUARDO TIRONI
O mais relevante é que nenhum dos times conseguiu duas vitórias, algo que não acontecia desde 2003, no primeiro ano dos pontos corridos. Isso dá uma dimensão do equilíbrio. Algumas outras coisas me surpreenderam na rodada, como a derrota do São Paulo em casa, o Palmeiras, como favorito, perdendo para a Ponte Preta. Isso parece indicar que o campeonato vai ser imprevisível como sempre.

Achei a arbitragem muito ruim, com muitos erros graves, como o pênalti marcado em cima do Grafite. Essa determinação da comissão de arbitragem, para ser mais severa com os treinadores teve um resultado de três expulsos na rodada, o Kleina, Cuca e o Autuori. Teve mais técnico expulso que jogador. Isso foi uma orientação da comissão de arbitragem, porque na primeira rodada, eles avaliaram que os treinadores estavam muito soltos. Então resolveram que iriam punir mais severamente.

CARLOS ALBERTO VIEIRA

Acompanhei duas partidas: Grêmio x Flamengo e Sport x Botafogo. Dá para comparar as estratégias dos times cariocas. Tanto o Rubro-Negro quanto o Glorioso jogaram de forma defensiva, buscando contra-ataques. Só que o resultado foi bastante diferente. O Flamengo mostrou-se um time acuado, com pouca agilidade ofensiva e sem jogadores com poder técnico para fazer a bola chegar até Guerrero. Isso só foi rearrumado quando William Arão entrou em campo, já no fim da partida. Não me pareceu uma boa a solução dada por Jayme de Almeida. O Grêmio venceu com autoridade. O Botafogo foi o oposto. Com boa saída de bola, o time, mesmo levando um gol e se enervando, assim que se acalmou, mandou na partida, trabalhando bem os contra-ataques, variações pelos flancos e criando inúmeras chances.

É certo que o torcedor do Flamengo pode falar que o Grêmio é superior e conta com um time bem mais entrosado do que Sport. Só que está nítido que o Botafogo, com um time tecnicamente inferior ao Rubro-Negro, está muito mais equilibrado e em condições de ir mais longe do que o seu rival carioca.