Carlos Eduardo Pereira

É a segunda vez que o presidente alvinegro lida com assédio ao treinador (Foto: Vitor Silva/SSPress/Botafogo)

Felippe Rocha
11/08/2016
18:10
Rio de Janeiro (RJ)

A especulação do nome de Ricardo Gomes como novo técnico do São Paulo fez com que Carlos Eduardo Pereira, presidente do Botafogo, viesse a público nesta quinta-feira. Em entrevista coletiva em General Severiano, o mandatário não bancou a permanência do treinador, mas também garantiu que nenhuma proposta chegou, neste momento, ao clube. Preferiu deixar a situação, neste momento, em compasso de espera. O Tricolor Paulista será o adversário do Glorioso neste fim de semana.

- Converso todo dia com o Ricardo Gomes. Mas especificamente esse assunto não foi abordado. Até brinquei com ele que ele tem que ganhar para se valorizar. O Botafogo está focado. O que pode haver, não sei o que vai haver depois de amanhã, não tem como prever. O mercado tem uma dinâmica. Alguns treinadores foram demitidos com um mês. Aconteça o que acontecer, ninguém vai sair prejudicado. Como não fomos prejudicados quando o Cruzeiro quis o treinador - lembra.

O clube mineiro tentou tirar o técnico do Rio em maio, em meio às finais do Campeonato Carioca. Um dia após o segundo jogo da decisão, o treinador se reuniu com a diretoria, recebeu um ajuste no vínculo que o mantém em General até o fim do ano e, há pouco mais de um mês, comemorou o primeiro aniversário à frente da equipe. Pouco após decidir permanecer, Ricardo havia valorizado a busca por um trabalho a longo prazo.

O substituto de Edgardo Bauza no Morumbi ainda não está definido. Se confirmada a investida para ter Ricardo Gomes de volta (ele comandou a equipe entre 2009 e 2010), o presidente do Botafogo explica a atual situação de contrato do treinador alvinegro.

- O contrato dele  é como de todos os treinadores. Tem prazo determinado e é permitido tanto ao Botafogo como a ele fazerem a rescisão de forma amigável. Temer, não. Não tenho temor nenhum. O Botafogo não depende de uma pessoa. Nem de mim. Ninguém é insubstituível. Mas é claro que qualquer alteração causa reflexo. É um trabalho em conjunto. Não houve proposta. Como não houve proposta, não tem compensação definida - entende.

Uma coisa é certa. Se Ricardo Gomes quiser negociar um novo contrato com o clube da Estrela Solitária, ouvirá um "não". Carlos Eduardo Pereira explicou que, pela delicada situação financeira do Glorioso, um novo aumento é inviável.

- Não. O Botafogo já está no seu limite de orçamento. Deixo bem claro. Não é essa a nossa visão. Estamos com orçamento apertado. Pagamos R$ 1 milhão e 250 mil de Ato Trabalhista, R$ 1 milhão e 200 mil de acordos cíveis e R$ 600 mil de Profut. Temos um segundo elenco de dívidas, além do elenco atual. Isso nos coloca numa situação bem restrita e deixamos claro para a torcida. Quando optamos por jogadores que não são "tops" é porque as dívidas tem que ser pagas e estão sendo pagas - esclarece.

Ao mesmo tempo em que, pela segunda vez, tem que lidar com a possibilidade de perder o treinador, o mandatário deixa claro que a diretoria não será pega desprevenida. Apesar de não deixar claro, ele preferiu não comentar preferência pelo nome do substituto.

- Estamos sempre atentos, estudando cenários. Mas prefiro não falar em plano B. O mais importante é levar para a torcida que não há revolta. Se houver alguma situação, vamos observar a realidade do mercado dentro de uma proposta que nos seja possível - afirmou.

Em meio a essa expectativa, a equipe alvinegra volta aos treinos na manhã desta sexta-feira. Será a penúltima atividade antes de a equipe encarar o próprio São Paulo, no fim de semana.