Cuca - Santos x Palmeiras

Cuca foi expulso contra a Ponte Preta (Foto: Daniel Vorley/AGIF/Lancepress!)

Igor Siqueira
24/05/2016
08:15
Rio de Janeiro (RJ)

A segunda rodada do Brasileirão registrou a inusitada estatística de um placar maior de expulsões de treinadores do que de jogadores. Foram três técnicos mandados para fora de campo e dois jogadores que receberam vermelho. Os números explicitam uma tensão latente entre comandantes e homens do apito.

A consequência prevista em regulamento é a suspensão automática dos três expulsos – Cuca, do Palmeiras, Paulo Autuori, do Atlético-PR, e Gilson Kleina, do Coritiba. Mas eles correm risco de receberem punição mais pesada do STJD, porque fatalmente serão denunciados pela procuradoria.

– A cobrança de bom comportamento deve ser maior aos treinadores que são os comandantes e espelho para seus atletas. Um mal exemplo pode contaminar o ambiente entre atletas e torcedores – disse ao L! o procurador-geral do STJD, Paulo Schmitt.

As súmulas trazem as versões dos árbitros sobre as expulsões. O caso mais grave relatado no fim de semana teve Paulo Autuori, do Furacão, como protagonista. A súmula, contestada pelo treinador, informa que ele “reclamou de forma ostensiva contra a equipe de arbitragem, dizendo: ‘Vocês são uns m..., c... Não marca uma para mim’”.

Em relação a Cuca, a justificativa para expulsão foi “gesticular de forma acintosa (dando soco no ar) contra decisão do árbitro no momento de marcação de uma falta”. Já Kleina, segundo o documento, chamou o árbitro Ricardo Marques Ribeiro de “fdp” por considerar que o tempo de acréscimo foi longo (a virada do Santos saiu aos 50 minutos do segundo tempo).

– Expulsamos quando o técnico foge do comportamento tolerável. Já viemos com a bandeira do respeito. Os times recebem as circulares. A cruzada pelo respeito veio para ficar – disse Ricardo ao L!.

CBF NEGA ORIENTAÇÃO ESPECÍFICA PARA 'APERTAR' TREINADORES

- Não tem orientação para tratar com diferença treinadores e jogadores. O que eu falo sempre é que continuamos na cruzada pelo respeito. E reforço isso a cada sorteio. Aos poucos os jogadores estão entendendo. A média de cartões amarelos da primeira rodada deste ano, por exemplo, foi menor em relação à primeira rodada de 2015 (4,1 contra 4,5). Os jogos têm mais tempo de bola rolando e menos cartões por reclamação - afirmou Sérgio Corrêa, presidente da Comissão de Arbitragem da CBF.